{"id":35014,"date":"2017-12-14T07:38:45","date_gmt":"2017-12-14T10:38:45","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=35014"},"modified":"2017-12-14T07:38:45","modified_gmt":"2017-12-14T10:38:45","slug":"brasil-tem-maior-concentracao-de-renda-do-mundo-entre-1-mais-rico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2017\/12\/14\/brasil-tem-maior-concentracao-de-renda-do-mundo-entre-1-mais-rico\/","title":{"rendered":"Brasil tem maior concentra\u00e7\u00e3o de renda do mundo entre 1% mais rico"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo-apertura \">\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>Quase 30% da renda do Brasil est\u00e1 nas m\u00e3os de apenas 1% dos habitantes do pa\u00eds, a maior concentra\u00e7\u00e3o do tipo no mundo. \u00c9 o que indica a Pesquisa Desigualdade Mundial 2018, coordenada, entre outros, pelo economista franc\u00eas Thomas Piketty. O grupo, composto por centenas de estudiosos, disponibiliza nesta quinta-feira um\u00a0banco de dados\u00a0que permite comparar a evolu\u00e7\u00e3o da desigualdade de renda no mundo nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"roba_principal\" class=\"envoltorio_publi\">Os dados sobre o Brasil se restringem ao per\u00edodo de 2001 a 2015, e s\u00e3o semelhantes em metodologia e achados aos estudos pioneiros publicados pelos pesquisadores brasileiros Marcelo Medeiros, Pedro Ferreira de Souza e F\u00e1bio Castro a partir de 2014. No caso de Souza, pesquisador do IPEA, o trabalho construiu\u00a0s\u00e9rie hist\u00f3rica sobre a disparidade de renda no Brasil desde 1926. A World Wealth &amp; Income Database (base de dados mundial de riqueza e renda) aponta que o 1% mais rico do Brasil detinha 27,8% da renda do pa\u00eds em 2015, enquanto no estudo do brasileiro, por diferen\u00e7as de metodologia, a cifra \u00e9 23%.<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>Segundo os dados coletados pelo grupo de Piketty, os milion\u00e1rios brasileiros ficaram \u00e0 frente dos milion\u00e1rios do Oriente M\u00e9dio, que aparecem com 26,3% da renda da regi\u00e3o. Na compara\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses, o segundo colocado em concentra\u00e7\u00e3o de renda no 1% mais rico \u00e9 a Turquia, com 21,5% em 2015\u00a0\u2014 no dado de 2016, que poucos pa\u00edses t\u00eam, a concentra\u00e7\u00e3o turca subiu para 23,4%, de acordo com o levantamento.<\/p>\n<p>O Brasil tamb\u00e9m se destaca no recorte dos 10% mais ricos, mas n\u00e3o de forma t\u00e3o intensa quanto se observa na compara\u00e7\u00e3o do 1% mais rico. Os dados mostram o Oriente M\u00e9dio com 61% da renda nas m\u00e3os de seus 10% mais ricos, seguido por Brasil e \u00cdndia, ambos com 55%, e a \u00c1frica Subsaariana, com 54%.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o em que os 10% mais ricos det\u00eam menor fatia da riqueza \u00e9 a Europa, com 37%. O continente europeu \u00e9 tido pelos pesquisadores como exemplo a ser seguido no combate \u00e0 desigualdade, j\u00e1 que a evolu\u00e7\u00e3o das disparidades na regi\u00e3o foi a menor entre as medidas desde 1980. Eles prop\u00f5em, de maneira geral, a implementa\u00e7\u00e3o de\u00a0regimes de tributa\u00e7\u00e3o progressivos\u00a0e o aumento dos impostos sobre heran\u00e7a, al\u00e9m de mais rigidez no controle de evas\u00e3o fiscal.<\/p>\n<p>O grupo de economistas reconhece que existe &#8220;grandes limita\u00e7\u00f5es para nossa capacidade de medir a evolu\u00e7\u00e3o da desigualdade&#8221;. Muitos pa\u00edses n\u00e3o divulgam ou sequer produzem dados detalhados sobre renda ou desigualdade econ\u00f4mica. A pesquisa se baseia, portanto, em m\u00faltiplas fontes, como contas p\u00fablicas, renda familiar, declara\u00e7\u00e3o de imposto de renda, heran\u00e7as, informa\u00e7\u00f5es de pesquisas locais, dados fiscais e rankings de patrim\u00f4nio. O brasileiro Pedro Ferreira de Souza concorda: &#8220;Na minha tese, do ano passado, o Brasil tamb\u00e9m aparece em primeiro na concentra\u00e7\u00e3o de renda no topo, mas n\u00e3o gosto de falar em campe\u00e3o mundial porque h\u00e1 muito ru\u00eddo e incompatibilidade nos dados. Prefiro dizer que est\u00e1 sem d\u00favida entre os piores&#8221;, diz o pesquisador, cujo trabalho se tornar\u00e1 livro no ano que vem por ter recebido o\u00a0Pr\u00eamio Anpocs de Tese em Ci\u00eancias Sociais.