{"id":65515,"date":"2018-09-20T14:29:24","date_gmt":"2018-09-20T17:29:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=65515"},"modified":"2018-09-20T14:29:24","modified_gmt":"2018-09-20T17:29:24","slug":"falta-de-saneamento-gera-doencas-com-custo-de-r-100-milhoes-ao-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2018\/09\/20\/falta-de-saneamento-gera-doencas-com-custo-de-r-100-milhoes-ao-sus\/","title":{"rendered":"Falta de saneamento gera doen\u00e7as com custo de R$ 100 milh\u00f5es ao SUS"},"content":{"rendered":"<p>As interna\u00e7\u00f5es hospitalares de pacientes no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), em todo o pa\u00eds, por\u00a0doen\u00e7as causadas pela falta de saneamento b\u00e1sico e acesso \u00e0 \u00e1gua de qualidade, ao longo de 2017, geraram um custo de R$ 100 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>De acordo com dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, ao todo, foram 263,4 mil interna\u00e7\u00f5es. O n\u00famero ainda \u00e9 elevado, mesmo com o decr\u00e9scimo em rela\u00e7\u00e3o aos casos registrados no ano anterior, quando 350,9 mil interna\u00e7\u00f5es geraram custo de R$ 129 milh\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_504770\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-504770 size-full lazyloaded\" src=\"https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/saneamento2009.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/saneamento2009.jpg 1024w, https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/saneamento2009-567x378.jpg 567w, https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/saneamento2009-900x600.jpg 900w\" alt=\"\" data-lazy-src=\"https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/saneamento2009.jpg\" data-lazy-srcset=\"https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/saneamento2009.jpg 1024w, https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/saneamento2009-567x378.jpg 567w, https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/saneamento2009-900x600.jpg 900w\" data-lazy-sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" data-was-processed=\"true\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Carolina Gon\u00e7alves\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da\u00a0Sa\u00fade (OMS), cada d\u00f3lar investido em \u00e1gua e saneamento resultaria em uma economia de US$ 4,3 em custos de sa\u00fade no mundo. Recentemente, organiza\u00e7\u00f5es ligadas ao setor privado de saneamento, reunidas em S\u00e3o Paulo, refor\u00e7aram a teoria da economia produzida por este investimento.<\/p>\n<p>Pelas contas do grupo, a universaliza\u00e7\u00e3o do saneamento b\u00e1sico no Brasil geraria uma economia anual de R$ 1,4 bilh\u00e3o\u00a0em gastos na \u00e1rea da sa\u00fade.<\/p>\n<p>No mesmo evento \u2013 Encontro Nacional das \u00c1guas \u2013 os representantes das empresas apontaram que dos 5.570 munic\u00edpios do pa\u00eds, apenas 1.600 t\u00eam pelo menos uma esta\u00e7\u00e3o de tratamento de esgoto e 100 milh\u00f5es de brasileiros ainda n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 tratamento\u00a0de esgoto.<\/p>\n<p>Atualmente, de acordo com o Instituto Trata Brasil, apenas 44,92% dos esgotos coletados no pa\u00eds s\u00e3o tratados. O Brasil tem uma meta de universaliza\u00e7\u00e3o do saneamento at\u00e9 2033.<\/p>\n<p>Este objetivo previsto no Plano Nacional de Saneamento B\u00e1sico, representaria um gasto de cerca de R$ 15 milh\u00f5es anuais, ao longo de 20 anos. E este \u00e9 um dos desafios para os governantes a serem eleitos em outubro.<\/p>\n<p>A reportagem da\u00a0Ag\u00eancia Brasil\u00a0visitou\u00a0Macei\u00f3, capital de Alagoas, cidade onde o percentual de coleta\u00a0de esgoto \u00e9\u00a011 pontos percentuais inferior \u00e0 media do pa\u00eds (51,9%).