{"id":33045,"date":"2017-11-12T14:53:16","date_gmt":"2017-11-12T17:53:16","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=33045"},"modified":"2017-11-12T14:53:16","modified_gmt":"2017-11-12T17:53:16","slug":"mais-descanso-e-menos-antibiotico-a-receita-para-evitar-superbacterias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2017\/11\/12\/mais-descanso-e-menos-antibiotico-a-receita-para-evitar-superbacterias\/","title":{"rendered":"Mais descanso e menos antibi\u00f3tico: a receita para evitar superbact\u00e9rias"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body\">\n<div class=\"story-body__inner\">\n<p class=\"story-body__introduction\">Persiste no Brasil uma &#8220;cultura do antibi\u00f3tico&#8221;, em que pacientes esperam receber o rem\u00e9dio e em que m\u00e9dicos banalizam sua prescri\u00e7\u00e3o. No entanto, o uso excessivo desses medicamentos deve ser contido se quisermos frear a expans\u00e3o de bact\u00e9rias resistentes, que j\u00e1 matam 23 mil pessoas no Brasil por ano, afirmam especialistas. Para diminuir seu uso, m\u00e9dicos e pacientes precisam restringir seu uso a casos graves e n\u00e3o para &#8220;tratar qualquer sintoma&#8221;, argumentam.<\/p>\n<p>&#8220;Existe uma tend\u00eancia enorme \u00e0 medicaliza\u00e7\u00e3o no Brasil. As pessoas t\u00eam qualquer sintoma e querem um rem\u00e9dio. Sabemos que uma gripe vai demorar cerca de sete dias para passar, mas as pessoas querem rem\u00e9dio para encurtar isso&#8221;, afirma Ana Escobar, m\u00e9dica do Instituto da Crian\u00e7a do Hospital das Cl\u00ednicas e livre docente em Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em outubro, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do Reino Unido recomendou aos m\u00e9dicos do pa\u00eds que receitassem mais descanso e menos antibi\u00f3ticos aos pacientes. De acordo com o \u00f3rg\u00e3o, cerca de um quinto dos antibi\u00f3ticos naquele pa\u00eds s\u00e3o usados desnecessariamente, para doen\u00e7as que seriam curadas sozinhas.<\/p>\n<p>No Brasil, um dos pa\u00edses que mais contribuiu para o aumento global do consumo de antibi\u00f3ticos na \u00faltima d\u00e9cada, ainda n\u00e3o h\u00e1 uma recomenda\u00e7\u00e3o oficial do tipo, mas m\u00e9dicos alertam para a import\u00e2ncia de frear o consumo desses rem\u00e9dios para evitar a expans\u00e3o de superbact\u00e9rias.<\/p>\n<p>&#8220;Os n\u00fameros referentes \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia antimicrobiana s\u00e3o assustadores&#8221;, diz Luiz Henrique Melo, m\u00e9dico infectologista e consultor da empresa farmac\u00eautica MSD, que gere programas para a racionaliza\u00e7\u00e3o no uso de antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>&#8220;A resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos \u00e9 um dos fen\u00f4menos que pode levar a um colapso econ\u00f4mico. Parece banal, mas h\u00e1 um custo enorme no uso extensivo dos antibi\u00f3ticos&#8221;, complementa Melo.<\/p>\n<p>Um estudo encomendado pelo governo brit\u00e2nico no ano passado aponta que 700 mil pessoas morrem todos os anos v\u00edtimas de bact\u00e9rias resistentes no mundo e que, se nada for feito nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, esse n\u00famero pode saltar para 10 milh\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"story-body__crosshead\"><strong>Pacientes e m\u00e9dicos<\/strong><\/p>\n<p>Pacientes n\u00e3o devem esperar sempre pela prescri\u00e7\u00e3o de antibi\u00f3ticos, e os m\u00e9dicos t\u00eam o papel de explicar ao enfermo o porqu\u00ea da prescri\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o, afirma Melo. &#8220;Precisa munir o paciente de todos os argumentos necess\u00e1rios para ele entender que n\u00e3o prescrever trar\u00e1 benef\u00edcios no curto e longo prazo&#8221;, diz o infectologista.