{"id":36508,"date":"2018-01-07T13:05:18","date_gmt":"2018-01-07T16:05:18","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=36508"},"modified":"2018-01-07T13:05:18","modified_gmt":"2018-01-07T16:05:18","slug":"conheca-a-sindrome-que-pode-causar-cancer-hereditario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2018\/01\/07\/conheca-a-sindrome-que-pode-causar-cancer-hereditario\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a a s\u00edndrome que pode causar c\u00e2ncer heredit\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Sempre suspeitei que o c\u00e2ncer de c\u00f3lon que matou meu pai, aos 50 anos, era de origem heredit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Minha av\u00f3, m\u00e3e dele, tamb\u00e9m tinha morrido de c\u00e2ncer com uma idade parecida. Eu tinha nove anos na \u00e9poca e me recordo claramente da \u00faltima coisa que ela me falou: &#8220;Ah, n\u00e3o vou ver voc\u00ea crescer&#8221;.<\/p>\n<p>Quando meu pai foi diagnosticado com a doen\u00e7a no in\u00edcio dos anos 1980, aos 42 anos, pensei que todos n\u00f3s est\u00e1vamos condenados a padecer do mesmo mal.<\/p>\n<p>Fizemos de tudo para salv\u00e1-lo. A princ\u00edpio, o c\u00e2ncer foi controlado, mas voltou anos mais tarde. E, apesar da quimioterapia e de todos os outros tratamentos, ele sucumbiu \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Lembro que ele me disse um pouco antes de morrer: &#8220;Achei que conheceria meus netos&#8221;. E as palavras da minha av\u00f3 tamb\u00e9m ecoaram em meus ouvidos.<\/p>\n<p>O c\u00e2ncer \u00e0 espreita<br \/>\nDesde ent\u00e3o, existe uma campanha permanente da minha m\u00e3e para que n\u00f3s, seus filhos, fa\u00e7amos exames de colonoscopia peri\u00f3dicos com o objetivo de detectar a tempo poss\u00edveis p\u00f3lipos malignos.<\/p>\n<p>Quando, h\u00e1 pouco mais de um ano, minha irm\u00e3 mais nova encontrou um tumor, tamb\u00e9m no c\u00f3lon, senti pena dela.<\/p>\n<p>Minha pobre irm\u00e3, que j\u00e1 teve sua cota de acontecimentos ruins na vida, agora tamb\u00e9m tinha que conviver com as consequ\u00eancias desse diagn\u00f3stico. E comecei a me preocupar: &#8220;Quando vai chegar minha vez?&#8221;.<\/p>\n<p>Por sorte, o c\u00e2ncer dela foi detectado a tempo &#8211; e a doen\u00e7a parece estar sob controle.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m disso, ela fez um exame e descobriu que tem uma condi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica rara: a S\u00edndrome de Lynch.<\/p>\n<p>Muta\u00e7\u00e3o rara<br \/>\nO m\u00e9dico Francesc Balaguer, um dos principais especialistas no assunto na Espanha, diz que a s\u00edndrome \u00e9 uma predisposi\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria a uma s\u00e9rie de tipos de c\u00e2ncer, mas especialmente de c\u00f3lon, do endom\u00e9trio e do \u00fatero.<\/p>\n<p>&#8220;Heredit\u00e1ria no sentido de que a pessoa nasce com altera\u00e7\u00f5es nos chamados genes reparadores do DNA, o que leva ao desenvolvimento de tumores&#8221;, explica Balaguer.<\/p>\n<p>Sue Green, da organiza\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica de combate ao c\u00e2ncer MacMillan Cancer Support, diz que essa s\u00edndrome \u00e9 a principal causa do c\u00e2ncer de c\u00f3lon heredit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Quem sofre desse mal tem 80% de chance de desenvolver c\u00e2ncer de c\u00f3lon, em compara\u00e7\u00e3o com 2% da popula\u00e7\u00e3o em geral. E uma probabilidade de 70% de ter c\u00e2ncer de \u00fatero, segundo a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Balaguer destaca tamb\u00e9m a propens\u00e3o a outros tipos de tumores &#8211; nos ov\u00e1rios, no est\u00f4mago, no p\u00e2ncreas e nos sistemas urin\u00e1rio e biliar -, mas estes s\u00e3o bem menos frequentes.