{"id":43020,"date":"2018-03-05T11:10:11","date_gmt":"2018-03-05T14:10:11","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=43020"},"modified":"2018-03-05T11:10:11","modified_gmt":"2018-03-05T14:10:11","slug":"seca-de-2012-a-2017-foi-a-mais-longa-da-historia-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2018\/03\/05\/seca-de-2012-a-2017-foi-a-mais-longa-da-historia-do-brasil\/","title":{"rendered":"Seca de 2012 a 2017 foi a mais longa da hist\u00f3ria do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>A seca que castigou o semi\u00e1rido brasileiro de 2012 a 2017, em especial o sert\u00e3o do Nordeste, foi a pior da hist\u00f3ria j\u00e1 registrada no Brasil, aponta levantamento do Inmet\u00a0(Instituto Nacional de Meteorologia) obtido com exclusividade pelo uol.<\/p>\n<p>Desde quando come\u00e7ou a s\u00e9rie hist\u00f3rica no s\u00e9culo 19, em 1845, nunca havia acontecido um per\u00edodo de seis anos consecutivos com chuvas abaixo da m\u00e9dia e estiagem prolongada na regi\u00e3o, que normalmente j\u00e1 possui um \u00edndice pluviom\u00e9trico reduzido em compara\u00e7\u00e3o com outros lugares do pa\u00eds \u2013por l\u00e1 costuma chover entre 200 e 800 mil\u00edmetros em um ano normal, dependendo do lugar.<\/p>\n<p>Em 173 anos, houve oito per\u00edodos de seca prolongada na \u00e1rea de abrang\u00eancia do que hoje \u00e9 chamado de semi\u00e1rido brasileiro. Fora estes per\u00edodos, houve diversos anos de seca intensa, mas sem sequ\u00eancia de anos.<\/p>\n<p>Por quatro vezes foi registrado um per\u00edodo de seca de cinco anos consecutivos: no final do s\u00e9culo 19 (de 1876 a 1880), no in\u00edcio do s\u00e9culo 20 (de 1901 a 1905), de 1929 a 1933 e de 1979 a 1983. Fecham a lista das estiagens que duraram mais de um ano os bi\u00eanios 1955-1956 e 1997-1998 e os quatro anos de 1990 a 1993.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9\u00a0que os modelos\u00a0meteorol\u00f3gicos dispon\u00edveis indicam que a seca prolongada acabou e deve chover acima da m\u00e9dia na regi\u00e3o ao longo deste semestre.\u00a0\u201cDesde\u00a0janeiro, chove forte no sert\u00e3o nordestino e no semi\u00e1rido como um todo\u201d, afirma Expedito Rebello, coordenador de Meteorologia Aplicada do Inmet.<\/p>\n<p>\u201cEm fevereiro, a tend\u00eancia tem sido mantida e os modelos meteorol\u00f3gicos indicam chuvas intensas tamb\u00e9m para mar\u00e7o, abril e maio, quando o per\u00edodo chuvoso chega ao fim no semi\u00e1rido. Chuva no sert\u00e3o, historicamente s\u00f3 de dezembro a maio, a partir da\u00ed j\u00e1 n\u00e3o cai uma gota do c\u00e9u\u201d, diz Rebello.<\/p>\n<p>\u201cTodos os anos costuma chover alguma coisa na regi\u00e3o do semi\u00e1rido. O problema \u00e9 que chove t\u00e3o pouco que, quando chove abaixo da m\u00e9dia, acontece a seca. Foi o que ocorreu de 2012 para c\u00e1\u201d, afirma o especialista.<\/p>\n<div class=\"modalbumfotos modulos carregado\">\n<div class=\"conteudo\">\n<div id=\"albumHTML1\">\n<div id=\"boxFullImage1\" class=\"boxFullImage \">\n<div id=\"fotoLegendaBox1\" class=\"fotoLegendaBox\">\n<div id=\"fotoLegenda1\" class=\"fotoLegenda\">\n<div class=\"transparencia\">\n<div class=\"legendaTexto\">\u201cAs secas s\u00e3o um fen\u00f4meno c\u00edclico e natural no nosso semi\u00e1rido, existem desde sempre e invariavelmente est\u00e3o associadas a fen\u00f4menos climatol\u00f3gicos complexos\u201d, afirma o pesquisador.\u00a0\u201cEm 2017 e 2016, ocorreu o fen\u00f4meno da seca verde, que \u00e9 quando come\u00e7a a chover, verdejam os campos e matas, mas em poucas semanas para e tudo come\u00e7a a morrer de novo.