{"id":50082,"date":"2018-05-06T10:00:40","date_gmt":"2018-05-06T13:00:40","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=50082"},"modified":"2018-05-06T10:12:07","modified_gmt":"2018-05-06T13:12:07","slug":"motorista-do-transporte-de-valores-diz-que-levou-dinheiro-a-escritorio-de-amigo-de-temer-2-veze","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2018\/05\/06\/motorista-do-transporte-de-valores-diz-que-levou-dinheiro-a-escritorio-de-amigo-de-temer-2-veze\/","title":{"rendered":"Motorista do transporte de valores diz que levou dinheiro a escrit\u00f3rio de amigo de Temer 2 veze"},"content":{"rendered":"<p>Em depoimento ainda mantido em sigilo, prestado em 28 de mar\u00e7o \u00e0 Pol\u00edcia Federal, o policial militar Abel de Queiroz disse ter ido ao menos duas vezes ao escrit\u00f3rio do\u00a0advogado Jos\u00e9 Yunes, amigo pr\u00f3ximo do presidente Michel Temer, para fazer entregas de dinheiro entre 2013 e 2015.<\/p>\n<p>O policial trabalhava como motorista da Transnacional, firma de transporte de valores contratada por empresas alvo da\u00a0Lava Jato, entre elas a Odebrecht. Falou como testemunha no inqu\u00e9rito que apura pagamentos, pela empreiteira, de R$ 10 milh\u00f5es a campanhas do MDB, supostamente acertados com Temer no Pal\u00e1cio do Jaburu, em 2014.<\/p>\n<p>Os investigadores estiveram no escrit\u00f3rio de Yunes com Queiroz, que reconheceu o local das entregas, no bairro Jardim Europa, em S\u00e3o Paulo. Durante a oitiva, cuja transcri\u00e7\u00e3o foi obtida pela\u00a0<strong>Folha<\/strong>, ele disse que, \u201ccom absoluta certeza, l\u00e1 esteve em pelo menos duas oportunidades\u201d.<\/p>\n<p>Queiroz explicou que coube a ele dirigir o ve\u00edculo blindado na Transnacional e que, em cada uma das ocasi\u00f5es, outros agentes, que identificou como Oliveira e Alves, levaram os valores para dentro do im\u00f3vel.<\/p>\n<p>O depoimento corrobora acusa\u00e7\u00e3o apresentada em 21 de mar\u00e7o pelo MPF (Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal)\u00a0contra Yunes e outros aliados de Temer, segundo a qual o advogado atuou mais de uma vez como arrecadador de recursos il\u00edcitos para o presidente.<\/p>\n<p>A den\u00fancia foi aceita pela Justi\u00e7a Federal em Bras\u00edlia, que abriu a\u00e7\u00e3o penal contra o advogado por organiza\u00e7\u00e3o criminosa. Outro amigo do presidente, o coronel Jo\u00e3o Baptista Lima Filho, \u00e9 acusado pelo mesmo crime no caso.<\/p>\n<p>Yunes admite ter se envolvido em uma \u00fanica opera\u00e7\u00e3o, na qual teria atuado como \u201cmula involunt\u00e1ria\u201d do ministro da Casa Civil,\u00a0Eliseu Padilha, ao receber um pacote cuja origem, o destino e o conte\u00fado, segundo sua vers\u00e3o, desconhecia na \u00e9poca.<\/p>\n<p>O corretor de valores\u00a0L\u00facio Bolonha\u00a0Funaro, delator da Lava Jato que atualmente cumpre pris\u00e3o domiciliar, disse em seus depoimentos que foi buscar R$ 1 milh\u00e3o no escrit\u00f3rio do amigo de Temer em setembro de 2014, a pedido do ex-ministro\u00a0Geddel Vieira Lima, mandando entregar a quantia a ele, em seguida, em Salvador. Ele sustenta que Yunes sabia se tratar de dinheiro.<\/p>\n<p>As planilhas do setor de opera\u00e7\u00f5es estruturadas, o departamento de propinas da Odebrecht, registram a remessa desse valor ao escrit\u00f3rio de Yunes em 4 de setembro daquele ano. O montante seria parte de suposto acerto feito por Temer para o repasse de recursos de caixa dois a campanhas do MDB. O presidente nega ter participado de conversas sobre caixa dois.