<\/p>\n<p>Quem chega a\u00a0Macei\u00f3 logo\u00a0se deslumbra com\u00a0azul do mar e a simpatia dos moradores. Mas, basta um olhar mais atento em\u00a0dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 praia para concluir que o deleite visual produzido pela natureza disputa espa\u00e7o com canais de esgoto a c\u00e9u aberto.<\/p>\n<div id=\"attachment_504771\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-504771 size-full lazyloaded\" src=\"https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/saneamento2009b.jpg\" sizes=\"(max-width: 754px) 100vw, 754px\" srcset=\"https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/saneamento2009b.jpg 754w, https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/saneamento2009b-567x378.jpg 567w\" alt=\"\" data-lazy-src=\"https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/saneamento2009b.jpg\" data-lazy-srcset=\"https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/saneamento2009b.jpg 754w, https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/saneamento2009b-567x378.jpg 567w\" data-lazy-sizes=\"(max-width: 754px) 100vw, 754px\" data-was-processed=\"true\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Capital alagoana sofre com a falta de saneamento b\u00e1sico (Foto: Carolina Gon\u00e7alves\/Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n<\/div>\n<p>O mais grave \u00e9 que grande parte dos dejetos, que corre\u00a0ao longo de rios e riachos e\u00a0cruza\u00a0diversos bairros da cidade, acaba\u00a0desaguando no mar.<\/p>\n<p>\u201cTemos praias lindas, mas n\u00f3s n\u00e3o usamos porque sabemos que s\u00e3o bem polu\u00eddas. Temos a Lagoa Munda\u00fa, dentro da cidade, e correndo para ela que tem v\u00e1rios bra\u00e7os de rios e riachos que, inclusive passam por bairros nobres, e todos servem para despejo de dejetos e lixos das casas\u201d, lamentou a advogada Rita Mendon\u00e7a.<\/p>\n<p>Alagoana e atuante em direitos humanos, Rita reconhece que foram feitos investimentos na \u00e1rea de saneamento, mas a popula\u00e7\u00e3o cresceu em velocidade desproporcional aos recursos aplicados. Outro alerta recai sobre a falta de conscientiza\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios habitantes.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas jogam lixo nesses rios e riachos porque n\u00e3o podem esperar o lixeiro passar. E todos desembocam no mar\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>A realidade para quem vive o dia a dia na capital alagoana tem reflexos que v\u00e3o al\u00e9m da balneabilidade das praias urbanas. Na economia, fam\u00edlias que j\u00e1 vivem em situa\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias e dependem da pesca do sururu correm o risco de terem a fonte de renda comprometida.<\/p>\n<p>Em 2014, o molusco, largamente encontrado nas regi\u00f5es lacustres de Alagoas em fun\u00e7\u00e3o dos encontros de \u00e1gua doce e salgada, foi registrado como patrim\u00f4nio imaterial do estado. Moradores, agora, relatam e lamentam a redu\u00e7\u00e3o do volume pescado em decorr\u00eancia da polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio \u00e9 tamb\u00e9m alvo do problema. Empres\u00e1ria e dona de uma loja de roupas no bairro da Jati\u00faca, Vanessa Taveiros, aponta para\u00a0o esgoto que corre\u00a0ao lado de um dos restaurantes mais badalados de\u00a0Macei\u00f3.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 foram feitas v\u00e1rias den\u00fancias e nada \u00e9 feito. Quando chove, tudo fica alagado, tem ruas aqui na Jati\u00faca que nenhum carro passa e os lojistas ficam sem vender porque fica tudo interditado\u201d, disse.<\/p>\n<p>Na sa\u00fade, os problemas relacionados ao saneamento aparecem em n\u00fameros de sete d\u00edgitos. