{"id":67025,"date":"2018-10-03T14:59:49","date_gmt":"2018-10-03T17:59:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=67025"},"modified":"2018-10-03T14:59:49","modified_gmt":"2018-10-03T17:59:49","slug":"parceiro-de-paulinho-da-viola-casquinha-da-portela-morre-aos-95","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2018\/10\/03\/parceiro-de-paulinho-da-viola-casquinha-da-portela-morre-aos-95\/","title":{"rendered":"Parceiro de Paulinho da Viola, Casquinha da Portela morre aos 95"},"content":{"rendered":"<div class=\"content\">\n<p>\u00a0Em 1964, o t\u00edmido e desconhecido Paulo C\u00e9sar Baptista de Faria foi provocado, na quadra da Portela, a mostrar algum samba aos compositores da escola. Disse que s\u00f3 tinha um peda\u00e7o e cantarolou os versos da m\u00fasica que viria a se chamar \u201cRecado\u201d.<\/p>\n<p>Craque da improvisa\u00e7\u00e3o, Otto Enrique Trepte criou logo a segunda parte. Tornaram-se parceiros, apesar de um ter 20 anos a mais do que o outro.<\/p>\n<p>Paulo C\u00e9sar se tornou Paulinho da Viola. Otto Enrique, filho de alem\u00e3o com negra, portelense desde a inf\u00e2ncia, banc\u00e1rio e ex-jogador de futebol de clubes pequenos, j\u00e1 era conhecido como Casquinha. Ganhara o apelido depois de comer um peda\u00e7o de carne ca\u00eddo do prato de um colega.<\/p>\n<p>\u201cRecado\u201d se tornou uma das composi\u00e7\u00f5es mais conhecidas de Casquinha, em parte por causa da proje\u00e7\u00e3o que o parceiro teve ao longo dos anos. Mas \u00e9 injusto reduzir sua obra a esse samba.<\/p>\n<p>Se o crit\u00e9rio for sucesso popular, h\u00e1 um at\u00e9 maior: \u201cA Chuva Cai\u201d, parceria com o tamb\u00e9m portelense Argemiro Patroc\u00ednio, lan\u00e7ado por Beth Carvalho em 1980.<\/p>\n<p>Caso a avalia\u00e7\u00e3o seja por qualidade, h\u00e1 v\u00e1rios que podem ser lembrados. Exemplos: \u201cMaria Sambamba\u201d (inclu\u00eddo por Jo\u00e3o Nogueira em seu primeiro disco solo, de 1972); \u201cGorjear da Passarada\u201d (tamb\u00e9m com Argemiro e tamb\u00e9m lan\u00e7ado por Beth Carvalho, em 1981); \u201cO Ideal \u00e9 Competir\u201d (parceria com Candeia que Paulinho da Viola gravou em 1996).<br \/>\nEra t\u00e3o bom nas m\u00fasicas mais l\u00edricas quanto nas divertidas.<\/p>\n<p>Estas combinavam com o seu temperamento e com a tradi\u00e7\u00e3o do partido-alto, que honrava com suas improvisa\u00e7\u00f5es. Zeca Pagodinho gravou \u201cCoroa Avan\u00e7ada\u201d.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que Casquinha passou a criar sambas por acaso. Candeia gostou da voz dele e pediu a Ventura, lideran\u00e7a da Portela, que o deixasse entrar na ala dos compositores.<\/p>\n<p>O teste era mostrar dois sambas. Casquinha, que nunca fizera nenhum, produziu os dois -um deles com Candeia- e foi aceito.<\/p>\n<p>Isso foi no final da d\u00e9cada de 1940. Seu maior momento na ala de compositores aconteceu no Carnaval de 1959, quando a escola foi campe\u00e3 com o enredo \u201cBrasil, Pantheon de Gl\u00f3rias\u201d. O samba era dele, de Candeia, Valdir 59, Altair Prego e Bubu.<\/p>\n<p>Nos anos 1960 fez parte do grupo Os Mensageiros do Samba com, entre outros, Candeia, Picolino e Arlindo (pai de Arlindo Cruz).<\/p>\n<p>Tocou surdo no primeiro disco da Velha Guarda da Portela, de 1970, e depois passou a integr\u00e1-la. No CD \u201cTudo Azul\u201d (1999), produzido por Marisa Monte, ele interpretou seus sambas \u201cVem, Amor\u201d e \u201cFalsas Juras\u201d (outra parceria com Candeia).<\/p>\n<p>Seu primeiro disco solo foi realizado apenas em 2001, com produ\u00e7\u00e3o de Moacyr Luz. Em 2014, foi reverenciado no DVD \u201cCasquinha da Portela \u2013 O Samba N\u00e3o Tem Cor\u201d, com participa\u00e7\u00f5es de Zeca Pagodinho e outros.