{"id":74059,"date":"2018-11-23T13:13:56","date_gmt":"2018-11-23T16:13:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=74059"},"modified":"2018-11-23T13:13:56","modified_gmt":"2018-11-23T16:13:56","slug":"postos-seguram-repasse-da-queda-da-gasolina-e-aumentam-margem-de-lucro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2018\/11\/23\/postos-seguram-repasse-da-queda-da-gasolina-e-aumentam-margem-de-lucro\/","title":{"rendered":"Postos seguram repasse da queda da gasolina e aumentam margem de lucro"},"content":{"rendered":"<p>A margem de lucro dos postos brasileiros com a venda de gasolina aumentou 27,2% desde que a Petrobras come\u00e7ou a reduzir o pre\u00e7o do combust\u00edvel nas refinarias, de acordo com a ANP (Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s e Biocombust\u00edveis).<\/p>\n<p>O aumento \u00e9 um dos fatores que vem impedindo o repasse total da queda da gasolina ao consumidor, ao lado dos impostos estaduais, que ainda n\u00e3o acompanharam a redu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a ANP, a fatia que fica com os postos chegou na semana passada a R$ 0,542 por litro, o maior valor desde a virada de maio para junho, quando a paralisa\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros provocava problemas de abastecimento no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A alta ocorre em um momento em que a Petrobras pratica cortes sucessivos no pre\u00e7o da gasolina em suas refinarias, acompanhando o recuo da taxa de c\u00e2mbio e das cota\u00e7\u00f5es internacionais. Entre 24 de setembro, quando a estatal iniciou o ciclo de cortes e sexta (16), a queda acumulada era de 28,5%, ou R$ 0,642 por litro.<\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo, as distribuidoras, que compram gasolina pura da Petrobras e misturam ao etanol antes de revender os postos, reduziram seus pre\u00e7os em 4,64%, ou R$ 0,198 por litro. Nos postos, por\u00e9m, a queda \u00e9 de apenas 1,75%, ou R$ 0,08 por litro.<\/p>\n<p>De acordo com a ANP, a margem dos postos cresceu R$ 0,11 por litro no mesmo per\u00edodo, em movimento contr\u00e1rio aos demais elos da cadeia. Na semana passada, a fatia da revenda representou 11,7% do pre\u00e7o final, contra 9,1% na semana de 24 de setembro.<\/p>\n<p>Cr\u00edtica da pesquisa de pre\u00e7os da ANP, a Fecombust\u00edveis (federa\u00e7\u00e3o que representa os donos de postos) questiona os dados e diz que a queda de pre\u00e7os ao consumidor depende tamb\u00e9m da velocidade dos repasses promovidos pelas distribuidoras de combust\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cEsse processo demora um pouco porque as distribuidoras costumam trabalhar com estoques altos e normalmente demoram a repassar para a gente, porque vendem primeiro o estoque a pre\u00e7os mais altos\u201d, afirma o presidente da entidade, Paulo Miranda.<\/p>\n<p>Ele diz que, em per\u00edodos de alta, os postos costumam segurar repasses di\u00e1rios, comprimindo duas margens, e o mesmo movimento pode estar acontecendo no ciclo de baixa. \u201cEssa margem atual n\u00e3o est\u00e1 muito longe da margem hist\u00f3rica\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Os dados da ANP mostram que as margens dos postos se situavam em 12% a 13% do pre\u00e7o final at\u00e9 o fim de 2017, quando se iniciou a escalada de pre\u00e7os nas refinarias em resposta ao aumento do d\u00f3lar e das cota\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, caem abaixo de 10% pela primeira vez desde que a ANP passou a compilar os dados, em 2002.<\/p>\n<p>Para o consultor Luiz Henrique Sanches, o movimento pode refletir recomposi\u00e7\u00e3o de margens ap\u00f3s um per\u00edodo de gasolina cara e forte competi\u00e7\u00e3o com o etanol. \u201cOs postos est\u00e3o trabalhando com margens muito baixas\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>A carga tribut\u00e1ria sobre a gasolina tamb\u00e9m n\u00e3o acompanhou a queda do pre\u00e7o nas refinarias. Pelo contr\u00e1rio, o ICMS vem subindo na maior parte dos estados brasileiros, ajudando a segurar o repasse para o consumidor.<\/p>\n<p>O ICMS \u00e9 cobrado sobre um valor definido quinzenalmente pelas secretarias de Fazenda, conhecido como PMPF (pre\u00e7o m\u00e9dio ponderado ao consumidor final). Sobre esse pre\u00e7o, incide a al\u00edquota, que varia de 25% a 34%, dependendo do estado.<\/p>\n<p>Desde a segunda quinzena de setembro, apenas dois estados n\u00e3o aumentaram o PMPF: Bahia e Par\u00e1. Todos os demais e o Distrito Federal elevaram o valor usado como refer\u00eancia para o recolhimento do imposto.<\/p>\n<p>As maiores altas foram promovidas por Amap\u00e1 e Cear\u00e1 -10,97% e 10,31%, respectivamente. Em S\u00e3o Paulo, o PMPF foi elevado em 6,51% desde a segunda quinzena de setembro. Atualmente, o ICMS no estado \u00e9 cobrado sobre o valor de R$ 4,499 por litro, acima do pre\u00e7o m\u00e9dio verificado pela ANP, de R$ 4,377.