{"id":40198,"date":"2018-02-07T12:32:44","date_gmt":"2018-02-07T15:32:44","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=40198"},"modified":"2018-02-07T12:32:44","modified_gmt":"2018-02-07T15:32:44","slug":"sem-dinheiro-e-tecnologia-bancaria-venezuelanos-adotam-a-economia-da-confianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2018\/02\/07\/sem-dinheiro-e-tecnologia-bancaria-venezuelanos-adotam-a-economia-da-confianca\/","title":{"rendered":"Sem dinheiro e tecnologia banc\u00e1ria, venezuelanos adotam a economia da confian\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Teresa De Vincenzo \u00e9 uma emigrante venezuelana que esteve recentemente visitando Caracas. Na segunda-feira, 29 de janeiro, ela saiu de uma cl\u00ednica e procurou um t\u00e1xi para transportar seu pai at\u00e9 o apartamento da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o tinha dinheiro em esp\u00e9cie, nem o teve durante a viagem devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es que os venezuelanos passam para obter dinheiro. Isso dificultou a chance de conseguir algu\u00e9m que os levasse para casa naquele dia. Os t\u00e1xis da Venezuela n\u00e3o t\u00eam equipamento de pagamento com cart\u00e3o de cr\u00e9dito ou de d\u00e9bito, e s\u00f3 existe um aplicativo para celular que permite essa op\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<p>Alexander Quintero aceitou prestar o servi\u00e7o a contragosto, em troca da oferta, quase desesperada, de Teresa de pagar por meio de uma transfer\u00eancia banc\u00e1ria que faria quando chegasse ao destino.<\/p>\n<p><cite>O mais bonito foi quando, antes de sairmos do carro, ele me olhou de maneira profunda e curiosa, tentando se tranquilizar de que eu era algu\u00e9m em quem podia confiar. E me disse: &#8216;Senhora, lembre que n\u00e3o a conhe\u00e7o. S\u00f3 tenho sua palavra&#8217;.<\/cite><\/p>\n<p>Com esse compromisso, assim que chegou em casa Teresa acessou sua conta banc\u00e1ria e transferiu para o motorista os 60 mil bol\u00edvares (cerca de R$ 19) que custou o servi\u00e7o e fez uma foto da tela do comprovante de pagamento, para envi\u00e1-la pelo WhatsApp.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma cena cotidiana e recorrente, h\u00e1 mais de um ano, entre os venezuelanos que t\u00eam contas banc\u00e1rias. Os registros em suas contas das pessoas que v\u00e3o receber remessas s\u00e3o &#8220;taxista; farinha; homem do queijo; mercearia; barbearia&#8221;.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o de fazer transfer\u00eancias de dinheiro pela internet ap\u00f3s se beneficiar de um produto ou servi\u00e7o \u00e9 cada vez mais comum. As causas s\u00e3o complexas e variadas: poucas notas em circula\u00e7\u00e3o, falhas nos pontos de venda por falta de investimento na plataforma, falta de reposi\u00e7\u00e3o desses equipamentos porque os bancos n\u00e3o t\u00eam acesso a divisas, conex\u00e3o prec\u00e1ria com a internet e frequentes cortes de eletricidade, especialmente no interior do pa\u00eds.<\/p>\n<p><cite>\u00c9 preciso acreditar nos clientes que s\u00e3o boas pessoas. Isso se v\u00ea na cara, e por isso abrimos exce\u00e7\u00e3o e permitimos que paguem com transfer\u00eancias<\/cite><\/p>\n<p><strong>Adalberto Petuz, gerente de um quiosque h\u00e1 15 anos em Chacao, no leste de Caracas<\/strong><\/p>\n<p>Petuz n\u00e3o teve alternativa para manter seu neg\u00f3cio aberto. Desde novembro de 2017 implementou essas formas de pagamento para vender doces, guloseimas, bebidas e cart\u00f5es telef\u00f4nicos. Na porta de sua pequena loja se destaca uma mensagem na qual informa que aceita transfer\u00eancias banc\u00e1rias e pagamento m\u00f3vel interbanc\u00e1rio (SMS) como mecanismos de transa\u00e7\u00e3o de sua mercadoria.