{"id":36385,"date":"2018-01-05T09:44:10","date_gmt":"2018-01-05T12:44:10","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=36385"},"modified":"2018-01-05T09:44:10","modified_gmt":"2018-01-05T12:44:10","slug":"trump-tenta-impedir-a-publicacao-de-um-retrato-devastador-de-sua-casa-branca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2018\/01\/05\/trump-tenta-impedir-a-publicacao-de-um-retrato-devastador-de-sua-casa-branca\/","title":{"rendered":"Trump tenta impedir a publica\u00e7\u00e3o de um retrato devastador de sua Casa Branca"},"content":{"rendered":"<p>Donald Trump\u00a0nunca acreditou que ganharia as elei\u00e7\u00f5es. E quando o fez, ficou gelado como um fantasma. Um estupor ao qual, uma vez investido presidente, pareceu continuar preso: n\u00e3o processava as informa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o lia e nem sequer folheava os relat\u00f3rios. Ele era um \u201cmenino grande\u201d que dava broncas no servi\u00e7o de limpeza por ter trocado sua escova de dentes e ficava paralisado diante de assuntos complexos. A incendi\u00e1ria descri\u00e7\u00e3o est\u00e1 em um livro prestes a ser publicado, cujos detalhes de caos e infantilismo na Casa Branca desencadearam uma tempestade espetacular. Trump nega furiosamente seu conte\u00fado, mas ressurgiu ao mundo a imagem de um presidente ca\u00f3tico e buf\u00e3o que governa por impulsos.<\/p>\n<p>A bomba se chama\u00a0<em>Fogo e F\u00faria: Dentro da Casa Branca de Trump<\/em>, do pol\u00eamico Michael Wolff, um jornalista de 64 anos que escreveu para\u00a0<em>Vanity Fair<\/em>,\u00a0<em>The Guardian<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Hollywood Reporter<\/em>. Seu trabalho foi questionado mais de uma vez por sua suposta tend\u00eancia ao exagero. Neste caso, embora alguns dos altos funcion\u00e1rios tenham se apressado em desmentir o publicado, ningu\u00e9m nega que ele teve uma proximidade excepcional com a Casa Branca. Foi trazido pelo ex-estrategista-chefe,\u00a0Steve Bannon, e durante 18 meses obteve 200 depoimentos de pessoas pr\u00f3ximas ao presidente, e inclusive se encontrou, embora brevemente, com Trump, um personagem que j\u00e1 havia entrevistado para a\u00a0<em>Hollywood Reporter<\/em>\u00a0e ao qual solicitou diretamente autoriza\u00e7\u00e3o para o livro.<\/p>\n<p>Com essa bagagem, o livro se tornou veneno puro para a Casa Branca. H\u00e1 cita\u00e7\u00f5es ferinas por toda parte e personalidades do c\u00edrculo \u00edntimo de Trump, como o pr\u00f3prio Bannon ou a ex-chefe de gabinete, Katie Walsh, que revelam pormenores vergonhosos da vida no Sal\u00e3o Oval. Sua carga explosiva \u00e9 tal que bastou a divulga\u00e7\u00e3o de alguns trechos para colocar a Casa Branca no modo de combate. Os advogados do presidente tentaram impedir o lan\u00e7amento do livro, previsto para a pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira, e solicitaram por carta \u00e0 editora, a poderosa Henry Holt &amp; Company, que desista sob a amea\u00e7a de denunci\u00e1-la por difama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse vendaval, o pr\u00f3prio Wolff escreveu um longo artigo explicando a g\u00eanese e defendendo o conte\u00fado do livro. Seu relato, embora \u00e0s vezes n\u00e3o esclare\u00e7a a fonte da informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 um retrato devastador da presid\u00eancia. Um Governo consumido por lutas internas, sem prioridades claras e dominado, de acordo com o livro, por uma personalidade extravagante e caprichosa que encontra nos instintos seu melhor conselheiro.