{"id":65214,"date":"2018-09-17T13:44:46","date_gmt":"2018-09-17T16:44:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=65214"},"modified":"2018-09-17T13:44:46","modified_gmt":"2018-09-17T16:44:46","slug":"em-11-museus-de-salvador-correio-registrou-falta-de-manutencao-e-apoio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2018\/09\/17\/em-11-museus-de-salvador-correio-registrou-falta-de-manutencao-e-apoio\/","title":{"rendered":"Em 11 museus de Salvador, CORREIO registrou falta de manuten\u00e7\u00e3o e apoio"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">A professora vira para os alunos e ensina: \u201cdentro desse museu h\u00e1 tamb\u00e9m um presente\u201d. As crian\u00e7as, de 8 a 10 anos, conheciam admiradas o acervo do Museu de Arte da Bahia (MAB), na Vit\u00f3ria. Nos espa\u00e7os da mem\u00f3ria, o passado \u00e9 a heran\u00e7a para o futuro. Durante duas semanas, o CORREIO percorreu 11 dos 43 museus de Salvador.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Percorremos os mais antigos, visitados, ricos em acervos e do Pelourinho, \u00e1rea com maior n\u00famero de museus. Ent\u00e3o, revelou-se a realidade que perturba a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria: a m\u00e9dia de 20 anos sem troca nas redes el\u00e9trica, os azulejos portugueses descascando e falta de verba.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No \u00faltimo dia 2 de setembro,\u00a0quando foram reduzidos a uma imensa bola de fogo, o Museu Nacional, no Rio de Janeiro,\u00a0\u00a0e boa parte da riqueza da mem\u00f3ria brasileira, parte da hist\u00f3ria foi queimada. Acendia a luz j\u00e1 forte do alerta sobre as condi\u00e7\u00f5es desses espa\u00e7os pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em Salvador, situa\u00e7\u00f5es preocupantes encontradas at\u00e9 no MAB, o museu mais antigo da Bahia, gerido pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Art\u00edstico e Cultural da Bahia (Ipac), do estado da Bahia. L\u00e1, n\u00e3o h\u00e1 troca de rede el\u00e9trica h\u00e1 27 anos. No Museu da Ordem Terceira de S\u00e3o Francisco, rachaduras vis\u00edveis nas paredes, emaranhados de fios, e a j\u00e1 conhecida degrada\u00e7\u00e3o da azulejaria azul de 1753.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O CORREIO conversou com muse\u00f3logos, visitantes e uma professora de Engenharia El\u00e9trica para discutir os riscos nos museus da capital hoje. Os perigos dos fios enrolados, desencapados e remendados incluem curto-circuito e inc\u00eandio. O historiador e arquiteto Francisco Senna sintetiza: \u201cOs museus est\u00e3o sangrando, n\u00e3o tem como a maioria estar funcionando. Eu diria que \u00e9 um milagre muitos estarem abertos, inclusive sem renova\u00e7\u00e3o de linguagem. S\u00f3 existe uma justificativa: \u00e9 a falta de investimento no setor\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Dos museus visitados, seis s\u00e3o de responsabilidade do Ipac. Para este ano, o \u00f3rg\u00e3o prev\u00ea um or\u00e7amento de\u00a0R$ 864 mil para todos os que est\u00e3o sob sua tutela na capital. Dos outros, tr\u00eas competem \u00e0 Universidade Federal da Bahia e dois \u00e0 esfera privada. \u201cSe n\u00e3o h\u00e1 verba, \u00a0acaba existindo (problemas estruturais)\u201d, acredita tamb\u00e9m a mestre em Museologia pela Ufba, Genivalda C\u00e2ndido.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os problemas seguem sem solu\u00e7\u00e3o aparente na maioria dos casos, com exce\u00e7\u00e3o do Museu de Arte Moderna (MAM), cuja reforma da \u00e1rea, de responsabilidade do estado, se arrasta h\u00e1 dois anos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Caminhar pelos corredores seculares do museu tamb\u00e9m \u00e9 sentir o efeito do tempo que corr\u00f3i e compromete as acomoda\u00e7\u00f5es do lugar. Ap\u00f3s pagar pelo ingresso que custa R$5, o visitante tem acesso as edifica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas que abrigam, al\u00e9m dos azulejos, pe\u00e7as de arte sacra dos s\u00e9culos XVII, XVIII e XIX. Mas, as ricas e singulares express\u00f5es do barroco brasileiro, divide espa\u00e7o tamb\u00e9m com rachaduras espalhadas pelos tetos, emaranhados de fios e at\u00e9 cupins que come\u00e7am a demarcar lugar, ao passo que d\u00e3o sinais de destrui\u00e7\u00e3o.Ao adentar o Museu da Ordem Terceira de S\u00e3o Francisco, no Pelourinho, o visitante \u00e9 convidado a embarcar em uma viagem no tempo. Seus pain\u00e9is de azulejos recontam o cotidiano de uma Lisboa pulsante do s\u00e9culo XVIII. Foram trazidos para Salvador antes da cidade portuguesa quase ruir por completo ap\u00f3s sofrer com um abalo s\u00edsmico que desencadeou um tsunami.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os problemas, a princ\u00edpio, passam despercebidos aos olhos dos visitantes. Na Sala dos Santos, a primeira exposi\u00e7\u00e3o permanente do museu, os problemas parecem n\u00e3o se revelar a olho nu. Mas, ao caminhar pelos corredores seculares, inevitavelmente, \u00e9 preciso voltar a vis\u00e3o para cima para apreciar as pinturas que adornam o teto de madeira.