{"id":75680,"date":"2018-12-07T11:48:43","date_gmt":"2018-12-07T14:48:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=75680"},"modified":"2018-12-07T11:48:43","modified_gmt":"2018-12-07T14:48:43","slug":"brasil-ja-tem-mais-de-5-milhoes-de-criancas-na-extrema-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2018\/12\/07\/brasil-ja-tem-mais-de-5-milhoes-de-criancas-na-extrema-pobreza\/","title":{"rendered":"Brasil j\u00e1 tem mais de 5 milh\u00f5es de crian\u00e7as na extrema pobreza"},"content":{"rendered":"<p>Quase meio milh\u00e3o de crian\u00e7as passou a viver na pobreza extrema no pa\u00eds apenas no ano passado. O Brasil tinha 5,253 milh\u00f5es de crian\u00e7as de at\u00e9 14 anos vivendo em situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria &#8211; suas fam\u00edlias as sustentavam com uma renda domiciliar per capita de apenas U$ 1,90 por dia, o equivalente a R$ 140 por m\u00eas por pessoa. Isso significa um aumento de 10% na compara\u00e7\u00e3o a 2016, o correspondente a 470 mil crian\u00e7as a mais.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros constam na S\u00edntese de Indicadores Sociais, referente a 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Os indicadores da pesquisa mostram que 12,5% crian\u00e7as de zero a 14 anos viviam na pobreza extrema no ano passado, ante 11,4% no ano anterior. O primeiro ano de recupera\u00e7\u00e3o da economia, portanto, n\u00e3o foi acompanhado pela melhora de vida no pa\u00eds.<\/p>\n<div class=\"ml-image mdl mblue mdl-img tabela-liberar-proporcao left ml-image-preset-media_library_small_horizontal  media-library-image\">\n<div class=\"hdr-right\">\n<div class=\"button zoom lazyload\" style=\"background:inherit; border: 0px currentColor; width: 31px; height: 31px; text-indent: -4000px; overflow: hidden; cursor: pointer; -ms-zoom: 1;\" data-bg=\"url(&#039;\/sites\/all\/themes\/basic\/css\/img\/icons\/zoom.png&#039;) no-repeat 9px 8px #107cb7\"><\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.valor.com.br\/sites\/default\/files\/gn\/18\/12\/arte07bra-101-crianca-a7.jpg\" rel=\"colorbox-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/www.valor.com.br\/crop\/imagecache\/media_library_small_horizontal\/0\/0\/754\/493\/sites\/default\/files\/gn\/18\/12\/arte07bra-101-crianca-a7.jpg\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/a><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Especialistas afirmam que a mis\u00e9ria tem implica\u00e7\u00f5es especialmente devastadoras sobre os mais jovens. Al\u00e9m da fome e de problemas de sa\u00fade, a mis\u00e9ria aumenta a probabilidade de uma crian\u00e7a ser colocada para trabalhar, de modo a complementar a renda da fam\u00edlia. O acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade tende a ser baixa, assim como as chances de se conseguir um<\/p>\n<p>Os n\u00fameros j\u00e1 eram assustadores. E agora se agravaram&#8221;, diz Heloisa Oliveira, administradora-executiva da Funda\u00e7\u00e3o Abrinq, que se dedica a promover a defesa dos direitos de crian\u00e7as e adolescentes. &#8220;A pobreza na inf\u00e2ncia tem um efeito geracional e compromete o desenvolvimento individual. A mis\u00e9ria \u00e9 acompanhada de aus\u00eancia de moradia adequada, de assist\u00eancia sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 multidimensional.&#8221;<\/p>\n<p>A pedido do <strong>Valor<\/strong>, o IBGE detalhou a varia\u00e7\u00e3o da extrema pobreza entre crian\u00e7as de cada regi\u00e3o do pa\u00eds. Das 470 mil crian\u00e7as que entraram na mis\u00e9ria no pa\u00eds, 271 mil est\u00e3o no Nordeste. Somente na Bahia foram 109 mil jovens a mais na mis\u00e9ria. Em Pernambuco, a pobreza extrema entre crian\u00e7as de zero a 14 anos cresceu 14% &#8211; 52 mil crian\u00e7as a mais. O \u00fanico Estado nordestino que n\u00e3o teve piora foi a Para\u00edba.