<\/p>\n<p><strong>A vit\u00f3ria (inesperada)<\/strong><\/p>\n<p>Melania chorava e Trump, de acordo com o depoimento de seu filho mais velho, ficou gelado como um fantasma. Tinha acabado de saber. Era o pr\u00f3ximo presidente dos Estados Unidos. N\u00e3o acreditava. N\u00e3o esperava. At\u00e9 o \u00faltimo dia dava sua derrota como certa. Naquele 8 de novembro, de fato, sua equipe tinha se reunido satisfeita nos quart\u00e9is-generais porque considerava que perderiam por menos de 6 pontos. E o pr\u00f3prio Trump, nos dias anteriores, havia manifestado a um amigo, o presidente da rede Fox, Roger Ailes, sua convic\u00e7\u00e3o de que ter chegado at\u00e9 ali j\u00e1 era uma vit\u00f3ria que lhe abria as portas da fama, mesmo que lhe fechasse as da Casa Branca. Mas tudo mudou naquela noite. Perplexo, seu assessor de campanha Steve Bannon o viu se transformar. Primeiro c\u00e9tico, depois horrorizado e finalmente iluminado: \u201cDonald Trump se tornou o homem que ele achava que merecia ser e era perfeitamente capaz de ser, presidente dos Estados Unidos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Irrita\u00e7\u00e3o na cerim\u00f4nia\u00a0<\/strong><strong>de posse<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o foi o dia mais feliz da vida de Donald Trump. O livro sustenta que ele estava aborrecido com o boicote das celebridades e desgostoso por ter de dormir nas depend\u00eancias de h\u00f3spedes da Casa Branca em vez de no Hotel Trump. A esposa Melania foi v\u00edtima de seu mau humor e estava \u00e0 beira das l\u00e1grimas.<\/p>\n<p><strong>Primeiros dias e fobias<\/strong><\/p>\n<p>Trump n\u00e3o gostou da Casa Branca e desde o in\u00edcio se refugiou em seu quarto, um c\u00f4modo separado do de Melania. Foi a primeira vez desde Kennedy que um casal presidencial n\u00e3o dormiu no mesmo quarto. Imediatamente ele pediu mais dois televisores e uma fechadura para a porta, algo que a equipe de seguran\u00e7a desaconselhou. J\u00e1 instalado, n\u00e3o demorou em dar uma bronca no servi\u00e7o de limpeza por ter retirado suas camisas do ch\u00e3o. \u201cSe a minha camisa est\u00e1 no ch\u00e3o \u00e9 porque quero que esteja no ch\u00e3o\u201d, disse. E rapidamente imp\u00f4s novas regras: ele abriria a cama e decidiria quando queria que os len\u00e7\u00f3is fossem trocados, e ningu\u00e9m podia tocar em nada em seu quarto, especialmente em sua escova de dentes. Isto era um reflexo do seu antigo medo de um envenenamento.<\/p>\n<p><strong>A guerra interna permanente<\/strong><\/p>\n<p>Nos primeiros meses, ningu\u00e9m dominou a Casa Branca e seus colaboradores mais pr\u00f3ximos se odiavam. Tr\u00eas deles competiam e despachavam diretamente com o presidente. O chefe de gabinete, Reince Priebus; o estrategista-chefe, Steve Bannon, e\u00a0o genro, Jared Kushner. Os dois primeiros eram especialmente desprezados por Trump. Um dia chegou a comentar em voz alta os defeitos de seu c\u00edrculo \u00edntimo: \u201cBannon era desleal (sem mencionar que se vestia como uma merda); Priebus, um fraco (sem mencionar que era baixinho, um an\u00e3o); Kushner, um adulador\u201d, indica o livro.<\/p>\n<p><strong>A escolha de altos cargos e o nepotismo<\/strong><\/p>\n<p>Trump n\u00e3o sabia quem escolher para os principais cargos. E suas manias n\u00e3o o ajudavam. Quando recomendaram o diplomata John Bolton como assessor de Seguran\u00e7a Nacional, rejeitou-o por causa do bigode. \u201c\u00c9 um problema. Para Trump, ele n\u00e3o pode fazer parte da equipe com esse bigode\u201d, disse Bannon.<\/p>\n<p>Tampouco melhorou seu crit\u00e9rio para a sele\u00e7\u00e3o do chefe de gabinete, um posto de enorme poder e que faz as vezes de primeiro-ministro. O primeiro impulso do presidente foi escolher o genro, sem experi\u00eancia pol\u00edtica alguma e cujo principal valor era ser marido de sua filha Ivanka.