{"id":326861,"date":"2026-10-14T06:00:34","date_gmt":"2026-10-14T09:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=326861"},"modified":"2026-10-14T00:05:44","modified_gmt":"2026-10-14T03:05:44","slug":"educacao-autoritaria-cria-transtorno-psicologico-em-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2026\/10\/14\/educacao-autoritaria-cria-transtorno-psicologico-em-criancas\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria cria transtorno psicol\u00f3gico em crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<header class=\"sgeegmk\">\n<p class=\"teaser-text t1fzgn0z l1evdo4u blt0baw m1u0isv1 w128axg5 b16w0xvi\" style=\"text-align: center;\"><em>Seja depress\u00e3o, seja dist\u00farbios de comportamento: problemas psicol\u00f3gicos est\u00e3o com frequ\u00eancia associados \u00e0 forma como as crian\u00e7as s\u00e3o criadas. Os pais n\u00e3o conseguem acertar em tudo, mas podem evitar algumas coisas.<\/em><\/p>\n<p>Todos os pais conhecem essa situa\u00e7\u00e3o: a crian\u00e7a recebe uma tarefa e a ignora solenemente. Quando a paci\u00eancia esgota, come\u00e7am os gritos. N\u00e3o \u00e9 agrad\u00e1vel, mas acontece.<\/p>\n<p>O problema surge quando o estilo de educa\u00e7\u00e3o \u00e9 marcado principalmente por intera\u00e7\u00f5es negativas desse tipo.<\/p>\n<p>Um estudo recente realizado na China concluiu que uma educa\u00e7\u00e3o r\u00edgida e autorit\u00e1ria aumenta o risco de sintomas depressivos e comportamento agressivo nas crian\u00e7as. Com isso, os pesquisadores confirmam algo que outros especialistas tamb\u00e9m j\u00e1 observaram.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o r\u00edgida e autorit\u00e1ria vai al\u00e9m de epis\u00f3dios isolados de perda de controle. Trata-se, na verdade, de &#8220;diferentes formas de viol\u00eancia, disciplina e controle&#8221;, afirma\u00a0o psiquiatra e psic\u00f3logo Stephan Bender, que dirige a Cl\u00ednica e Policl\u00ednica de Psiquiatria, Psicossom\u00e1tica e Psicoterapia da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia do Hospital Universit\u00e1rio de Col\u00f4nia, na Alemanha.<\/p>\n<h2>Educa\u00e7\u00e3o violenta aumenta risco de depress\u00e3o<\/h2>\n<p>Agress\u00f5es f\u00edsicas ou coer\u00e7\u00e3o corporal s\u00e3o apenas uma forma de viol\u00eancia. A outra \u00e9 de natureza psicol\u00f3gica: cr\u00edticas ofensivas, linguagem agressiva, manipula\u00e7\u00e3o ou priva\u00e7\u00e3o de afeto. \u00c9 bem poss\u00edvel que as crian\u00e7as obede\u00e7am imediatamente, mas essa obedi\u00eancia motivada pelo medo tem um pre\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8220;Uma educa\u00e7\u00e3o violenta promove situa\u00e7\u00f5es de impot\u00eancia, e estas s\u00e3o um importante fator de risco para a depress\u00e3o&#8221;, afirmou Bender \u00e0 DW. &#8220;Uma educa\u00e7\u00e3o excessivamente r\u00edgida de forma cr\u00f4nica constitui, de fato, uma traumatiza\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo o psiquiatra, crian\u00e7as que vivenciam repetidamente a experi\u00eancia de n\u00e3o serem consideradas como pessoas, com seus pr\u00f3prios sentimentos, podem ter mais dificuldade em perceber e regular suas emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quem \u00e9 criado sob viol\u00eancia e sem liberdade tamb\u00e9m n\u00e3o desenvolve a percep\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria capacidade de agir e influenciar o ambiente \u2013 o senso de autoefic\u00e1cia, termo que se refere \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de ser capaz de superar desafios e alcan\u00e7ar objetivos por meio das pr\u00f3prias habilidades.