<\/p>\n<p>Das demais grandes regi\u00f5es do pa\u00eds, o n\u00famero de crian\u00e7as miser\u00e1veis aumentou fortemente no Centro-Oeste (41%) e no Sul (21%). Apesar dos percentuais expressivos nesses duas regi\u00f5es, elas apresentam as menores propor\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as vivendo com no m\u00e1ximo US$ 1,90 por dia &#8211; 6% e 4%, respectivamente. Mesmo assim, os dados surpreendem porque o agroneg\u00f3cio tem peso relevante na atividade econ\u00f4mica dessas regi\u00f5es e foi respons\u00e1vel pelo crescimento da economia brasileira em 2017.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Sim\u00f5es, gerente do IBGE, lembra que, apesar do papel no crescimento do PIB do ano passado, a agroind\u00fastria n\u00e3o pode ser considerada uma importante empregadora. &#8220;A agroind\u00fastria emprega pouco e reduziu n\u00famero de pessoal ocupado no ano passado&#8221;, disse Sim\u00f5es, referindo-se ao fechamento de 434 mil vagas na atividade de agricultura, pecu\u00e1ria e produ\u00e7\u00e3o florestal em 2017 em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n<p>No Sudeste, o n\u00famero de crian\u00e7as vivendo com at\u00e9 US$ 1,90 por m\u00eas cresceu 10% e chegou a 1 milh\u00e3o. S\u00e3o Paulo tinha 415 mil jovens na mis\u00e9ria em 2017, 55 mil mais que no ano anterior. O crescimento tamb\u00e9m foi grande no Rio de Janeiro e no Esp\u00edrito Santo, de 17% e 30%, respectivamente. Essa pobreza urbana est\u00e1 marcada nas periferias e nas favelas das cidades, e seu avan\u00e7o est\u00e1 diretamente relacionado ao ciclo recessivo no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o Norte, por sua vez, foi onde a pobreza extrema entre crian\u00e7as cresceu menos na passagem de 2016 para 2017. A regi\u00e3o tinha 818 mil crian\u00e7as de zero a 14 anos vivendo com menos de US$ 1,90 por dia no ano passado, aumento de 0,7% frente ao ano anterior. O resultado local n\u00e3o foi pior que o das demais regi\u00f5es por causa do incremento da renda domiciliar per capita (todas as fontes) registrada nos Estados de Amazonas e Tocantins.<\/p>\n<p>Para Heloisa, da Abrinq, a redu\u00e7\u00e3o da pobreza depende de medidas para al\u00e9m da expans\u00e3o dos benef\u00edcios do Bolsa Fam\u00edlia. Para ela, a mis\u00e9ria precisa ser enfrentada para al\u00e9m da limita\u00e7\u00e3o da renda.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso identificar uma regi\u00e3o com pobreza e priorizar pol\u00edticas p\u00fablicas para esse conjunto. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 Bolsa Fam\u00edlia, \u00e9 tamb\u00e9m prioriza\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica p\u00fablica para educa\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia social, sa\u00fade, saneamento b\u00e1sico. A pobreza vem com tudo isso.&#8221;<\/p>\n<p>A pesquisa n\u00e3o apresentou dados de anos anteriores a 2016 devido a uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as metodol\u00f3gicas e de abrang\u00eancia de amostra. Sabe-se, contudo, que a pobreza e a desigualdade viveram um d\u00e9cada de decl\u00ednio dos anos 2000 at\u00e9 o in\u00edcio desta d\u00e9cada. Foi um per\u00edodo de crescimento econ\u00f4mico, gera\u00e7\u00e3o de empregos e expans\u00e3o de programas de transfer\u00eancia de renda.<\/p>\n<p>Para Pedro Herculano de Souza, t\u00e9cnico de planejamento do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), a situa\u00e7\u00e3o fiscal dificultou a ado\u00e7\u00e3o de medidas para amortecer o aumento da pobreza no pa\u00eds, como de programas sociais. Ele lembra que na crise de 2009 foi poss\u00edvel adotar medidas como a prorroga\u00e7\u00e3o de parcelas do seguro-desemprego.<\/p>\n<p>&#8220;Desta vez, o espa\u00e7o fiscal \u00e9 outro. Em situa\u00e7\u00f5es normais, o governo poderia ter lan\u00e7ado m\u00e3o de medidas antic\u00edclicas, como expandir o Bolsa Fam\u00edlia&#8221;, disse Souza, para quem a redu\u00e7\u00e3o da pobreza depender\u00e1, portanto, da melhora da economia e do mercado de trabalho. &#8220;Estamos no in\u00edcio de uma recupera\u00e7\u00e3o. \u00c9 cedo para reverter a tend\u00eancia. Espero que os n\u00fameros de 2018 mostrem melhora.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase meio milh\u00e3o de crian\u00e7as passou a viver na pobreza extrema no pa\u00eds apenas no ano passado. 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