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u00c9 l\u00e1, no teto, onde os sinais do tempo, do descaso ou da falta de manuten\u00e7\u00e3o se revelam. S\u00e3o rachaduras, algumas com cerca de 30 cm, que avan\u00e7am inclusive para as molduras dos pain\u00e9is, cortando-os ao meio. Se as vistas se volta um pouco mais para baixo, \u00e9 poss\u00edvel perceber que o mofo indica que os fungos precisam ser combatidos antes que espalhem por outros espa\u00e7os \u2013 \u00e9 assim em pelo menos tr\u00eas salas do museu.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os batentes da escadaria que d\u00e1 acesso a parte superior da edifica\u00e7\u00e3o, onde \u00e9 poss\u00edvel ter a vis\u00e3o parcial da igreja, a muito j\u00e1 carece de reparo e uma caixa de energia num emaranhado fios divide espa\u00e7o com as obras.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u00a0\u201cEu n\u00e3o sei se tudo isso \u00e9 por conta do pr\u00e9dio que \u00e9 bem antigo ou pela falta de manuten\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o\u201d, diz a turista alagoana Meire Soares, 35. J\u00e1 a turista da cidade de Irec\u00ea, no Centro-norte do estado, lamentou os problemas do museu. \u201cEu reparei que tem muitas salas que precisam de uma aten\u00e7\u00e3o maior. O espa\u00e7o \u00e9 muito lindo, n\u00e3o pode continuar assim\u201d, comentou a professora Maria de Lourdes Farias, 46.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O Museu Eug\u00eanio Teixeira de Leal\/ Memorial do Banco Econ\u00f4mico guarda a hist\u00f3ria do dinheiro e abriga uma biblioteca sobre a hist\u00f3ria social, econ\u00f4mica, pol\u00edtica e cultural da Bahia. Abriga cerca de 5 mil pe\u00e7as, dentre elas moedas, medalhas, mobili\u00e1rio, placa, documentos e v\u00eddeos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No casar\u00e3o onde o museu est\u00e1 instalado, na Rua J. Castro Rabello, no Pelourinho, o CORREIO encontrou ponto onde pinturas das paredes est\u00e3o descascando. Durante a ida da equipe n\u00e3o foi encontrado em local vis\u00edvel extintores de inc\u00eandio.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No pr\u00e9dio da Faculdade de Medica, no Largo Terreiro de Jesus, tem dois museus. O primeiro \u00e9 o Museu Afro-Brasileiro, que apresenta pe\u00e7as da cultura africana e afro-brasileira, tem duas das quatro salas abertas ao p\u00fablico &#8211; outras duas est\u00e3o em processo de prepara\u00e7\u00e3o para exposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na primeira sala, onde h\u00e1 uma exposi\u00e7\u00e3o sobre o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o negra uma fia\u00e7\u00e3o exposta no canto direito do teto denuncia que ali havia uma c\u00e2mera. Na segunda sala, onde h\u00e1 uma exposi\u00e7\u00e3o de Carib\u00e9 sobre os orix\u00e1s, o teto tem marcas de infiltra\u00e7\u00e3o e o cubo que protege umas pe\u00e7as est\u00e1 remendado com duras por causa de rachaduras. Entre a primeira e a segunda sala est\u00e1 um buraco imenso no teto do pr\u00e9dio e o corrim\u00e3o de madeira est\u00e1 quebrado em alguns pontos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O segundo museu abrigado no pr\u00e9dio da Faculdade de Medica \u00e9 o Arqueologia e Etnologia da Ufba, onde h\u00e1 objetos ind\u00edgenas, pinturas e fotografias. Na Ala Professor Pedro Augustino, sinais de infiltra\u00e7\u00e3o na parede de uma sala onde h\u00e1 exibi\u00e7\u00e3o de um v\u00eddeo sobre a rotina ind\u00edgena, a aus\u00eancia de um buraco em um outro ponto de exibi\u00e7\u00e3o mostra que um monitor foi retirado e n\u00e3o colocado de volta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na Ala Professor Valentim Calder\u00f3n um emaranhado de fios e no final da Ala Ant\u00f4nio Matos fia\u00e7\u00f5es expostas.<br \/>\nJ\u00e1 o Museu Abelardo Rodrigues, instalado no Solar do Ferr\u00e3o, na Rua Greg\u00f3rio de Matos, onde h\u00e1 800 pe\u00e7as entre santos barrocos, gravaras e ourivesaria, n\u00e3o apresentava rachaduras, mofo, infiltra\u00e7\u00f5es, pe\u00e7as danificadas, tem dois extintores vis\u00edveis.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A arte parece disputar a aten\u00e7\u00e3o com os sinais patentes de descaso. O resumo: faltam extintores e sobram rachaduras. Artistas, diretores e frequentadores lutam a sua maneira para a preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio. As respostas oficiais sobre os erros est\u00e3o em falta. Enquanto isso, a heran\u00e7a da hist\u00f3ria luta para a perman\u00eancia.<\/p>\n<p><em><strong>Correio24h\/Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A professora vira para os alunos e ensina: \u201cdentro desse museu h\u00e1 tamb\u00e9m um presente\u201d. 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