<\/p>\n<p>Morreu nesta ter\u00e7a (2) aos 95 anos, de infec\u00e7\u00e3o generalizada. Estava internado desde o \u00faltimo dia 22, no Rio. O vel\u00f3rio aconteceu na ter\u00e7a na antiga quadra da Portela, onde conheceu Paulinho da Viola.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Folha Press\/Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\u00a0\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Em 1964, o t\u00edmido e desconhecido Paulo C\u00e9sar Baptista de Faria foi provocado, na quadra da Portela, a mostrar algum samba aos compositores da escola. Disse que s\u00f3 tinha um peda\u00e7o e cantarolou os versos da m\u00fasica que viria a se chamar \u201cRecado\u201d. Craque da improvisa\u00e7\u00e3o, Otto Enrique Trepte criou logo a segunda parte. Tornaram-se parceiros, apesar de um ter 20 anos a mais do que o outro. Paulo C\u00e9sar se tornou Paulinho da Viola. Otto Enrique, filho de alem\u00e3o com negra, portelense desde a inf\u00e2ncia, banc\u00e1rio e ex-jogador de futebol de clubes pequenos, j\u00e1 era conhecido como Casquinha. Ganhara o apelido depois de comer um peda\u00e7o de carne ca\u00eddo do prato de um colega. \u201cRecado\u201d se tornou uma das composi\u00e7\u00f5es mais conhecidas de Casquinha, em parte por causa da proje\u00e7\u00e3o que o parceiro teve ao longo dos anos. Mas \u00e9 injusto reduzir sua obra a esse samba. Se o crit\u00e9rio for sucesso popular, h\u00e1 um at\u00e9 maior: \u201cA Chuva Cai\u201d, parceria com o tamb\u00e9m portelense Argemiro Patroc\u00ednio, lan\u00e7ado por Beth Carvalho em 1980. Caso a avalia\u00e7\u00e3o seja por qualidade, h\u00e1 v\u00e1rios que podem ser lembrados. Exemplos: \u201cMaria Sambamba\u201d (inclu\u00eddo por Jo\u00e3o Nogueira em seu primeiro disco solo, de 1972); \u201cGorjear da Passarada\u201d (tamb\u00e9m com Argemiro e tamb\u00e9m lan\u00e7ado por Beth Carvalho, em 1981); \u201cO Ideal \u00e9 Competir\u201d (parceria com Candeia que Paulinho da Viola gravou em 1996). Era t\u00e3o bom nas m\u00fasicas mais l\u00edricas quanto nas divertidas. Estas combinavam com o seu temperamento e com a tradi\u00e7\u00e3o do partido-alto, que honrava com suas improvisa\u00e7\u00f5es. Zeca Pagodinho gravou \u201cCoroa Avan\u00e7ada\u201d. Pode-se dizer que Casquinha passou a criar sambas por acaso. Candeia gostou da voz dele e pediu a Ventura, lideran\u00e7a da Portela, que o deixasse entrar na ala dos compositores. O teste era mostrar dois sambas. Casquinha, que nunca fizera nenhum, produziu os dois -um deles com Candeia- e foi aceito. Isso foi no final da d\u00e9cada de 1940. Seu maior momento na ala de compositores aconteceu no Carnaval de 1959, quando a escola foi campe\u00e3 com o enredo \u201cBrasil, Pantheon de Gl\u00f3rias\u201d. O samba era dele, de Candeia, Valdir 59, Altair Prego e Bubu. Nos anos 1960 fez parte do grupo Os Mensageiros do Samba com, entre outros, Candeia, Picolino e Arlindo (pai de Arlindo Cruz). Tocou surdo no primeiro disco da Velha Guarda da Portela, de 1970, e depois passou a integr\u00e1-la. No CD \u201cTudo Azul\u201d (1999), produzido por Marisa Monte, ele interpretou seus sambas \u201cVem, Amor\u201d e \u201cFalsas Juras\u201d (outra parceria com Candeia). Seu primeiro disco solo foi realizado apenas em 2001, com produ\u00e7\u00e3o de Moacyr Luz. Em 2014, foi reverenciado no DVD \u201cCasquinha da Portela \u2013 O Samba N\u00e3o Tem Cor\u201d, com participa\u00e7\u00f5es de Zeca Pagodinho e outros. Morreu nesta ter\u00e7a (2) aos 95 anos, de infec\u00e7\u00e3o generalizada. Estava internado desde o \u00faltimo dia 22, no Rio. O vel\u00f3rio aconteceu na ter\u00e7a na antiga quadra da Portela, onde conheceu Paulinho da Viola. 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