{"id":61370,"date":"2018-08-14T07:58:32","date_gmt":"2018-08-14T10:58:32","guid":{"rendered":"http:\/\/caririemacao.com\/1\/?p=61370"},"modified":"2018-08-14T07:58:32","modified_gmt":"2018-08-14T10:58:32","slug":"jovens-sao-mortos-cada-vez-mais-cedo-na-paraiba-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2018\/08\/14\/jovens-sao-mortos-cada-vez-mais-cedo-na-paraiba-aponta-estudo\/","title":{"rendered":"Jovens s\u00e3o mortos cada vez mais cedo na Para\u00edba, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p>Os n\u00fameros de assassinatos na Para\u00edba mostram que o percentual de v\u00edtimas com idade entre 0 e 18 anos vem crescendo no Estado e que as pessoas est\u00e3o morrendo cada vez mais cedo. Dados da Secretaria de Estado da Seguran\u00e7a (Seds) mostram que 1.284 pessoas foram assassinadas no Estado, em 2017 e, destas, 11% eram crian\u00e7as, adolescentes ou jovens. Um percentual crescente em rela\u00e7\u00e3o ao ano de 2013, por exemplo, quando foram mortas 1.573 pessoas e 10% delas tinha menos de 18 anos. Comparando o percentual e os n\u00fameros absolutos dos dois anos percebe-se claramente que em 2017 morreram mais crian\u00e7as, adolescentes e jovens. Jo\u00e3o Pessoa, Campina Grande e Santa Rita s\u00e3o as cidades onde mais morre pessoas nessa faixa et\u00e1ria, com uma larga dist\u00e2ncia num\u00e9rica de casos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais cidades.<\/p>\n<p>Durante o ano de 2017, 145 pessoas com idade entre 0 e 18 anos foram assassinadas no Estado. A viol\u00eancia urbana fica evidente nos crimes, uma vez que, do total de homic\u00eddios, 86% foram praticados com arma de fogo. Apenas 12 foram por arma branca e 9 com uso de outros instrumentos como veneno e fogo. A maioria dos crimes com arma branca se concentra nas cidades do interior.<\/p>\n<p>A maioria dos crimes que atingem jovens e adolescentes tem rela\u00e7\u00e3o com tr\u00e1fico de drogas ou rixa entre fac\u00e7\u00f5es criminosas. Mas nem sempre a v\u00edtima tinha envolvimento com alguma dessas coisas. Foi o caso do adolescente Anderson Lucas Gon\u00e7alves Coutinho, de 16 anos, morto dentro de um \u00f4nibus que faz o transporte coletivo da Capital. Na madrugada do dia 20 de fevereiro, ele voltava de um bloco carnavalesco, sentado em uma das primeiras poltronas do \u00f4nibus, onde outros jovens que estavam na parte de tr\u00e1s, gritavam o nome de uma fac\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n<p>Ao passar pelo Bairro dos Novais, bandidos que estavam no lado de fora e que integravam a fac\u00e7\u00e3o rival, ouviram os gritos de apologia ao bando inimigo e come\u00e7aram a perseguir o \u00f4nibus. Obrigaram o motorista a parar, entraram pela porta da frente e atiraram na primeira pessoa que viram. Anderson estava nas cadeiras da frente, foi atingido na cabe\u00e7a e morreu no coletivo. A fam\u00edlia disse que ele n\u00e3o tinha inimigos.<\/p>\n<p><strong>Ocorr\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>&#x25b6;\u00a0Outro caso de destaque em 2017 foi a chacina de sete adolescentes, durante uma rebeli\u00e3o no Lar do Garoto, em Lagoa Seca, institui\u00e7\u00e3o de interna\u00e7\u00e3o para cumprimento de medica socioeducativa. Seis morreram queimados e um foi decapitado. Outro caso de destaque foi o envenenamento de uma adolescente e duas crian\u00e7as, na cidade de Itabaiana. Uma agricultora foi presa, acusada de cometer os crimes e ainda aguarda julgamento.<\/p>\n<p>&#x25b6;\u00a0Entre os anos de 2013 e 2017 houve uma varia\u00e7\u00e3o de -18% em rala\u00e7\u00e3o ao n\u00famero total de homic\u00eddios.<\/p>\n<p>&#x25b6;\u00a0Dados de janeiro a maio deste ano, mostram um total de 503 homic\u00eddios, sendo 39 na faixa et\u00e1ria entre 0 a 18 anos de idade.