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, em todo o estado, ao longo de 2017, foram gastos mais de R$ 2,2 milh\u00f5es com 5.183 interna\u00e7\u00f5es no SUS\u00a0de pacientes com doen\u00e7as ligadas \u00e0\u00a0falta de saneamento b\u00e1sico e acesso \u00e0 \u00e1gua de qualidade. No mesmo ano, em todo o pa\u00eds, o total de gastos com este tipo de interna\u00e7\u00e3o somou\u00a0R$ 100 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O rol dessas doen\u00e7as inclui desde diarreias e problemas dermatol\u00f3gicos at\u00e9 infec\u00e7\u00f5es mais graves, c\u00f3lera, sarampo, al\u00e9m do agravamento de epidemias, j\u00e1 que a exposi\u00e7\u00e3o do esgoto a c\u00e9u aberto aumenta condi\u00e7\u00f5es para a prolifera\u00e7\u00e3o do mosquito transmissor de dengue, chikungunya e zika.<\/p>\n<p>Macei\u00f3 n\u00e3o \u00e9 uma cidade planejada e \u00e9 poss\u00edvel ver que o problema do saneamento afeta todas as classes econ\u00f4micas. Algumas ruas come\u00e7am na praia, como na Jat\u00educa, com pr\u00e9dios e casas visualmente de classe m\u00e9dia alta, e terminam em trechos extremamente pobres.<\/p>\n<p>O despejo de lixo nos rios e riachos \u00e9 feito por parte da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m \u00e9 parte dos alagoanos que lamenta os efeitos dessa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o vou esquecer nunca. A gente sa\u00eda da escola e vinha direto para a Praia da Avenida. Era aqui que pass\u00e1vamos os finais de semana com a fam\u00edlia tamb\u00e9m. Agora \u00e9 imposs\u00edvel\u201d, lamentou o taxista, de 54 anos, que n\u00e3o quis se identificar. Segundo ele, at\u00e9 dejetos de um hospital foram lan\u00e7ados pelo canal que desemboca na praia que faz parte de seu imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p>A\u00a0concess\u00e3o dos servi\u00e7os de saneamento \u00e9\u00a0da\u00a0Companhia de Saneamento de Alagoas\u00a0(Casal)\u00a0que, em fun\u00e7\u00e3o do per\u00edodo eleitoral, preferiu n\u00e3o conceder entrevistas.<\/p>\n<p>Em nota enviada \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil, assessores informaram que, dos\u00a0102 munic\u00edpios do estado, a Casal\u00a0opera\u00a0em 77. Desses, 12 t\u00eam\u00a0rede coletora de esgoto, incluindo\u00a0Macei\u00f3. Em v\u00e1rios munic\u00edpios do interior, existem obras de implanta\u00e7\u00e3o de rede da Funasa e da Codevasf, que s\u00e3o \u00f3rg\u00e3os federais. \u201cSomente ap\u00f3s a conclus\u00e3o dessas obras \u00e9 que os sistemas s\u00e3o entregues para a Casal operar\u201d, destacaram os assessores.<\/p>\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio das Cidades, est\u00e3o previstos no or\u00e7amento\u00a0investimentos da ordem de R$ 277 milh\u00f5es para a capital alagoana. Esse total inclui desde abastecimento de \u00e1gua, esgotamento sanit\u00e1rio, manejo de res\u00edduos s\u00f3lidos e estudos e projetos.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 foram conclu\u00eddos 5 empreendimentos, no valor de R$ 76,5 milh\u00f5es, beneficiando 83,8 mil fam\u00edlias\u201d, informou a assessoria do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda diante de n\u00fameros produzidos pela pasta \u2013 divulgados pelo Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es sobre Saneamento (SNIS) \u2013 em 2016, 96,2% da popula\u00e7\u00e3o de\u00a0Macei\u00f3 foram\u00a0atendidas com rede geral de abastecimento de \u00e1gua e 40,3%, com coleta de esgoto, \u201cindependentemente de existir tratamento\u201d.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao total da popula\u00e7\u00e3o representada pelos munic\u00edpios que responderam ao SNIS no ano de refer\u00eancia,\u00a0Macei\u00f3 tem o\u00a0\u00edndice de abastecimento\u00a0de \u00e1gua superior \u00e0 m\u00e9dia do Brasil (93%) e \u00edndice de atendimento total de esgoto 11 pontos percentuais inferior ao do pa\u00eds (51,9%).