<\/p>\n<p>Ele disse que desde que usa esses mecanismos, diante da falta de notas, suas vendas aumentaram de forma consider\u00e1vel, mas o dinheiro que obt\u00e9m por transfer\u00eancias banc\u00e1rias feitas por clientes depois de levar um produto \u00e9 quase na mesma porcentagem que o que recebe por pagamentos com cart\u00e3o de d\u00e9bito.<\/p>\n<p>Essas transa\u00e7\u00f5es baseadas na confian\u00e7a come\u00e7aram a se apresentar na Venezuela no final de 2017.<\/p>\n<p><strong>Hiperinfla\u00e7\u00e3o sem dinheiro<\/strong><\/p>\n<p>Em princ\u00edpio, deve-se aos n\u00edveis de hiperinfla\u00e7\u00e3o que a economia viveu no \u00faltimo ano. Em dezembro de 2017 a taxa de infla\u00e7\u00e3o foi de 85%, e o ano fechou com uma acumulada de 2.616%, segundo o relat\u00f3rio apresentado pela Assembleia Nacional diante da aus\u00eancia de indicadores do Banco Central da Venezuela.<\/p>\n<p>Isso faz que os volumes de dinheiro em esp\u00e9cie para comprar qualquer bem dificultem as transa\u00e7\u00f5es. O bol\u00edvar perdeu o valor, e o governo n\u00e3o acompanhou a hiperinfla\u00e7\u00e3o com um conjunto de c\u00e9dulas suficiente e de alta denomina\u00e7\u00e3o, como afirma a economista e consultora Anabel Abad\u00ed.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o se agravou a partir do an\u00fancio oficial, em 11 de dezembro de 2016, de que deixaria de circular a nota de 100 bol\u00edvares, a de maior valor no momento. A decis\u00e3o presidencial causou p\u00e2nico, protestos, saques, mortes e filas de clientes na frente dos caixas de bancos.<\/p>\n<p>Dias depois, o governo adiou a medida de anul\u00e1-lo e posteriormente a retardou mais cinco vezes, at\u00e9 20 de setembro de 2017, quando a Superintend\u00eancia de Bancos informou que a nota seria mantida em circula\u00e7\u00e3o &#8220;de maneira indefinida&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;No in\u00edcio, o presidente Maduro tinha dito que queriam recolh\u00ea-la para enfrentar o contrabando desse papel na fronteira com a Col\u00f4mbia. Mas com a sucessiva posterga\u00e7\u00e3o ficou evidente que queriam arrecadar dinheiro para os bancos. Haviam se atrasado na emiss\u00e3o de um novo conjunto de moedas&#8221;, disse Abad\u00ed.<\/p>\n<div class=\"modflash center modulos grande uolmais\">\n<div class=\"conteudo\">\n<h3 class=\"color14\">ENTENDA A CRISE NA VENEZUELA<\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Solu\u00e7\u00f5es pouco eficazes<\/strong><\/p>\n<p>Em 16 de janeiro de 2017, come\u00e7ou a circular o novo conjunto de moedas de notas que iam de 500 a 20 mil bol\u00edvares. Mas os pre\u00e7os continuaram subindo de maneira desmedida e o Banco Central da Venezuela foi obrigado a emitir, a partir de novembro passado, a nota de 100 mil bol\u00edvares. Mesmo assim n\u00e3o foi suficiente para cobrir o deficit.<\/p>\n<p>O dinheiro que circula em papel moeda costuma estar ao redor de 10% nos pa\u00edses com \u00edndices m\u00e9dios de bancariza\u00e7\u00e3o, mas na Venezuela est\u00e1 ao redor de 7%, segundo Abad\u00ed.<\/p>\n<p><cite>&#8220;H\u00e1 uma nota de 100 mil bol\u00edvares (a de mais alta denomina\u00e7\u00e3o) para cada venezuelano e 213,7 de 100 bol\u00edvares (a de menor valor) para cada habitante. Essa \u00faltima quantia representa 21.300 bol\u00edvares. Com isso j\u00e1 n\u00e3o se compra nem um quilo de tomates<\/cite><\/p>\n<p><strong>Anabel Abad\u00ed<\/strong><\/p>\n<p>Um ano depois dessa medida, os bancos n\u00e3o contam com notas suficientes para entregar a seus clientes e limitam os saques tanto nos caixas autom\u00e1ticos como nos guich\u00eas. Na semana passada, a situa\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o cr\u00edtica que foram vistos caixas autom\u00e1ticos fora de servi\u00e7o e bancos que s\u00f3 pagaram cheques de 2.000 e 5.000 bol\u00edvares, e era preciso fazer fila de quase uma hora para descont\u00e1-los.