<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas \u00e9 que o c\u00e2ncer surge precocemente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia de idade de outros pacientes: aos 40-50 anos entre os que sofrem da S\u00edndrome de Lynch.<\/p>\n<p>&#8220;Ou seja, se um c\u00e2ncer de c\u00f3lon \u00e9 descoberto em algu\u00e9m mais jovem do que de costume, sempre devemos suspeitar que esse mal pode estar por tr\u00e1s&#8221;, afirma Balaguer.<\/p>\n<p>Estima-se que entre 2% e 3% dos casos de c\u00e2ncer de c\u00f3lon estejam ligados \u00e0 s\u00edndrome e, &#8220;levando em conta que esse tipo de tumor \u00e9 mais frequente em pa\u00edses em desenvolvimento, os n\u00fameros absolutos s\u00e3o consider\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n<p>Quando acontecer\u00e1 comigo?<br \/>\nEu nunca tinha ouvido falar dessa s\u00edndrome. Comecei a investig\u00e1-la e descobri outros casos no Reino Unido, onde moro.<\/p>\n<p>O mais famoso foi o do jovem Stephen Sutton, que morreu aos 19 anos. Ele tinha um blog que ficou muito conhecido em seus \u00faltimos dias e arrecadou fundos para v\u00edtimas de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Sutton n\u00e3o foi diagnosticado a tempo, porque os m\u00e9dicos n\u00e3o suspeitaram que algu\u00e9m t\u00e3o jovem poderia ter c\u00e2ncer de c\u00f3lon.<\/p>\n<p>Segundo Balaguer, &#8220;o subdiagn\u00f3stico \u00e9 um dos principais problemas enfrentados com a S\u00edndrome de Lynch&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Existe um exame relativamente simples, que analisa as prote\u00ednas presentes no tumor, para identificar a s\u00edndrome em pacientes pertinentes, mas, lamentavelmente, muitas vezes ele n\u00e3o \u00e9 feito, o que leva a muitas mortes por c\u00e2ncer que poderiam ser evitadas.&#8221;<\/p>\n<p>Com a informa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica em m\u00e3os, me consultei com um m\u00e9dico, que me pediu para fazer um exame gen\u00e9tico. A especialista que me atendeu no Guy&#8217;s and St Thomas&#8217; Hospital, em Londres, me explicou do que se tratava a doen\u00e7a e quais seriam minhas op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se fosse portadora da s\u00edndrome, deveria me submeter a colonoscopias a cada dois anos pelo menos e teria a op\u00e7\u00e3o de retirar meu \u00fatero e ov\u00e1rios, al\u00e9m de passar por um procedimento que mata uma bact\u00e9ria associada ao c\u00e2ncer de est\u00f4mago.<\/p>\n<p>Esperei pelo diagn\u00f3stico por v\u00e1rias semanas com a convic\u00e7\u00e3o de que tinha a altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e me preparando para tomar decis\u00f5es muitos dif\u00edceis.<\/p>\n<p>Por sorte, deu negativo. A rea\u00e7\u00e3o foi de al\u00edvio, \u00e9 claro, mas tamb\u00e9m de tristeza pela minha irm\u00e3 e de preocupa\u00e7\u00e3o com meus outros irm\u00e3os que ainda precisam fazer o exame.<\/p>\n<p>E, com isso, desenvolvi uma consci\u00eancia maior sobre um problema que, se diagnosticado a tempo, pode ser a chave para salvar muitas vidas.