<\/p>\n<p>Para que essa convic\u00e7\u00e3o se desenvolva, as crian\u00e7as precisam aprender que conseguem lidar com problemas de forma aut\u00f4noma e bem-sucedida. A autoefic\u00e1cia \u00e9 importante para aprender a lidar com as emo\u00e7\u00f5es, controlar o pr\u00f3prio comportamento e desenvolver autoconfian\u00e7a. Uma educa\u00e7\u00e3o baseada na viol\u00eancia e na coer\u00e7\u00e3o impede isso, explica Bender.<\/p>\n<p>Isso traz consequ\u00eancias bastante distintas para as crian\u00e7as. Em sua pr\u00e1tica cl\u00ednica, Bender observa que os meninos tendem mais \u00e0 chamada externaliza\u00e7\u00e3o: o sofrimento vivenciado \u00e9 projetado para fora e se manifesta frequentemente por meio de um comportamento social problem\u00e1tico, podendo chegar at\u00e9 a condutas criminosas.<\/p>\n<p>As meninas, por outro lado, tendem mais \u00e0 internaliza\u00e7\u00e3o, diz o psiquiatra e psic\u00f3logo: &#8220;Ou seja, elas desenvolvem problemas emocionais, depress\u00e3o, transtornos de ansiedade ou at\u00e9 mesmo transtornos alimentares, sobretudo a partir da puberdade&#8221;.<\/p>\n<h2>Altera\u00e7\u00f5es epigen\u00e9ticas decorrentes da educa\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria<\/h2>\n<p>Evelien van Assche \u00e9 psiquiatra e m\u00e9dica-chefe da Cl\u00ednica de Sa\u00fade Mental do Hospital Universit\u00e1rio de M\u00fcnster. Ela encontrou ind\u00edcios de que uma educa\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria deixa marcas no DNA, podendo assim aumentar o risco de depress\u00e3o mais tarde na vida.<\/p>\n<p>Como parte de sua tese de doutorado, a psiquiatra pesquisou se uma educa\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria se reflete na epigen\u00e9tica de jovens participantes do estudo. A epigen\u00e9tica estuda a rela\u00e7\u00e3o entre influ\u00eancias ambientais e o DNA e ajuda a determinar quando e quais genes s\u00e3o ativados ou desativados. Isso ocorre, entre outros mecanismos, por meio da chamada metila\u00e7\u00e3o dos genes. Trata-se de um processo de regula\u00e7\u00e3o g\u00eanica que influencia quais caracter\u00edsticas f\u00edsicas ou psicol\u00f3gicas ser\u00e3o manifestadas.<\/p>\n<p>O estudo de Van Assche baseou-se em pesquisas anteriores com g\u00eameos id\u00eanticos, nos quais um deles sofria de depress\u00e3o. Dois grupos independentes descobriram que o g\u00eameo com depress\u00e3o apresentava uma maior varia\u00e7\u00e3o na metila\u00e7\u00e3o do DNA do que o g\u00eameo saud\u00e1vel. &#8220;Repetimos essa an\u00e1lise com a nossa amostra&#8221;, diz Van Assche \u00e0 DW.<\/p>\n<p>O resultado foi semelhante: os jovens que descreveram o ambiente familiar como sendo mais violento tamb\u00e9m apresentaram uma maior varia\u00e7\u00e3o na metila\u00e7\u00e3o do que o grupo de controle. No entanto, a pr\u00f3pria Van Assche afirma que suas pesquisas fornecem ind\u00edcios, nada al\u00e9m disso. Ainda assim, s\u00e3o ind\u00edcios que coincidem com os resultados de outros estudos.<\/p>\n<h2>De qual educa\u00e7\u00e3o as crian\u00e7as precisam?<\/h2>\n<p>A psiquiatra Van Assche afirma que o essencial \u00e9 que os pais estejam emocionalmente dispon\u00edveis: ouvir os filhos e levar a s\u00e9rio suas preocupa\u00e7\u00f5es e medos. &#8220;Se existe uma boa rela\u00e7\u00e3o de base, ent\u00e3o um momento isolado de irrita\u00e7\u00e3o tem, naturalmente, um peso diferente.