\u201d<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ele conta que, na seca que durou de 1929 a 1933, come\u00e7ou a migra\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de popula\u00e7\u00f5es do interior do Nordeste para os Estados do Sudeste. S\u00f3 em\u00a01970 aconteceu a\u00a0primeira seca em que\u00a0n\u00e3o morreram flagelados de fome ou sede.<\/p>\n<p>\u201cHoje a seca atinge menos gente do que em meados do s\u00e9culo passado\u201d, explica o pesquisador. \u201cA tecnologia, o desenvolvimento econ\u00f4mico e social e o aparato de assist\u00eancia social s\u00e3o muitos mais sofisticados. As pessoas sofrem menos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Semi\u00e1rido engloba 20% das cidades brasileiras<\/strong><\/p>\n<p>A parte do territ\u00f3rio nacional que sofre com as secas \u00e9 chamada de semi\u00e1rido. O per\u00edmetro foi delimitado pelo Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional em 2005 \u2013em substitui\u00e7\u00e3o ao conceito de Pol\u00edgono das Secas criado na d\u00e9cada de 1950\u2013 e inclui 1.189 munic\u00edpios, ou cerca de 20% das cidades brasileiras.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da maior parte de todos os Estados do Nordeste, fora o Maranh\u00e3o, a \u00e1rea que abrange 18% do territ\u00f3rio nacional inclui ainda por\u00e7\u00f5es do norte de Minas Gerais e do Esp\u00edrito Santo. Em comum, esses lugares possuem uma precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9trica anual inferior a 800 mil\u00edmetros, risco de seca maior que 60% ou \u00edndice de aridez de at\u00e9 0,5 de acordo com uma escala espec\u00edfica.<\/p>\n<div class=\"modalbumfotos modulos carregado\">\n<div class=\"conteudo\">Como compara\u00e7\u00e3o, Bras\u00edlia, que tem per\u00edodos bem secos, tem uma m\u00e9dia anual de cerca de 1.450 mil\u00edmetros de chuva, segundo o\u00a0Inmet. Em Manaus, uma das capitais mais \u00famidas do pa\u00eds, costuma chover cerca de 2.300 mil\u00edmetros em m\u00e9dia em um ano normal.<\/div>\n<\/div>\n<p>Uma caracter\u00edstica no clima no interior do Nordeste, explica o meteorologista do Inmet, \u00e9 que as chuvas acontecem de maneira concentrada e aleat\u00f3ria.<\/p>\n<p>O tipo de nuvem que se forma na regi\u00e3o s\u00e3o os cumulus nimbus: muito pesados, baixos e desgarrados uns\u00a0dos outros. Isso faz com que a ocorr\u00eancia de chuvas seja aleat\u00f3ria, chova em uma \u00e1rea pequena e em outra ao lado n\u00e3o. Diferentemente das chuvas provocadas por frentes frias, como no Sudeste, em que, conforme a frente avan\u00e7a, chove por toda a extens\u00e3o sob ela.<\/p>\n<p>Outras quest\u00f5es s\u00e3o\u00a0a presen\u00e7a de serras e chapadas que ret\u00eam o fluxo das nuvens baixas e o fato de chover muito intensamente em um per\u00edodo muito curto do ano. Isso n\u00e3o \u00e9 bom para as planta\u00e7\u00f5es e cria\u00e7\u00f5es de animais, al\u00e9m de acabar tendo o efeito de lavar o solo seco com as enxurradas e deix\u00e1-lo cada vez mais pobre.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o da meteorologia para a seca prolongada \u00e9 uma sequ\u00eancia de fen\u00f4menos complexos combinados. Os dois principais que influenciam a regi\u00e3o s\u00e3o o El Ni\u00f1o e o Dip\u00f3lo do Atl\u00e2ntico. Sempre que ocorrem as secas, geralmente s\u00e3o associadas a um aos dois fatores.<\/p>\n<p>Drama hist\u00f3rico<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">As secas que assolam o que hoje \u00e9 o semi\u00e1rido brasileiro s\u00e3o um problema hist\u00f3rico. O coordenador de Meteorologia Aplicada do Inmet lembra que o primeiro registro hist\u00f3rico de seca intensa no interior do Nordeste data de 1583, poucas d\u00e9cadas ap\u00f3s o descobrimento do territ\u00f3rio brasileiro pelos portugueses.