<\/p>\n<p><strong>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><em>Com BBC \/Foto:<\/em><em> Divulga\u00e7\u00e3o \u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia mais not\u00edcias em\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\"><strong>caririemacao.com<\/strong><\/a><strong>, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/?ref=aymt_homepage_panel\"><strong>Facebook<\/strong><\/a>,<strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cariri_em_acao\/?hl=pt-br\"><strong>Instagram<\/strong><\/a><strong>\u00a0e <\/strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCAptA0jQuYQy8vMhLt2m4qg\"><strong>Youtube<\/strong><\/a><strong>\u00a0e veja nossas mat\u00e9rias, v\u00eddeos e fotos. Voc\u00ea tamb\u00e9m pode enviar informa\u00e7\u00f5es \u00e0 Reda\u00e7\u00e3o do Portal Cariri em A\u00e7\u00e3o pelo WhatsApp (83) 9 9634.5791, (83) 9 9601-1162.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre suspeitei que o c\u00e2ncer de c\u00f3lon que matou meu pai, aos 50 anos, era de origem heredit\u00e1ria. Minha av\u00f3, m\u00e3e dele, tamb\u00e9m tinha morrido de c\u00e2ncer com uma idade parecida. Eu tinha nove anos na \u00e9poca e me recordo claramente da \u00faltima coisa que ela me falou: &#8220;Ah, n\u00e3o vou ver voc\u00ea crescer&#8221;. Quando meu pai foi diagnosticado com a doen\u00e7a no in\u00edcio dos anos 1980, aos 42 anos, pensei que todos n\u00f3s est\u00e1vamos condenados a padecer do mesmo mal. Fizemos de tudo para salv\u00e1-lo. A princ\u00edpio, o c\u00e2ncer foi controlado, mas voltou anos mais tarde. E, apesar da quimioterapia e de todos os outros tratamentos, ele sucumbiu \u00e0 doen\u00e7a. Lembro que ele me disse um pouco antes de morrer: &#8220;Achei que conheceria meus netos&#8221;. E as palavras da minha av\u00f3 tamb\u00e9m ecoaram em meus ouvidos. O c\u00e2ncer \u00e0 espreita Desde ent\u00e3o, existe uma campanha permanente da minha m\u00e3e para que n\u00f3s, seus filhos, fa\u00e7amos exames de colonoscopia peri\u00f3dicos com o objetivo de detectar a tempo poss\u00edveis p\u00f3lipos malignos. Quando, h\u00e1 pouco mais de um ano, minha irm\u00e3 mais nova encontrou um tumor, tamb\u00e9m no c\u00f3lon, senti pena dela. Minha pobre irm\u00e3, que j\u00e1 teve sua cota de acontecimentos ruins na vida, agora tamb\u00e9m tinha que conviver com as consequ\u00eancias desse diagn\u00f3stico. E comecei a me preocupar: &#8220;Quando vai chegar minha vez?&#8221;. Por sorte, o c\u00e2ncer dela foi detectado a tempo &#8211; e a doen\u00e7a parece estar sob controle. Mas, al\u00e9m disso, ela fez um exame e descobriu que tem uma condi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica rara: a S\u00edndrome de Lynch. Muta\u00e7\u00e3o rara O m\u00e9dico Francesc Balaguer, um dos principais especialistas no assunto na Espanha, diz que a s\u00edndrome \u00e9 uma predisposi\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria a uma s\u00e9rie de tipos de c\u00e2ncer, mas especialmente de c\u00f3lon, do endom\u00e9trio e do \u00fatero. &#8220;Heredit\u00e1ria no sentido de que a pessoa nasce com altera\u00e7\u00f5es nos chamados genes reparadores do DNA, o que leva ao desenvolvimento de tumores&#8221;, explica Balaguer. Sue Green, da organiza\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica de combate ao c\u00e2ncer MacMillan Cancer Support, diz que essa s\u00edndrome \u00e9 a principal causa do c\u00e2ncer de c\u00f3lon heredit\u00e1rio. Quem sofre desse mal tem 80% de chance de desenvolver c\u00e2ncer de c\u00f3lon, em compara\u00e7\u00e3o