&#8221; Al\u00e9m da valida\u00e7\u00e3o emocional da crian\u00e7a, regras e limites tamb\u00e9m s\u00e3o importantes, pontua. Essas expectativas devem ser comunicadas de forma aberta e clara, e a ultrapassagem de limites deve acarretar consequ\u00eancias adequadas.<\/p>\n<p>&#8220;Quanto mais novas as crian\u00e7as, maior \u00e9 o papel desempenhado pelos pais&#8221;, observou Stephan Bender. Por isso, sua equipe desenvolveu treinamentos nos quais os pais aprendem a melhor maneira de apoiar seus filhos em diversas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para Van Assche, \u00e9 importante ressaltar que a maioria dos pais acerta em muitos aspectos. No entanto, a rela\u00e7\u00e3o com os pais \u00e9 fundamental para o bem-estar psicol\u00f3gico das crian\u00e7as. Mais um motivo para ouvirmos atentamente os nossos filhos.<\/p>\n<\/header>\n<section class=\"c75t7t0 hh5424a in-line closed\" data-tracking-name=\"sharing-icons-inline\">\n<div class=\"always-visible\">\n<div class=\"more-icon icon t1ax1i04 b1yws3tm cx4rgdt ih9bob8 sngcpkw w128axg5 b16w0xvi\" tabindex=\"0\" title=\"Mostrar mais op\u00e7\u00f5es de compartilhamento\" role=\"button\" aria-expanded=\"false\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"more closed\"><\/div>\n<\/section>\n<div class=\"copy-button-wrapper closed\"><em>Com DW<\/em><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seja depress\u00e3o, seja dist\u00farbios de comportamento: problemas psicol\u00f3gicos est\u00e3o com frequ\u00eancia associados \u00e0 forma como as crian\u00e7as s\u00e3o criadas. Os pais n\u00e3o conseguem acertar em tudo, mas podem evitar algumas coisas. Todos os pais conhecem essa situa\u00e7\u00e3o: a crian\u00e7a recebe uma tarefa e a ignora solenemente. Quando a paci\u00eancia esgota, come\u00e7am os gritos. N\u00e3o \u00e9 agrad\u00e1vel, mas acontece. O problema surge quando o estilo de educa\u00e7\u00e3o \u00e9 marcado principalmente por intera\u00e7\u00f5es negativas desse tipo. Um estudo recente realizado na China concluiu que uma educa\u00e7\u00e3o r\u00edgida e autorit\u00e1ria aumenta o risco de sintomas depressivos e comportamento agressivo nas crian\u00e7as. Com isso, os pesquisadores confirmam algo que outros especialistas tamb\u00e9m j\u00e1 observaram. A educa\u00e7\u00e3o r\u00edgida e autorit\u00e1ria vai al\u00e9m de epis\u00f3dios isolados de perda de controle. Trata-se, na verdade, de &#8220;diferentes formas de viol\u00eancia, disciplina e controle&#8221;, afirma\u00a0o psiquiatra e psic\u00f3logo Stephan Bender, que dirige a Cl\u00ednica e Policl\u00ednica de Psiquiatria, Psicossom\u00e1tica e Psicoterapia da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia do Hospital Universit\u00e1rio de Col\u00f4nia, na Alemanha. Educa\u00e7\u00e3o violenta aumenta risco de depress\u00e3o Agress\u00f5es f\u00edsicas ou coer\u00e7\u00e3o corporal s\u00e3o apenas uma forma de viol\u00eancia. A outra \u00e9 de natureza psicol\u00f3gica: cr\u00edticas ofensivas, linguagem agressiva, manipula\u00e7\u00e3o ou priva\u00e7\u00e3o de afeto. \u00c9 bem poss\u00edvel que as crian\u00e7as obede\u00e7am imediatamente, mas essa obedi\u00eancia motivada pelo medo tem um pre\u00e7o. &#8220;Uma educa\u00e7\u00e3o violenta promove situa\u00e7\u00f5es de impot\u00eancia, e estas s\u00e3o um importante fator de risco para a depress\u00e3o&#8221;, afirmou Bender \u00e0 DW. &#8220;Uma educa\u00e7\u00e3o excessivamente r\u00edgida de forma cr\u00f4nica constitui, de fato, uma traumatiza\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica.&#8221; Segundo o psiquiatra, crian\u00e7as que vivenciam repetidamente a experi\u00eancia de n\u00e3o serem consideradas como pessoas, com seus pr\u00f3prios sentimentos, podem ter mais dificuldade em perceber e regular suas emo\u00e7\u00f5es. Quem \u00e9 criado sob viol\u00eancia e sem liberdade tamb\u00e9m n\u00e3o desenvolve a percep\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria capacidade de agir e influenciar o ambiente \u2013 o senso de autoefic\u00e1cia, termo que se refere \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de ser capaz de superar desafios e alcan\u00e7ar objetivos por meio das pr\u00f3prias habilidades. Para que essa convic\u00e7\u00e3o se desenvolva, as crian\u00e7as precisam aprender que conseguem lidar com problemas de forma aut\u00f4noma e bem-sucedida. A autoefic\u00e1cia \u00e9 importante para aprender a lidar com as emo\u00e7\u00f5es, controlar o pr\u00f3prio comportamento e desenvolver autoconfian\u00e7a. Uma educa\u00e7\u00e3o baseada na viol\u00eancia e na coer\u00e7\u00e3o impede isso, explica Bender. Isso traz consequ\u00eancias bastante distintas para as crian\u00e7as. 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Como parte de sua tese de doutorado, a psiquiatra pesquisou se uma educa\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria se reflete na epigen\u00e9tica de jovens participantes do estudo. A epigen\u00e9tica estuda a rela\u00e7\u00e3o entre influ\u00eancias ambientais e o DNA e ajuda a determinar quando e quais genes s\u00e3o ativados ou desativados. Isso ocorre, entre outros mecanismos, por meio da chamada metila\u00e7\u00e3o dos genes. Trata-se de um processo de regula\u00e7\u00e3o g\u00eanica que influencia quais caracter\u00edsticas f\u00edsicas ou psicol\u00f3gicas ser\u00e3o manifestadas. O estudo de Van Assche baseou-se em pesquisas anteriores com g\u00eameos id\u00eanticos, nos quais um deles sofria de depress\u00e3o. Dois grupos independentes descobriram que o g\u00eameo com depress\u00e3o apresentava uma maior varia\u00e7\u00e3o na metila\u00e7\u00e3o do DNA do que o g\u00eameo saud\u00e1vel. &#8220;Repetimos essa an\u00e1lise com a nossa amostra&#8221;, diz Van Assche \u00e0 DW. O resultado foi semelhante: os jovens que descreveram o ambiente familiar como sendo mais violento tamb\u00e9m apresentaram uma maior varia\u00e7\u00e3o na metila\u00e7\u00e3o do que o grupo de controle. No entanto, a pr\u00f3pria Van Assche afirma que suas pesquisas fornecem ind\u00edcios, nada al\u00e9m disso. Ainda assim, s\u00e3o ind\u00edcios que coincidem com os resultados de outros estudos. De qual educa\u00e7\u00e3o as crian\u00e7as precisam? A psiquiatra Van Assche afirma que o essencial \u00e9 que os pais estejam emocionalmente dispon\u00edveis: ouvir os filhos e levar a s\u00e9rio suas preocupa\u00e7\u00f5es e medos. &#8220;Se existe uma boa rela\u00e7\u00e3o de base, ent\u00e3o um momento isolado de irrita\u00e7\u00e3o tem, naturalmente, um peso diferente.&#8221; Al\u00e9m da valida\u00e7\u00e3o emocional da crian\u00e7a, regras e limites tamb\u00e9m s\u00e3o importantes, pontua. 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