<\/div>\n<p>Est\u00e1 registrada nos livros de hist\u00f3ria a promessa de Dom Pedro 2\u00ba de \u201cvender at\u00e9 a \u00faltima joia da coroa\u201d para acabar com o flagelo das pessoas no interior do Nordeste. O rei do Brasil ficou horrorizado com o que viu no ano de 1877 em uma viagem ao Nordeste. A hist\u00f3ria, contudo, n\u00e3o registra que as joias tenham sido vendidas para ajudar os flagelados. Relatos da \u00e9poca d\u00e3o conta de meio milh\u00e3o de pessoas mortas de fome. Nessa \u00e9poca j\u00e1 acontecia o \u00eaxodo rural maci\u00e7o que marcaria a regi\u00e3o at\u00e9 o in\u00edcio deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Nos anos 1980, durante uma seca brava, o ditador do regime militar ent\u00e3o vigente, Jo\u00e3o Figueiredo, declarou que s\u00f3 restava rezar para chover.<\/p>\n<p>Em 2001, durante outra estiagem brava, foram registrados pela \u00faltima vez saques e desordem civil generalizada em cidades do interior nordestino por causa da seca. A popula\u00e7\u00e3o faminta e sedenta vinda dos campos invadia as cidades e fazia arrast\u00f5es em supermercados, feiras, caminh\u00f5es, armaz\u00e9ns e prefeituras.\u00a0<strong>A edi\u00e7\u00e3o do dia 10 de julho de 2001 do jornal \u201cFolha de S. Paulo\u201d<\/strong>, por exemplo, informa casos de saques, protestos e desordem no Rio Grande do Norte e em Pernambuco.<\/p>\n<p>Nas contas do professor Natal\u00edcio de Melo Rodrigues, doutor em geografia pela Universidade Federal de Pernambuco, ao todo foram 128 anos de seca no interior do Nordeste do s\u00e9culo 16 at\u00e9 2015. Al\u00e9m dos dados do Inmet, Rodrigues usa relat\u00f3rios da extinta Sudene (Superintend\u00eancia do Desenvolvimento do Nordeste), ag\u00eancias estaduais, relatos hist\u00f3ricos, refer\u00eancias na literatura e cartas de padres, entre outras fontes, para chegar aos n\u00fameros de seu estudo publicado na internet.<\/p>\n<p>Programas de transfer\u00eancia de renda, como o Bolsa Fam\u00edlia, e a cria\u00e7\u00e3o de outros mecanismos de aux\u00edlio, como o seguro-safra, seguro-defeso e a aposentadoria rural, inexistentes ou incipientes no s\u00e9culo passado, fazem com que hoje ningu\u00e9m mais morra de fome no sert\u00e3o, mesmo em meio a estiagens que inviabilizam a produ\u00e7\u00e3o rural de subsist\u00eancia.<\/p>\n<p>Em contrapartida \u00e0s secas, na s\u00e9rie hist\u00f3rica de 173 anos do Inmet, foi registrada apenas uma sequ\u00eancia de anos com chuvas acima da m\u00e9dia na regi\u00e3o: de 1972 a 1976. Outros anos chuvosos foram 1870, 1897, 1985 e 2009, o \u00faltimo que choveu acima da m\u00e9dia no sert\u00e3o antes da estiagem que come\u00e7ou em 2012. \u201cAgora 2018, se as previs\u00f5es se confirmarem, tem tudo para entrar na lista dos anos chuvosos\u201d, diz o coordenador.<\/p>\n<p><strong>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><em>Com Uol\/Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o Internet<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia mais not\u00edcias em\u00a0<\/strong><a href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\"><strong>caririemacao.com<\/strong><\/a><strong>, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/?ref=aymt_homepage_panel\"><strong>Facebook<\/strong><\/a>,<strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cariri_em_acao\/?hl=pt-br\"><strong>Instagram<\/strong><\/a><strong>\u00a0e <\/strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCAptA0jQuYQy8vMhLt2m4qg\"><strong>Youtube<\/strong><\/a><strong>\u00a0e veja nossas mat\u00e9rias, v\u00eddeos e fotos. 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