<\/p>\n<p><strong>Casos s\u00e3o frenquentes<\/strong><\/p>\n<p>O ano de 2018 ainda nem terminou e os dados sobre os assassinatos s\u00f3 ser\u00e3o conhecidos em 2019, se houver divulga\u00e7\u00e3o. Mas os casos de mortes de crian\u00e7as, adolescentes e jovens j\u00e1 se espalham pelo Estado. Foi o que aconteceu em Jo\u00e3o Pessoa, com o caso do menino Guilherme Marinho, de 7 anos, que esteve desaparecido durante cinco meses e, somente h\u00e1 duas semanas, a pol\u00edcia confirmou que foi v\u00edtima de um assassinato.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia ainda trabalha para esclarecer a motiva\u00e7\u00e3o do crime, mas j\u00e1 sabe que Guilherme era apenas um menino, que gostava de brincar com os vizinhos. N\u00e3o tinha sequer idade para se envolver com o crime, mas o pai tinha um hist\u00f3rico com o tr\u00e1fico de drogas e isso pode ter sido o suficiente para que criminosos tirassem a vida do menino.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia tinha esperan\u00e7a de encontr\u00e1-lo vivo, porque haviam boatos de que pudesse estar em pode de traficantes da comunidade rival. Em junho, a pol\u00edcia encontrou uma ossada, dentro de uma mata, que fica perto da comunidade Taipa, onde mora a fam\u00edlia do menino. Um m\u00eas depois, o exame de DNA confirmou que os restos mortais eram de Guilherme e outro exame constatou que ele foi morto com uma pancada na testa.<\/p>\n<p>Se as suspeitas se confirmarem, Guilherme foi morto porque o pai, ent\u00e3o integrante da fac\u00e7\u00e3o que comanda o tr\u00e1fico de drogas no bairro do Grot\u00e3o, teria rompido com o grupo e se aliado aos rivais, que dominam o tr\u00e1fico na comunidade Taipa. O pai do menino cumpre pena em um dos pres\u00eddios da Capital e a m\u00e3e, Valdenice Marinho, disse que o marido vivia recebendo amea\u00e7as dentro do pres\u00eddio, de que o garoto seria morto.<\/p>\n<p><strong>Faltam oportunidades<\/strong><\/p>\n<p>Para o doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica e professor de Ci\u00eancias Sociais da Universidade Federal da Para\u00edba, Jos\u00e9 Artigas de Godoy, s\u00e3o v\u00e1rios os motivos que est\u00e3o levando os jovens \u00e0 morte cada vez mais cedo. Mas o principal deles \u00e9 a falta de oportunidades para qualifica\u00e7\u00e3o e pouca ou nenhuma chance de coloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cO desemprego no Brasil hoje \u00e9 de 13%, mais de 14 milh\u00f5es de pessoas. Mas se fizermos um recorte s\u00f3 com a popula\u00e7\u00e3o jovem, o desemprego sobe para 20% no Pa\u00eds e alarmantes 50%, no Nordeste. Com o tr\u00e1fico de drogas oferecendo uma alternativa de renda, \u00e9 natural que esse jovem v\u00e1 para o crime e que, com isso, haja um aumento dos assassinatos\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A oferta de renda e a falta de oportunidades t\u00eam atra\u00eddo pessoas cada vez mais jovens para o tr\u00e1fico, onde o jovem, adolescente ou at\u00e9 a crian\u00e7a s\u00e3o objetos \u00fateis e descart\u00e1veis, segundo Artigas. \u201cO jovem tem uma agilidade natural da idade, \u00e9 dif\u00edcil de ficar preso, por conta da legisla\u00e7\u00e3o que rege os atos infracionais de adolescentes, mas quando acontece qualquer problema, \u00e9 assassinado por criminosos ou pela pol\u00edcia e rapidamente s\u00e3o substitu\u00eddos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>As mortes geralmente acontecem em confrontos de grupos rivais, disputas pelo controle de territ\u00f3rios ou em a\u00e7\u00f5es policiais e ainda por vingan\u00e7a da fam\u00edlia, mesmo a crian\u00e7a n\u00e3o tendo envolvimento com o tr\u00e1fico.