<\/p>\n<p>Na Venezuela, precisa-se de dinheiro em esp\u00e9cie para pagar a passagem do transporte p\u00fablico, a gasolina, a maioria dos estacionamentos de carros e at\u00e9 as caixas Clap, distribu\u00eddas pelos Comit\u00eas Locais de Abastecimento e Produ\u00e7\u00e3o com produtos da cesta b\u00e1sica a pre\u00e7os subsidiados.<\/p>\n<p>O governo tentou criar v\u00e1rios mecanismos para motivar a popula\u00e7\u00e3o a usar meios eletr\u00f4nicos de pagamento: a redu\u00e7\u00e3o do imposto de valor agregado para o uso do cart\u00e3o de d\u00e9bito, a cria\u00e7\u00e3o de aplicativos m\u00f3veis banc\u00e1rios para pagar por SMS e a emiss\u00e3o de um cart\u00e3o eletr\u00f4nico chamado Carn\u00ea da P\u00e1tria, com o qual Maduro espera que se pague at\u00e9 o transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p>A Superintend\u00eancia de Bancos relatou que o Sistema de Pagamento M\u00f3vel Interbanc\u00e1rio registrou at\u00e9 dezembro de 2017 mais de 2 milh\u00f5es de inscritos, 11% da popula\u00e7\u00e3o produtiva. Mas essas modalidades n\u00e3o foram eficazes, disse Anabel Abad\u00ed, especialmente no interior, onde o \u00edndice de bancariza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 muito reduzido.<\/p>\n<p><strong>Plataformas tecnol\u00f3gicas saturadas<\/strong><\/p>\n<p>Tampouco foi uma solu\u00e7\u00e3o para os clientes o pagamento em pontos de venda e por transfer\u00eancia banc\u00e1ria online, devido \u00e0s falhas recorrentes que apresentam esses servi\u00e7os.<\/p>\n<p>A alta demanda provocou uma satura\u00e7\u00e3o nos canais de conex\u00e3o, porque a empresa estatal Cantv, a maior provedora de servi\u00e7o de telefonia e internet, n\u00e3o aumentou sua largura de banda nem a compra de licen\u00e7as para acompanhar as exig\u00eancias do mercado.<\/p>\n<p>A Venezuela tem a velocidade de conex\u00e3o \u00e0 internet mais lenta da Am\u00e9rica Latina, segundo relat\u00f3rio da Cepal de 2016.<\/p>\n<p>&#8220;A obsolesc\u00eancia da infraestrutura \u00e9 de oito ou dez anos. O servi\u00e7o de ABA nas resid\u00eancias, da Cantv, por exemplo, pode chegar em alguns casos a at\u00e9 10 megabites de banda larga. Em outros pa\u00edses, como Col\u00f4mbia, Peru e Chile, alcan\u00e7a 150 mega&#8221;, afirma\u00a0 o ex-vice-presidente de projetos estrat\u00e9gicos do 100% Banco, Fredling Pav\u00f3n, que emigrou neste ano para Santiago.<\/p>\n<p>Pav\u00f3n diz que o Banco da Venezuela, onde ele trabalhou entre 1998 e 2004, chegou a possuir a melhor plataforma banc\u00e1ria do pa\u00eds, quando era propriedade do Banco Santander. Hoje nas m\u00e3os do Estado, n\u00e3o se pode acessar seu banco online e telef\u00f4nico.<\/p>\n<p>As entidades banc\u00e1rias tamb\u00e9m apresentam problemas, e menor quantidade, embora tenham muito mais demanda e compartilhem a mesma quantidade de banda de internet com os bancos oficiais. Se todos os bancos n\u00e3o operarem com a mesma capacidade e velocidade, sua interconex\u00e3o cai e n\u00e3o se conseguem executar um grande n\u00famero de transa\u00e7\u00f5es em tempo real.<\/p>\n<p>&#8220;Com uma largura de banda \u00f3tima e capacidade dos equipamentos de processamento, os bancos poderiam realizar 100 mil conex\u00f5es online ao mesmo tempo, mas hoje trabalham com 10 mil a 20 mil concorrentes. Essa possibilidade \u00e9 limitada porque n\u00e3o t\u00eam acesso a divisas para comprar novos equipamentos, entre outros problemas&#8221;, disse Pav\u00f3n.