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o importava para Trump. Expressou seu desejo e ningu\u00e9m se atreveu a rejeit\u00e1-lo. Foi algu\u00e9m de fora quem deu a voz de alerta. A colunista conservadora Ann Coulter disse reservadamente ao presidente: \u201cNingu\u00e9m est\u00e1 lhe dizendo, mas voc\u00ea n\u00e3o pode. Voc\u00ea simplesmente n\u00e3o pode contratar os seus filhos\u201d. O sucesso de Coulter foi apenas parcial.<\/p>\n<p><strong>Ivanka, presidenta<\/strong><\/p>\n<p>O poder de Ivanka e do marido, Jared Kushner, \u00e9 imenso na Casa Branca. Nos primeiros meses, era igual ao do ent\u00e3o chefe de gabinete, Reince Priebus. Tinham contato direto com o presidente e, apesar das advert\u00eancias, tinham conseguido ser contratados como assessores. \u201cIvanka havia ajudado o pai n\u00e3o s\u00f3 em assuntos de neg\u00f3cios, mas tamb\u00e9m em assuntos conjugais. Foi algo transacional\u201d, descreve o livro.<\/p>\n<p>A partir dessa proximidade, tratava o pai com desapego, ria dele e inclusive fazia brincadeiras sobre seu penteado. Enquanto o resto do gabinete se calava, ela lembrava que essa composi\u00e7\u00e3o capilar era uma maneira de cobrir uma superf\u00edcie central absolutamente lisa, por meio do artif\u00edcio de pentear os cabelos dos lados para o centro e depois para tr\u00e1s. Apesar das piadas, n\u00e3o escapou de ningu\u00e9m que ela era a\u00a0<em>imperatriz<\/em>\u00a0e que aspirava a ser a primeira presidenta dos EUA. \u201c[Ivanka e Kushner] haviam chegado a um acordo s\u00e9rio: se, em algum momento no futuro, a oportunidade se apresentasse, ela seria candidata \u00e0 presid\u00eancia. A primeira mulher presidenta \u2014 se emocionava Ivanka\u00a0\u2014 n\u00e3o seria\u00a0Hillary Clinton, mas Ivanka Trump\u201d<\/p>\n<p><strong>A incompet\u00eancia de Trump<\/strong><\/p>\n<p>O presidente n\u00e3o se destacava pelo conhecimento ou pelo sangue-frio. O vice-chefe de gabinete Walsh o descreve no livro como \u201cuma crian\u00e7a cujos desejos deviam ser adivinhados\u201d. Incapaz de se disciplinar, n\u00e3o sabia colocar ordem ou estabelecer prioridades na Casa Branca. \u201cDiga-me tr\u00eas coisas sobre as quais o presidente quer se concentrar. Quais s\u00e3o as tr\u00eas prioridades?\u201d, chegou a perguntar Walsh a Kushner alguns dias antes de deixar o cargo, em mar\u00e7o. Sua exaspera\u00e7\u00e3o tinha, segundo Wolff, um motivo. O presidente n\u00e3o avan\u00e7ava. O livro explica o porqu\u00ea: \u201cN\u00e3o processava as informa\u00e7\u00f5es em um sentido convencional. N\u00e3o lia nada. Nem sequer folheava. Para muitos, n\u00e3o era mais do que um semianalfabeto. Confiava em sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, mesmo que fosse irrelevante, mais do que em qualquer outra pessoa. Muitas vezes se mostrava confiante, mas igualmente paralisado, preso \u00e0s suas perigosas inseguran\u00e7as. Respondia instintivamente, arremetendo e agindo de acordo com suas tripas\u201d.<\/p>\n<p><strong>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><em>Com El Pa\u00eds \/Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o google\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia mais not\u00edcias em\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\"><strong>caririemacao.com<\/strong><\/a><strong>, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/?ref=aymt_homepage_panel\"><strong>Facebook<\/strong><\/a>,<strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cariri_em_acao\/?hl=pt-br\"><strong>Instagram<\/strong><\/a><strong>\u00a0e <\/strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCAptA0jQuYQy8vMhLt2m4qg\"><strong>Youtube<\/strong><\/a><strong>\u00a0e veja nossas mat\u00e9rias, v\u00eddeos e fotos. 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