<\/p>\n<h3>Investimentos<\/h3>\n<p>Os pesquisadores que trabalham sob a grife de Piketty, que se tornou mundialmente famoso com a\u00a0publica\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas de\u00a0<em>O Capital no S\u00e9culo XXI<\/em>, em 2014, destacam ainda a import\u00e2ncia de investimento p\u00fablico em \u00e1reas como\u00a0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e prote\u00e7\u00e3o ambienta. Mas chamam aten\u00e7\u00e3o para a perda de poder de influ\u00eancia dos governos dos pa\u00edses mais ricos do mundo.<\/p>\n<p>&#8220;Desde os anos 1980, ocorreram grandes transfer\u00eancias de patrim\u00f4nio p\u00fablico para privado em quase todos os pa\u00edses, ricos ou emergentes. Enquanto a riqueza nacional aumentou substancialmente, o patrim\u00f4nio p\u00fablico hoje \u00e9 negativo ou pr\u00f3ximo de zero nos pa\u00edses ricos&#8221;, diz a pesquisa. Segundo os autores, isso obviamente limita a capacidade dos governos de combater a desigualdade.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, o combate \u00e0 desigualdade econ\u00f4mica pode contribuir inclusive para o combate \u00e0 pobreza \u2014 que\u00a0caiu no mundo nos \u00faltimos anos, inclusive no Brasil. &#8220;A pobreza \u00e9 essencialmente uma forma de desigualdade. N\u00e3o acho poss\u00edvel separar as duas&#8221;, diz Marc Morgan Mil\u00e1, respons\u00e1vel pela parte do Brasil na pesquisa. Para ele, a meta deveria ser promover um crescimento mais balanceado, em vez do cen\u00e1rio de livre mercado em que os mais pobres se beneficiam de forma modesta dos ganhos dos mais ricos.<\/p>\n<p><strong>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><em>Com Elpais\/Foto: Google\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p><strong>Leia mais not\u00edcias em\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\"><strong>caririemacao.com<\/strong><\/a><strong>, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/?ref=aymt_homepage_panel\"><strong>Facebook<\/strong><\/a>,<strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cariri_em_acao\/?hl=pt-br\"><strong>Instagram<\/strong><\/a><strong>\u00a0e <\/strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCAptA0jQuYQy8vMhLt2m4qg\"><strong>Youtube<\/strong><\/a><strong>\u00a0e veja nossas mat\u00e9rias, v\u00eddeos e fotos. Voc\u00ea tamb\u00e9m pode enviar informa\u00e7\u00f5es \u00e0 Reda\u00e7\u00e3o do Portal Cariri em A\u00e7\u00e3o pelo WhatsApp (83) 9 9634.5791, (83) 9 9601-1162.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase 30% da renda do Brasil est\u00e1 nas m\u00e3os de apenas 1% dos habitantes do pa\u00eds, a maior concentra\u00e7\u00e3o do tipo no mundo. \u00c9 o que indica a Pesquisa Desigualdade Mundial 2018, coordenada, entre outros, pelo economista franc\u00eas Thomas Piketty. O grupo, composto por centenas de estudiosos, disponibiliza nesta quinta-feira um\u00a0banco de dados\u00a0que permite comparar a evolu\u00e7\u00e3o da desigualdade de renda no mundo nos \u00faltimos anos. Os dados sobre o Brasil se restringem ao per\u00edodo de 2001 a 2015, e s\u00e3o semelhantes em metodologia e achados aos estudos pioneiros publicados pelos pesquisadores brasileiros Marcelo Medeiros, Pedro Ferreira de Souza e F\u00e1bio Castro a partir de 2014. No caso de Souza, pesquisador do IPEA, o trabalho construiu\u00a0s\u00e9rie hist\u00f3rica sobre a disparidade de renda no Brasil desde 1926. A World Wealth &amp; Income Database (base de dados mundial de riqueza e renda) aponta que o 1% mais rico do Brasil detinha 27,8% da renda do pa\u00eds em 2015, enquanto no estudo do brasileiro, por diferen\u00e7as de metodologia, a cifra \u00e9 23%. Segundo os dados coletados pelo grupo de Piketty, os milion\u00e1rios brasileiros ficaram \u00e0 frente dos milion\u00e1rios do Oriente M\u00e9dio, que aparecem