<\/p>\n<p>Queiroz trabalhou por dois anos na Transnacional, at\u00e9 meados de 2015. No depoimento, relatou que o valor m\u00e1ximo das remessas era de R$ 300 mil, limite da cobertura do seguro das opera\u00e7\u00f5es. No entanto, em 2014, ano de elei\u00e7\u00f5es, o teto teria aumentado, conforme contaram outros funcion\u00e1rios da empresa \u00e0 PF.<\/p>\n<p>O policial disse ter estado em datas distintas no escrit\u00f3rio de Yunes, mas n\u00e3o soube precis\u00e1-las, assim como quais valores teriam sido entregues. Disse ainda que n\u00e3o tinha contato com os envolvidos nos pagamentos e que n\u00e3o se lembrava se pessoas indicadas para receber o dinheiro eram Yunes ou sua secret\u00e1ria, Shirley, \u201cpois era o encarregado [de levar a quantia at\u00e9 o im\u00f3vel] que tinha mais contato com esses dados\u201d.<\/p>\n<p>A Transnacional aparece em investiga\u00e7\u00f5es distintas da Lava Jato como respons\u00e1vel por entregas de propina. Outros dois motoristas da empresa afirmaram em depoimentos, por exemplo, que participaram de opera\u00e7\u00f5es para repassar recursos da Odebrecht a um intermedi\u00e1rio do presidente nacional do PP,\u00a0senador Ciro Nogueira\u00a0(PI), em S\u00e3o Paulo. Ele nega.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do depoimento do motorista, novas informa\u00e7\u00f5es foram apresentadas por Funaro na investiga\u00e7\u00e3o em mar\u00e7o. Em carta anexada ao inqu\u00e9rito, ele diz ter telefonado para Yunes para marcar de \u201cretirar o valor no escrit\u00f3rio dele\u201d. Relata ainda que o advogado o levou para a garagem do im\u00f3vel e entregou uma caixa com os recursos para Geddel.<\/p>\n<p>Funaro pleiteia, na carta, uma acarea\u00e7\u00e3o com Yunes e o ex-diretor de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da Odebrecht Cl\u00e1udio Mello Filho, que delatou o suposto acerto no Jaburu.<\/p>\n<p>Outro lado<\/p>\n<p>O advogado de Yunes, Jos\u00e9 Lu\u00eds de Oliveira Lima, afirmou em nota que seu cliente, \u201ccom mais de 50 anos de advocacia, jamais se prestou a desempenhar o papel de intermedi\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuanto \u00e0s afirma\u00e7\u00f5es de L\u00facio Funaro, o seu hist\u00f3rico demonstra que sua fala n\u00e3o merece qualquer credibilidade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O advogado de Temer, Brian Alves Prado, afirmou que a defesa do presidente n\u00e3o teve acesso ao depoimento e que, por isso, n\u00e3o poder\u00e1 se pronunciar sobre o assunto.<\/p>\n<p>O inqu\u00e9rito sobre repasses da Odebrecht ao MDB acertados no Jaburu investiga se o dinheiro seria seria contrapartida ao atendimento dos interesses da empreiteira pela Secretaria da Avia\u00e7\u00e3o Civil \u2014pasta ocupada por Padilha e Moreira Franco entre 2013 e 2015. Os dois, al\u00e9m de Temer, s\u00e3o investigados.<\/p>\n<p>Em fevereiro do ano passado, Temer afirmou em nota que pediu \u201caux\u00edlio formal e oficial\u201d \u00e0 Odebrecht na campanha de 2014, mas ressaltou que n\u00e3o autorizou ou solicitou que \u201cnada fosse fosse feito sem amparo nas regras da Lei Eleitoral\u201d.<\/p>\n<p><strong>CARIRI EM A\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Com Para\u00edba J\u00e1\/Foto: Google<\/p>\n<p><strong>Leia mais not\u00edcias em\u00a0caririemacao.com, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0Facebook,\u00a0Instagram\u00a0e\u00a0Youtube\u00a0e veja nossas mat\u00e9rias, v\u00eddeos e fotos. 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