<\/p>\n<p>Os estados alegam que definem os valores de acordo com pesquisa de pre\u00e7os nos postos. Ou seja, o ICMS s\u00f3 \u00e9 alterado depois que os postos baixarem ou aumentarem seus pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Esse modelo de cobran\u00e7a \u00e9 questionado pelo setor de combust\u00edveis, por alavancar movimentos de alta e retardar movimentos de baixa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FolhaPress<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A margem de lucro dos postos brasileiros com a venda de gasolina aumentou 27,2% desde que a Petrobras come\u00e7ou a reduzir o pre\u00e7o do combust\u00edvel nas refinarias, de acordo com a ANP (Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s e Biocombust\u00edveis). O aumento \u00e9 um dos fatores que vem impedindo o repasse total da queda da gasolina ao consumidor, ao lado dos impostos estaduais, que ainda n\u00e3o acompanharam a redu\u00e7\u00e3o. Segundo a ANP, a fatia que fica com os postos chegou na semana passada a R$ 0,542 por litro, o maior valor desde a virada de maio para junho, quando a paralisa\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros provocava problemas de abastecimento no pa\u00eds. A alta ocorre em um momento em que a Petrobras pratica cortes sucessivos no pre\u00e7o da gasolina em suas refinarias, acompanhando o recuo da taxa de c\u00e2mbio e das cota\u00e7\u00f5es internacionais. Entre 24 de setembro, quando a estatal iniciou o ciclo de cortes e sexta (16), a queda acumulada era de 28,5%, ou R$ 0,642 por litro. No mesmo per\u00edodo, as distribuidoras, que compram gasolina pura da Petrobras e misturam ao etanol antes de revender os postos, reduziram seus pre\u00e7os em 4,64%, ou R$ 0,198 por litro. Nos postos, por\u00e9m, a queda \u00e9 de apenas 1,75%, ou R$ 0,08 por litro. De acordo com a ANP, a margem dos postos cresceu R$ 0,11 por litro no mesmo per\u00edodo, em movimento contr\u00e1rio aos demais elos da cadeia. Na semana passada, a fatia da revenda representou 11,7% do pre\u00e7o final, contra 9,1% na semana de 24 de setembro. Cr\u00edtica da pesquisa de pre\u00e7os da ANP, a Fecombust\u00edveis (federa\u00e7\u00e3o que representa os donos de postos) questiona os dados e diz que a queda de pre\u00e7os ao consumidor depende tamb\u00e9m da velocidade dos repasses promovidos pelas distribuidoras de combust\u00edveis. \u201cEsse processo demora um pouco porque as distribuidoras costumam trabalhar com estoques altos e normalmente demoram a repassar para a gente, porque vendem primeiro o estoque a pre\u00e7os mais altos\u201d, afirma o presidente da entidade, Paulo Miranda. Ele diz que, em per\u00edodos de alta, os postos costumam segurar repasses di\u00e1rios, comprimindo duas margens, e o mesmo movimento pode estar acontecendo no ciclo de baixa. \u201cEssa margem atual n\u00e3o est\u00e1 muito longe da margem hist\u00f3rica\u201d, afirmou. Os dados da ANP mostram que as margens dos postos se situavam em 12% a 13% do pre\u00e7o final at\u00e9 o fim de 2017, quando se iniciou a escalada de pre\u00e7os nas refinarias em resposta ao aumento do d\u00f3lar e das cota\u00e7\u00f5es internacionais. Em mar\u00e7o, caem abaixo de 10% pela primeira vez desde que a ANP passou a compilar os dados, em 2002. Para o consultor Luiz Henrique Sanches, o movimento pode refletir recomposi\u00e7\u00e3o de margens ap\u00f3s um per\u00edodo de gasolina cara e forte competi\u00e7\u00e3o com o etanol. \u201cOs postos est\u00e3o trabalhando com margens muito baixas\u201d, diz ele. A carga tribut\u00e1ria sobre a gasolina tamb\u00e9m n\u00e3o acompanhou a queda do pre\u00e7o nas refinarias. Pelo contr\u00e1rio, o ICMS vem subindo na maior parte dos estados brasileiros, ajudando a segurar o repasse para o consumidor. O ICMS \u00e9 cobrado sobre um valor definido quinzenalmente pelas secretarias de Fazenda, conhecido como PMPF (pre\u00e7o m\u00e9dio ponderado ao consumidor final). Sobre esse pre\u00e7o, incide a al\u00edquota, que varia de 25% a 34%, dependendo do estado. Desde a segunda quinzena de setembro, apenas dois estados n\u00e3o aumentaram o PMPF: Bahia e Par\u00e1. Todos os demais e o Distrito Federal elevaram o valor usado como refer\u00eancia para o recolhimento do imposto. As maiores altas foram promovidas por Amap\u00e1 e Cear\u00e1 -10,97% e 10,31%, respectivamente. Em S\u00e3o Paulo, o PMPF foi elevado em 6,51% desde a segunda quinzena de setembro. Atualmente, o ICMS no estado \u00e9 cobrado sobre o valor de R$ 4,499 por litro, acima do pre\u00e7o m\u00e9dio verificado pela ANP, de R$ 4,377. Os estados alegam que definem os valores de acordo com pesquisa de pre\u00e7os nos postos. Ou seja, o ICMS s\u00f3 \u00e9 alterado depois que os postos baixarem ou aumentarem seus pre\u00e7os. 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