com 2% da popula\u00e7\u00e3o em geral. E uma probabilidade de 70% de ter c\u00e2ncer de \u00fatero, segundo a organiza\u00e7\u00e3o. Balaguer destaca tamb\u00e9m a propens\u00e3o a outros tipos de tumores &#8211; nos ov\u00e1rios, no est\u00f4mago, no p\u00e2ncreas e nos sistemas urin\u00e1rio e biliar -, mas estes s\u00e3o bem menos frequentes. Uma das caracter\u00edsticas \u00e9 que o c\u00e2ncer surge precocemente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia de idade de outros pacientes: aos 40-50 anos entre os que sofrem da S\u00edndrome de Lynch. &#8220;Ou seja, se um c\u00e2ncer de c\u00f3lon \u00e9 descoberto em algu\u00e9m mais jovem do que de costume, sempre devemos suspeitar que esse mal pode estar por tr\u00e1s&#8221;, afirma Balaguer. Estima-se que entre 2% e 3% dos casos de c\u00e2ncer de c\u00f3lon estejam ligados \u00e0 s\u00edndrome e, &#8220;levando em conta que esse tipo de tumor \u00e9 mais frequente em pa\u00edses em desenvolvimento, os n\u00fameros absolutos s\u00e3o consider\u00e1veis&#8221;. Quando acontecer\u00e1 comigo? Eu nunca tinha ouvido falar dessa s\u00edndrome. Comecei a investig\u00e1-la e descobri outros casos no Reino Unido, onde moro. O mais famoso foi o do jovem Stephen Sutton, que morreu aos 19 anos. Ele tinha um blog que ficou muito conhecido em seus \u00faltimos dias e arrecadou fundos para v\u00edtimas de c\u00e2ncer. Sutton n\u00e3o foi diagnosticado a tempo, porque os m\u00e9dicos n\u00e3o suspeitaram que algu\u00e9m t\u00e3o jovem poderia ter c\u00e2ncer de c\u00f3lon. Segundo Balaguer, &#8220;o subdiagn\u00f3stico \u00e9 um dos principais problemas enfrentados com a S\u00edndrome de Lynch&#8221;. &#8220;Existe um exame relativamente simples, que analisa as prote\u00ednas presentes no tumor, para identificar a s\u00edndrome em pacientes pertinentes, mas, lamentavelmente, muitas vezes ele n\u00e3o \u00e9 feito, o que leva a muitas mortes por c\u00e2ncer que poderiam ser evitadas.&#8221; Com a informa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica em m\u00e3os, me consultei com um m\u00e9dico, que me pediu para fazer um exame gen\u00e9tico. A especialista que me atendeu no Guy&#8217;s and St Thomas&#8217; Hospital, em Londres, me explicou do que se tratava a doen\u00e7a e quais seriam minhas op\u00e7\u00f5es. Se fosse portadora da s\u00edndrome, deveria me submeter a colonoscopias a cada dois anos pelo menos e teria a op\u00e7\u00e3o de retirar meu \u00fatero e ov\u00e1rios, al\u00e9m de passar por um procedimento que mata uma bact\u00e9ria associada ao c\u00e2ncer de est\u00f4mago. Esperei pelo diagn\u00f3stico por v\u00e1rias semanas com a convic\u00e7\u00e3o de que tinha a altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e me preparando para tomar decis\u00f5es muitos dif\u00edceis. Por sorte, deu negativo. A rea\u00e7\u00e3o foi de al\u00edvio, \u00e9 claro, mas tamb\u00e9m de tristeza pela minha irm\u00e3 e de preocupa\u00e7\u00e3o com meus outros irm\u00e3os que ainda precisam fazer o exame. E, com isso, desenvolvi uma consci\u00eancia maior sobre um problema que, se diagnosticado a tempo, pode ser a chave para salvar muitas vidas. CARIRI EM A\u00c7\u00c3O Com BBC \/Foto: Divulga\u00e7\u00e3o \u00a0 Leia mais not\u00edcias em\u00a0caririemacao.com, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0Facebook,\u00a0Instagram\u00a0e Youtube\u00a0e veja nossas mat\u00e9rias, v\u00eddeos e fotos. 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