<\/p>\n<p>Para\u00edba Online<\/p>\n<p>Cariri em A\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Leia mais not\u00edcias em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.caririemacao.com\/\">caririemacao.com<\/a>, siga nossa p\u00e1gina no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/CaririEmAcao\/?ref=aymt_homepage_panel\">Facebook<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cariri_em_acao\/?hl=pt-br\">Instagram<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCAptA0jQuYQy8vMhLt2m4qg\">Youtube<\/a>\u00a0e veja nossas mat\u00e9rias, v\u00eddeos e fotos. 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Foto: Carolina Gon\u00e7alves\/Ag\u00eancia Brasil Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da\u00a0Sa\u00fade (OMS), cada d\u00f3lar investido em \u00e1gua e saneamento resultaria em uma economia de US$ 4,3 em custos de sa\u00fade no mundo. Recentemente, organiza\u00e7\u00f5es ligadas ao setor privado de saneamento, reunidas em S\u00e3o Paulo, refor\u00e7aram a teoria da economia produzida por este investimento. Pelas contas do grupo, a universaliza\u00e7\u00e3o do saneamento b\u00e1sico no Brasil geraria uma economia anual de R$ 1,4 bilh\u00e3o\u00a0em gastos na \u00e1rea da sa\u00fade. No mesmo evento \u2013 Encontro Nacional das \u00c1guas \u2013 os representantes das empresas apontaram que dos 5.570 munic\u00edpios do pa\u00eds, apenas 1.600 t\u00eam pelo menos uma esta\u00e7\u00e3o de tratamento de esgoto e 100 milh\u00f5es de brasileiros ainda n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 tratamento\u00a0de esgoto. Atualmente, de acordo com o Instituto Trata Brasil, apenas 44,92% dos esgotos coletados no pa\u00eds s\u00e3o tratados. O Brasil tem uma meta de universaliza\u00e7\u00e3o do saneamento at\u00e9 2033. Este objetivo previsto no Plano Nacional de Saneamento B\u00e1sico, representaria um gasto de cerca de R$ 15 milh\u00f5es anuais, ao longo de 20 anos. E este \u00e9 um dos desafios para os governantes a serem eleitos em outubro. A reportagem da\u00a0Ag\u00eancia Brasil\u00a0visitou\u00a0Macei\u00f3, capital de Alagoas, cidade onde o percentual de coleta\u00a0de esgoto \u00e9\u00a011 pontos percentuais inferior \u00e0 media do pa\u00eds (51,9%). Quem chega a\u00a0Macei\u00f3 logo\u00a0se deslumbra com\u00a0azul do mar e a simpatia dos moradores. Mas, basta um olhar mais atento em\u00a0dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 praia para concluir que o deleite visual produzido pela natureza disputa espa\u00e7o com canais de esgoto a c\u00e9u aberto. Capital alagoana sofre com a falta de saneamento b\u00e1sico (Foto: Carolina Gon\u00e7alves\/Ag\u00eancia Brasil) O mais grave \u00e9 que grande parte dos dejetos, que corre\u00a0ao longo de rios e riachos e\u00a0cruza\u00a0diversos bairros da cidade, acaba\u00a0desaguando no mar. \u201cTemos praias lindas, mas n\u00f3s n\u00e3o usamos porque sabemos que s\u00e3o bem polu\u00eddas. Temos a Lagoa Munda\u00fa, dentro da cidade, e correndo para ela que tem v\u00e1rios bra\u00e7os de rios e riachos que, inclusive passam por bairros nobres, e todos servem para despejo de dejetos e lixos das casas\u201d, lamentou a advogada Rita Mendon\u00e7a. Alagoana e atuante em direitos humanos, Rita reconhece que foram feitos investimentos na \u00e1rea de saneamento, mas a popula\u00e7\u00e3o cresceu em velocidade desproporcional aos recursos aplicados. Outro alerta recai sobre a falta de conscientiza\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios habitantes. \u201cAs pessoas jogam lixo nesses rios e riachos porque n\u00e3o podem esperar o lixeiro passar. E todos desembocam no mar\u201d, lamentou. A realidade para quem vive o dia a dia na capital alagoana tem reflexos que v\u00e3o al\u00e9m da balneabilidade das praias