<\/p>\n<p>A isso se soma o fato de que, com a desvaloriza\u00e7\u00e3o do bol\u00edvar, a Credicard, o principal provedor de pontos de venda, deixou de se interessar pela importa\u00e7\u00e3o desses dispositivos. Agora os bancos devem adquiri-los e os oferecem aos que t\u00eam neg\u00f3cios rent\u00e1veis, por isso se restringiu consideravelmente o acesso aos equipamentos.<br \/>\n&#8220;Esses custos da transa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, que aumentaram pela escassez de dinheiro, s\u00e3o os que levam os comerciantes a apostar na confian\u00e7a do comprador&#8221;, explica o economista Angel Alay\u00f3n. &#8220;Fazem isso para poder vender, especialmente quando se trata de valores baixos.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Tarde de transfer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Alay\u00f3n diz que nas sociedades desenvolvidas houve experi\u00eancias em que os clientes tiram os produtos de uma vitrine ou um dispositivo de venda sem que haja um caixa para cobrar por eles. Os clientes deixam o dinheiro equivalente ao que consomem. Nesses casos, normalmente o \u00edndice de pagamento \u00e9 muito alto. Mas \u00e9 outro contexto.<\/p>\n<p>No caso da Venezuela, ele distingue os dois casos que se apresentam: o primeiro \u00e9 o das pessoas que negociam mercadorias de maneira repetida, onde se cria uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima. Essa situa\u00e7\u00e3o se apresenta ainda mais no com\u00e9rcio informal.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de Valentina Gonz\u00e1lez, em Petare, um dos maiores bairros da Am\u00e9rica Latina. Ela prefere comprar de seu vendedor ambulante de confian\u00e7a, seis bananas em troca de uma transfer\u00eancia banc\u00e1ria de 35 mil bol\u00edvares (cerca de R$ 11).<\/p>\n<p>A moradora do bairro Jos\u00e9 F\u00e9lix Ribas contou que todos os s\u00e1bados, dia em que costuma fazer as compras, deve efetuar pelo menos dez pagamentos online ao vendedor de verduras, ao homem que vende com sobrepre\u00e7o produtos da cesta b\u00e1sica escassos nos supermercados, o dono do caminh\u00e3o de carne e frango que vende a poucas quadras de sua casa e at\u00e9 ao vendedor de detergentes de limpeza.<\/p>\n<p><cite>A pessoa se surpreende, porque os comerciantes se resignaram e cobram dessa maneira. Fazem isso porque t\u00eam de vender de alguma forma, diante da falta de dinheiro. Eu agrade\u00e7o, porque sem isso n\u00e3o poderia fazer meu mercado. Passo a tarde de s\u00e1bado inteira transferindo para os bancos<\/cite><\/p>\n<p><strong>Valentina Gonz\u00e1lez<\/strong><\/p>\n<p>Os outros casos mais curiosos s\u00e3o os daqueles com que se iniciou esta reportagem: quando vendedor e cliente n\u00e3o se conhecem.<\/p>\n<p>Nessa situa\u00e7\u00e3o, aposta-se na confian\u00e7a, segundo \u00c1ngel Alay\u00f3n, porque h\u00e1 uma probabilidade de que o comprador descumpra, sobretudo se o comerciante n\u00e3o for v\u00ea-lo de novo.<\/p>\n<p>&#8220;Isso j\u00e1 me aconteceu&#8221;, acrescenta o economista, &#8220;comprando em um posto na estrada de M\u00e9rida, onde o vendedor me disse que fizesse a transfer\u00eancia quando chegasse a Caracas (a 600 km de dist\u00e2ncia). Nesse caso, a possibilidade de que a pessoa n\u00e3o pague \u00e9 enorme.&#8221;<\/p>\n<p>Isso aconteceu esporadicamente a Alida Toscano, outra vendedora em um mercado ambulante na zona popular de Catia, no centro da capital venezuelana. &#8220;Tem gente que se esconde e n\u00e3o paga&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Alay\u00f3n, por\u00e9m, pensa que esses modos de pagamento n\u00e3o t\u00eam um alcance maci\u00e7o nem chegar\u00e3o a substituir os formais. Mas s\u00e3o cada vez mais comuns.