<\/p>\n<p>Se a resist\u00eancia antimicrobiana n\u00e3o for contida, cirurgias de alta complexidade, transplantes e quimioterapia, por exemplo, podem se tornar impratic\u00e1veis. &#8220;A grande quest\u00e3o \u00e9 que se voc\u00ea usar antibi\u00f3tico de uma forma inadequada voc\u00ea ir\u00e1 perd\u00ea-lo, porque as bact\u00e9rias ficar\u00e3o resistentes com o tempo. Isso se reflete em doen\u00e7as mais dif\u00edceis de curar, em mais interna\u00e7\u00e3o e em mais custos de sa\u00fade&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Por isso, pacientes podem contribuir para a solu\u00e7\u00e3o do problema ao n\u00e3o buscar por antibi\u00f3ticos sem necessidade. &#8220;S\u00e3o constante as liga\u00e7\u00f5es no consult\u00f3rio de pessoas que reclamam de gripe e, porque ir\u00e3o viajar, querem rem\u00e9dio&#8221;, relata Escobar.<\/p>\n<p>Do lado dos m\u00e9dicos, h\u00e1 uma &#8220;press\u00e3o&#8221; para que receitem antibi\u00f3ticos, principalmente em postos de sa\u00fade, onde os profissionais tratam emerg\u00eancias e n\u00e3o fazem um acompanhamento peri\u00f3dico do paciente. &#8220;O m\u00e9dico nessa situa\u00e7\u00e3o trata caso a caso, e h\u00e1 uma tend\u00eancia exagerada \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o. Se o paciente est\u00e1 com secre\u00e7\u00e3o purulenta, o m\u00e9dico j\u00e1 d\u00e1 antibi\u00f3tico&#8221;, diz Escobar.<\/p>\n<p>A falta de estrutura adequada dos postos e hospitais, onde nem sempre h\u00e1 a possibilidade de diagn\u00f3stico r\u00e1pido por exames laboratoriais para checar se h\u00e1 uma infec\u00e7\u00e3o bacteriana, tamb\u00e9m dificulta a vida dos m\u00e9dicos. De acordo com um levantamento preliminar da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) de 2015, o Brasil tem praticamente um laborat\u00f3rio de microbiologia para cada dez hospitais.<\/p>\n<p>Esses laborat\u00f3rios s\u00e3o essenciais para identificar as causas de uma infec\u00e7\u00e3o e municiar m\u00e9dicos com informa\u00e7\u00f5es sobre que rem\u00e9dios receitar ao paciente. Sem tais laborat\u00f3rios e exames, m\u00e9dicos tomam decis\u00f5es no escuro e podem errar na prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Aus\u00eancia de crit\u00e9rios claros<\/strong><\/p>\n<p>Para auxiliar os profissionais de sa\u00fade no uso racional desses rem\u00e9dios, seriam necess\u00e1rios protocolos mais claros e r\u00edgidos, afirma Escobar. De acordo com a m\u00e9dica, em muitos casos, h\u00e1 crit\u00e9rios bem definidos para o uso de antibi\u00f3ticos \u2013 como no tratamento de pneumonia, amigdalite e otite \u2013, mas seriam necess\u00e1rias recomenda\u00e7\u00f5es mais abrangentes.<\/p>\n<p>&#8220;Esse respaldo precisaria vir de diretrizes universais. Um crit\u00e9rio, por exemplo, \u00e9 a recomenda\u00e7\u00e3o de antibi\u00f3tico para amigdalite apenas se houver infec\u00e7\u00f5es por bact\u00e9rias estreptococos do grupo A (GAS)&#8221;, afirma. &#8220;Temos algumas diretrizes, mas n\u00e3o temos uma divulga\u00e7\u00e3o disso.&#8221;<\/p>\n<p>Em maio, o governo brasileiro anunciou a elabora\u00e7\u00e3o de um plano nacional de combate a bact\u00e9rias resistentes a pedido da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). O governo diz que pretende educar melhor profissionais e pacientes sobre a urg\u00eancia do tema. A previs\u00e3o \u00e9 que o plano seja colocado em pr\u00e1tica a partir de 2018.