com 26,3% da renda da regi\u00e3o. Na compara\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses, o segundo colocado em concentra\u00e7\u00e3o de renda no 1% mais rico \u00e9 a Turquia, com 21,5% em 2015\u00a0\u2014 no dado de 2016, que poucos pa\u00edses t\u00eam, a concentra\u00e7\u00e3o turca subiu para 23,4%, de acordo com o levantamento. O Brasil tamb\u00e9m se destaca no recorte dos 10% mais ricos, mas n\u00e3o de forma t\u00e3o intensa quanto se observa na compara\u00e7\u00e3o do 1% mais rico. Os dados mostram o Oriente M\u00e9dio com 61% da renda nas m\u00e3os de seus 10% mais ricos, seguido por Brasil e \u00cdndia, ambos com 55%, e a \u00c1frica Subsaariana, com 54%. A regi\u00e3o em que os 10% mais ricos det\u00eam menor fatia da riqueza \u00e9 a Europa, com 37%. O continente europeu \u00e9 tido pelos pesquisadores como exemplo a ser seguido no combate \u00e0 desigualdade, j\u00e1 que a evolu\u00e7\u00e3o das disparidades na regi\u00e3o foi a menor entre as medidas desde 1980. Eles prop\u00f5em, de maneira geral, a implementa\u00e7\u00e3o de\u00a0regimes de tributa\u00e7\u00e3o progressivos\u00a0e o aumento dos impostos sobre heran\u00e7a, al\u00e9m de mais rigidez no controle de evas\u00e3o fiscal. O grupo de economistas reconhece que existe &#8220;grandes limita\u00e7\u00f5es para nossa capacidade de medir a evolu\u00e7\u00e3o da desigualdade&#8221;. Muitos pa\u00edses n\u00e3o divulgam ou sequer produzem dados detalhados sobre renda ou desigualdade econ\u00f4mica. A pesquisa se baseia, portanto, em m\u00faltiplas fontes, como contas p\u00fablicas, renda familiar, declara\u00e7\u00e3o de imposto de renda, heran\u00e7as, informa\u00e7\u00f5es de pesquisas locais, dados fiscais e rankings de patrim\u00f4nio. O brasileiro Pedro Ferreira de Souza concorda: &#8220;Na minha tese, do ano passado, o Brasil tamb\u00e9m aparece em primeiro na concentra\u00e7\u00e3o de renda no topo, mas n\u00e3o gosto de falar em campe\u00e3o mundial porque h\u00e1 muito ru\u00eddo e incompatibilidade nos dados. Prefiro dizer que est\u00e1 sem d\u00favida entre os piores&#8221;, diz o pesquisador, cujo trabalho se tornar\u00e1 livro no ano que vem por ter recebido o\u00a0Pr\u00eamio Anpocs de Tese em Ci\u00eancias Sociais. Investimentos Os pesquisadores que trabalham sob a grife de Piketty, que se tornou mundialmente famoso com a\u00a0publica\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas de\u00a0O Capital no S\u00e9culo XXI, em 2014, destacam ainda a import\u00e2ncia de investimento p\u00fablico em \u00e1reas como\u00a0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e prote\u00e7\u00e3o ambienta. Mas chamam aten\u00e7\u00e3o para a perda de poder de influ\u00eancia dos governos dos pa\u00edses mais ricos do mundo. &#8220;Desde os anos 1980, ocorreram grandes transfer\u00eancias de patrim\u00f4nio p\u00fablico para privado em quase todos os pa\u00edses, ricos ou emergentes. Enquanto a riqueza nacional aumentou substancialmente, o patrim\u00f4nio p\u00fablico hoje \u00e9 negativo ou pr\u00f3ximo de zero nos pa\u00edses ricos&#8221;, diz a pesquisa. Segundo os autores, isso obviamente limita a capacidade dos governos de combater a desigualdade. Para os pesquisadores, o combate \u00e0 desigualdade econ\u00f4mica pode contribuir inclusive para o combate \u00e0 pobreza \u2014 que\u00a0caiu no mundo nos \u00faltimos anos, inclusive no Brasil. &#8220;A pobreza \u00e9 essencialmente uma forma de desigualdade. N\u00e3o acho poss\u00edvel separar as duas&#8221;, diz Marc Morgan Mil\u00e1, respons\u00e1vel pela parte do Brasil na pesquisa. Para ele, a meta deveria ser promover um crescimento mais balanceado, em vez do cen\u00e1rio de livre mercado em que os mais pobres se beneficiam de forma modesta dos ganhos dos mais ricos. CARIRI EM A\u00c7\u00c3O Com Elpais\/Foto: Google\u00a0\u00a0 Leia mais not\u00edcias em\u00a0caririemacao.com, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0Facebook,\u00a0Instagram\u00a0e Youtube\u00a0e veja nossas mat\u00e9rias, v\u00eddeos e fotos. 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