<\/p>\n<p><strong>Interioriza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o entre os dois anos pesquisados mostram a interioriza\u00e7\u00e3o dos crimes contra jovens e crian\u00e7as, com uma sens\u00edvel mudan\u00e7a de n\u00fameros em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o dos assassinatos. Em 2013, a Regi\u00e3o Metropolitana de Jo\u00e3o Pessoa concentrou 66% dos assassinatos, enquanto em 2017, essa regi\u00e3o teve 46% dos homic\u00eddios contra o p\u00fablico pesquisado. Os dados parciais de homic\u00eddios em 2018, referente aos cinco primeiros meses do ano, mostram a Regi\u00e3o Metropolitana de Jo\u00e3o Pessoa com 31% dos casos, ficando o restante dos casos espalhados pelas cidades do interior.<\/p>\n<p><strong>Investimentos<\/strong><\/p>\n<p>O soci\u00f3logo tamb\u00e9m atacou as pol\u00edticas de seguran\u00e7a p\u00fablica e de combate \u00e0s drogas que, segundo ele, t\u00eam mostrado resultados errados e desastrosos, com aumento exponencial da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Essa semana o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica divulgou a edi\u00e7\u00e3o 2017 do Anu\u00e1rio, que re\u00fane estat\u00edsticas gerais da seguran\u00e7a no Brasil e Estados. De acordo com o documento, em 2016 a Para\u00edba investiu em intelig\u00eancia policial s\u00f3 0,018% do gasto total com seguran\u00e7a p\u00fablica. Em 2017, o investimento caiu para 0,017%.<\/p>\n<p>O investimento em intelig\u00eancia \u00e9 31 vezes menor que o gasto com policiamento ostensivo.<\/p>\n<p><strong>Secret\u00e1rio culpa tr\u00e1fico<\/strong><\/p>\n<p>Para o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a da Para\u00edba, Cl\u00e1udio Lima, a mortalidade crescente de crian\u00e7as e jovens tem foco na sedu\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de drogas e na falta de pol\u00edticas p\u00fablicas de inclus\u00e3o, em car\u00e1ter nacional.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 de fato um conjunto de fatores. Um deles \u00e9 o jovem ou adolescente estar entrando cada vez mais cedo no tr\u00e1fico, no uso de drogas e recebendo influ\u00eancias de fac\u00e7\u00f5es criminosas. Por outro lado, o Pa\u00eds n\u00e3o foi capaz de investir em pol\u00edticas p\u00fablicas de inclus\u00e3o dos jovens nas escolas e no trabalho\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Correio da Para\u00edba\/Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Cariri Em A\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Leia mais not\u00edcias em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\">caririemacao.com<\/a>, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/?ref=aymt_homepage_panel\">Facebook<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cariri_em_acao\/?hl=pt-br\">Instagram<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCAptA0jQuYQy8vMhLt2m4qg\">Youtube<\/a>\u00a0e veja nossas mat\u00e9rias, v\u00eddeos e fotos. Voc\u00ea tamb\u00e9m pode enviar informa\u00e7\u00f5es \u00e0 Reda\u00e7\u00e3o do Portal Cariri em A\u00e7\u00e3o pelo WhatsApp (83) 9 9634.5791, (83) 9 9601-1162.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os n\u00fameros de assassinatos na Para\u00edba mostram que o percentual de v\u00edtimas com idade entre 0 e 18 anos vem crescendo no Estado e que&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":39138,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-61370","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61370"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61370\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61371,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61370\/revisions\/61371"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39138"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}