urbanas. Na economia, fam\u00edlias que j\u00e1 vivem em situa\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias e dependem da pesca do sururu correm o risco de terem a fonte de renda comprometida. Em 2014, o molusco, largamente encontrado nas regi\u00f5es lacustres de Alagoas em fun\u00e7\u00e3o dos encontros de \u00e1gua doce e salgada, foi registrado como patrim\u00f4nio imaterial do estado. Moradores, agora, relatam e lamentam a redu\u00e7\u00e3o do volume pescado em decorr\u00eancia da polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. O com\u00e9rcio \u00e9 tamb\u00e9m alvo do problema. Empres\u00e1ria e dona de uma loja de roupas no bairro da Jati\u00faca, Vanessa Taveiros, aponta para\u00a0o esgoto que corre\u00a0ao lado de um dos restaurantes mais badalados de\u00a0Macei\u00f3. \u201cJ\u00e1 foram feitas v\u00e1rias den\u00fancias e nada \u00e9 feito. Quando chove, tudo fica alagado, tem ruas aqui na Jati\u00faca que nenhum carro passa e os lojistas ficam sem vender porque fica tudo interditado\u201d, disse. Na sa\u00fade, os problemas relacionados ao saneamento aparecem em n\u00fameros de sete d\u00edgitos. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, em todo o estado, ao longo de 2017, foram gastos mais de R$ 2,2 milh\u00f5es com 5.183 interna\u00e7\u00f5es no SUS\u00a0de pacientes com doen\u00e7as ligadas \u00e0\u00a0falta de saneamento b\u00e1sico e acesso \u00e0 \u00e1gua de qualidade. No mesmo ano, em todo o pa\u00eds, o total de gastos com este tipo de interna\u00e7\u00e3o somou\u00a0R$ 100 milh\u00f5es. O rol dessas doen\u00e7as inclui desde diarreias e problemas dermatol\u00f3gicos at\u00e9 infec\u00e7\u00f5es mais graves, c\u00f3lera, sarampo, al\u00e9m do agravamento de epidemias, j\u00e1 que a exposi\u00e7\u00e3o do esgoto a c\u00e9u aberto aumenta condi\u00e7\u00f5es para a prolifera\u00e7\u00e3o do mosquito transmissor de dengue, chikungunya e zika. Macei\u00f3 n\u00e3o \u00e9 uma cidade planejada e \u00e9 poss\u00edvel ver que o problema do saneamento afeta todas as classes econ\u00f4micas. Algumas ruas come\u00e7am na praia, como na Jat\u00educa, com pr\u00e9dios e casas visualmente de classe m\u00e9dia alta, e terminam em trechos extremamente pobres. O despejo de lixo nos rios e riachos \u00e9 feito por parte da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m \u00e9 parte dos alagoanos que lamenta os efeitos dessa pr\u00e1tica. \u201cN\u00e3o vou esquecer nunca. A gente sa\u00eda da escola e vinha direto para a Praia da Avenida. Era aqui que pass\u00e1vamos os finais de semana com a fam\u00edlia tamb\u00e9m. Agora \u00e9 imposs\u00edvel\u201d, lamentou o taxista, de 54 anos, que n\u00e3o quis se identificar. Segundo ele, at\u00e9 dejetos de um hospital foram lan\u00e7ados pelo canal que desemboca na praia que faz parte de seu imagin\u00e1rio. A\u00a0concess\u00e3o dos servi\u00e7os de saneamento \u00e9\u00a0da\u00a0Companhia de Saneamento de Alagoas\u00a0(Casal)\u00a0que, em fun\u00e7\u00e3o do per\u00edodo eleitoral, preferiu n\u00e3o conceder entrevistas. Em nota enviada \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil, assessores informaram que, dos\u00a0102 munic\u00edpios do estado, a Casal\u00a0opera\u00a0em 77. Desses, 12 t\u00eam\u00a0rede coletora de esgoto, incluindo\u00a0Macei\u00f3. Em v\u00e1rios munic\u00edpios do interior, existem obras de implanta\u00e7\u00e3o de rede da Funasa e da Codevasf, que s\u00e3o \u00f3rg\u00e3os federais. \u201cSomente ap\u00f3s a conclus\u00e3o dessas obras \u00e9 que os sistemas s\u00e3o entregues para a Casal operar\u201d, destacaram os assessores. De acordo com o Minist\u00e9rio das Cidades, est\u00e3o previstos no or\u00e7amento\u00a0investimentos da ordem de R$ 277 milh\u00f5es para a capital alagoana. 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