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade disse por meio de nota que o Brasil se destaca no combate \u00e0 resist\u00eancia antimicrobiana na Am\u00e9rica do Sul. &#8220;Entre os esfor\u00e7os [nacionais], est\u00e1 a experi\u00eancia brasileira de obrigatoriedade e reten\u00e7\u00e3o de prescri\u00e7\u00e3o para antibi\u00f3ticos em farm\u00e1cias, que contribuiu para a conten\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&#8220;Este \u00e9 um tema priorit\u00e1rio para a sa\u00fade p\u00fablica devido ao crescimento no n\u00famero de bact\u00e9rias resistentes, com comprometimento ou, at\u00e9 mesmo, impossibilidade de cura com os antibi\u00f3ticos existentes, de doen\u00e7as como tuberculose e mal\u00e1ria&#8221;, declarou.<\/p>\n<p><strong>Resist\u00eancia antimicrobiana<\/strong><\/p>\n<p>Desde a descoberta do primeiro antibi\u00f3tico, a penicilina, bact\u00e9rias e medicamentos travam uma disputa em que um busca vencer o outro.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos \u00e9 um processo natural \u2013 as bact\u00e9rias, ao serem atacadas pelos rem\u00e9dios, criam mecanismos de defesa para sobreviver. Os organismos n\u00e3o exterminados por medicamentos s\u00e3o chamados de resistentes e passam o gene da resist\u00eancia \u00e0 sua prole, gerando uma nova linhagem de bact\u00e9rias resistentes.<\/p>\n<p>O uso abusivo de antibi\u00f3ticos contribui para esse processo e, por isso, sua utiliza\u00e7\u00e3o racional \u00e9 importante para controlar a expans\u00e3o de bacterias mais fortes que os medicamentos dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Quando o ritmo de inova\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria farmac\u00eautica na \u00e1rea de antibi\u00f3ticos era alto, a resist\u00eancia n\u00e3o apresentava grandes desafios. Por\u00e9m, nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, o n\u00famero de antibi\u00f3ticos desenvolvidos desacelerou, enquanto as bact\u00e9rias continuaram com suas muta\u00e7\u00f5es naturais e passaram \u00e0 frente nessa corrida.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de novos antibi\u00f3ticos aprovados nos Estados Unidos nos \u00faltimos 30 anos ilustra essa desacelera\u00e7\u00e3o: enquanto na d\u00e9cada de 1980, 30 novos antibi\u00f3ticos foram aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), a Anvisa americana, apenas sete foram registrados entre 2000 e 2009.<\/p>\n<p>&#8220;Ao longo dos anos a ind\u00fastria farmac\u00eautica se desinteressou pelo setor de antibi\u00f3ticos. Os governos est\u00e3o estimulando as empresas a voltar a produzir, principalmente para cobrir esses medicamentos que estamos perdendo&#8221;, afirma Melo.<\/p>\n<p><strong>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><em>Com BBC Brasil\u00a0\/Foto: Google\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p><strong>Leia mais not\u00edcias em\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\"><strong>caririemacao.com<\/strong><\/a><strong>, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/?ref=aymt_homepage_panel\"><strong>Facebook<\/strong><\/a>,<strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cariri_em_acao\/?hl=pt-br\"><strong>Instagram<\/strong><\/a><strong>\u00a0e <\/strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCAptA0jQuYQy8vMhLt2m4qg\"><strong>Youtube<\/strong><\/a><strong>\u00a0e veja nossas mat\u00e9rias, v\u00eddeos e fotos. 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