<\/p>\n<p>Miriam Arevalo, moradora das Resid\u00eancias 24 de Julio, em El Bosque, norte de Caracas, disse que teve a necessidade de pagar por transfer\u00eancia banc\u00e1ria servi\u00e7os de \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p><cite>Tenho que transferir toda semana 75 mil bol\u00edvares (cerca de R$ 24) ao homem do caminh\u00e3o que traz \u00e1gua \u00e0s quintas-feiras, para que possa me atender. Eu lhe mando um n\u00famero de refer\u00eancia e ele tem de confiar, porque temos contas em bancos diferentes e o dinheiro s\u00f3 cai no dia seguinte.<\/cite><\/p>\n<p><strong>Miriam Arevalo<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ocorrem casos em locais formais, onde em situa\u00e7\u00f5es extremas oferecem aos clientes a possibilidade de consumir o produto ou receber o servi\u00e7o antes de pagar em casa.<\/p>\n<p>Juan Miguel Gonz\u00e1lez contou que em dezembro passado isso lhe aconteceu de maneira quase consecutiva, em tr\u00eas lugares diferentes: em uma livraria, uma chocolateria e uma barbearia. &#8220;No primeiro caso me surpreendeu muito, porque era a primeira vez que eu ia ali, e n\u00e3o me conheciam. Pareceu-me um gesto de extrema bondade.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Fala bem do venezuelano<\/strong><\/p>\n<p>Esse fen\u00f4meno de data recente n\u00e3o est\u00e1 sendo estudado ainda pelos acad\u00eamicos e pesquisadores. A confian\u00e7a, at\u00e9 agora, foi entendida como um valor fundamental para que haja crescimento econ\u00f4mico dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo Trino M\u00e1rquez afirma que o conceito do capital humano, como o influente polit\u00f3logo Francis Fukuyama denomina a confian\u00e7a social, ocorre em contextos nos quais existem institui\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas e um Estado de Direito.<\/p>\n<p><cite>Chama a aten\u00e7\u00e3o que na Venezuela chegamos a esse ponto: o Estado de direito n\u00e3o existe, as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o fr\u00e1geis e as pol\u00edticas p\u00fablicas est\u00e3o causando danos ao pa\u00eds. Por isso n\u00e3o restou outro recurso sen\u00e3o confiar nas pessoas.<\/cite><\/p>\n<p><strong>Trino M\u00e1rquez<\/strong><\/p>\n<p>M\u00e1rquez acredita que est\u00e1 ressurgindo a cultura do passado rural, quando se acreditava na palavra empenhada como se fosse um documento escrito.<\/p>\n<p><cite>Embora este seja um sinal de atraso e um sinal de como funciona mal o Estado venezuelano, fala muito bem da condi\u00e7\u00e3o humana de seus habitantes, que s\u00e3o capazes de se adaptar, de buscar outras estrat\u00e9gias independentes do que o governo decidir.<\/cite><\/p>\n<p>M\u00e1rquez conclui que nessas circunst\u00e2ncias as rela\u00e7\u00f5es humanas e as redes de amigos ou conhecidos ganharam valor. Quem n\u00e3o as tiver pode morrer de fome. &#8220;Faz parte da criatividade da popula\u00e7\u00e3o, que se apoia mutuamente para sobreviver a essa crise.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><em>Com Uol \/Foto: Marco Bello\/ Reuters<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia mais not\u00edcias em\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\"><strong>caririemacao.com<\/strong><\/a><strong>, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/?ref=aymt_homepage_panel\"><strong>Facebook<\/strong><\/a>,<strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cariri_em_acao\/?hl=pt-br\"><strong>Instagram<\/strong><\/a><strong>\u00a0e <\/strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCAptA0jQuYQy8vMhLt2m4qg\"><strong>Youtube<\/strong><\/a><strong>\u00a0e veja nossas mat\u00e9rias, v\u00eddeos e fotos. 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