{"id":81499,"date":"2019-01-18T09:25:41","date_gmt":"2019-01-18T12:25:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=81499"},"modified":"2019-01-18T09:25:45","modified_gmt":"2019-01-18T12:25:45","slug":"novos-governadores-perdem-um-em-cada-quatro-prefeitos-aliados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/01\/18\/novos-governadores-perdem-um-em-cada-quatro-prefeitos-aliados\/","title":{"rendered":"Novos governadores perdem um em cada quatro prefeitos aliados"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CAROLINA LINHARES E HENRIQUE CURI<br>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) \u2013 Os governadores eleitos em 2018 t\u00eam menos prefeituras aliadas em seus estados. O partido dos novos governadores faz parte da coliga\u00e7\u00e3o que venceu a elei\u00e7\u00e3o municipal de 2016 em 32,5% das cidades brasileiras -em 11,5% delas, prefeito e governador s\u00e3o filiados ao mesmo partido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para os governadores eleitos em 2014, considerando os prefeitos eleitos em 2016, a propor\u00e7\u00e3o de prefeituras aliadas era de 43,2%, uma queda de quase 11 pontos percentuais. A propor\u00e7\u00e3o de prefeitos e governadores da mesma sigla chegava a 19,5%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um em cada quatro prefeitos aliados deixou de s\u00ea-lo em fun\u00e7\u00e3o dos novos eleitos. Os dados consideram apenas alian\u00e7as partid\u00e1rias, mas h\u00e1 casos em que prefeitos e governadores se aliam mesmo em situa\u00e7\u00e3o de oposi\u00e7\u00e3o \u2013ou s\u00e3o inimigos dentro de uma mesma sigla.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O levantamento feito pela Folha de S.Paulo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que a propor\u00e7\u00e3o de prefeitos considerados aliados caiu significativamente em alguns estados, como Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que tamb\u00e9m influenciou a queda na taxa de prefeitos aliados foi a elei\u00e7\u00e3o em 2018 de partidos antes inexpressivos, como o PSL em Roraima, Rond\u00f4nia e Santa Catarina, e o Novo, em Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Santa Catarina, a queda de prefeitos aliados chegou a 96% \u2013de 140 para 6.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minas Gerais, que \u00e9 o estado com maior n\u00famero de munic\u00edpios (s\u00e3o 853), passou de 29% de prefeituras aliadas ao PT de Fernando Pimentel para zero, com Romeu Zema (Novo). O partido, registrado em 2015, ainda n\u00e3o tem nenhum prefeito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estudiosos consultados pela reportagem avaliam que a desconex\u00e3o entre prefeitos e governadores n\u00e3o vai durar muito \u2013n\u00e3o \u00e9 um bom neg\u00f3cio estar na oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTodo prefeito est\u00e1 de olho em como atrair recursos para o munic\u00edpio. Geralmente, eles mudam de partido ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de governadores para n\u00e3o perder esse acesso\u201d, afirma George Avelino Filho, professor de ci\u00eancia pol\u00edtica da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs prefeitos atuais v\u00e3o tentar sobreviver. Deve haver um \u00eaxodo de prefeitos de partidos tradicionais para partidos mais novos, que est\u00e3o mais populares. E v\u00e3o ser eleitos, em 2020, prefeitos desses partidos mais novos\u201d, concorda Maur\u00edcio Bugarin, professor de economia da Universidade de Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bugarin \u00e9 autor de uma tese precursora sobre as transfer\u00eancias partid\u00e1rias, ou seja, o fato de que repasses de verbas n\u00e3o obrigat\u00f3rias tendem a manifestar uma prefer\u00eancia partid\u00e1ria. Prefeitos aliados do governador costumam receber mais recursos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPrefeitos v\u00e3o come\u00e7ar desde agora a se aproximar mais do partido do presidente ou do governador, seja oficialmente ou indiretamente, para tentar conseguir um pouco desse benef\u00edcio\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Avelino lembra que 70% dos munic\u00edpios do pa\u00eds t\u00eam at\u00e9 20 mil habitantes e pouca capacidade de arrecada\u00e7\u00e3o. Embora o fen\u00f4meno das transfer\u00eancias seja mais significativo em estados mais ricos, mesmo os prefeitos de estados pobres tendem a recorrer ao governador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo as pesquisas de Bugarin, as transfer\u00eancias partid\u00e1rias dificultam a competi\u00e7\u00e3o eleitoral porque os eleitores tendem a votar em prefeitos alinhados com governador visando mais recursos, mas em 2018 prevaleceu o desejo de mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEsse esfor\u00e7o nacional contra a corrup\u00e7\u00e3o desacreditou demais o universo pol\u00edtico aos olhos dos eleitores, que deixaram de se preocupar com as transfer\u00eancias volunt\u00e1rias\u201d, diz Bugarin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Partidos tradicionais viram o casamento entre seus prefeitos e governadores perder for\u00e7a. A propor\u00e7\u00e3o de prefeitos aliados caiu de 30% a 40% para PT, MDB, PR e PSD. Para PSDB, PP e SD, a queda foi de cerca de 25%.Em 2020, Bugarin aposta que \u201co eleitor vai escolher o prefeito que permitir receber mais repasses \u2013algu\u00e9m do partido do presidente ou do governador\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paraiba Online<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CAROLINA LINHARES E HENRIQUE CURIS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) \u2013 Os governadores eleitos em 2018 t\u00eam menos prefeituras aliadas em seus estados. O partido dos novos governadores faz parte da coliga\u00e7\u00e3o que venceu a elei\u00e7\u00e3o municipal de 2016 em 32,5% das cidades brasileiras -em 11,5% delas, prefeito e governador s\u00e3o filiados ao mesmo partido. Para os governadores eleitos em 2014, considerando os prefeitos eleitos em 2016, a propor\u00e7\u00e3o de prefeituras aliadas era de 43,2%, uma queda de quase 11 pontos percentuais. A propor\u00e7\u00e3o de prefeitos e governadores da mesma sigla chegava a 19,5%. Um em cada quatro prefeitos aliados deixou de s\u00ea-lo em fun\u00e7\u00e3o dos novos eleitos. Os dados consideram apenas alian\u00e7as partid\u00e1rias, mas h\u00e1 casos em que prefeitos e governadores se aliam mesmo em situa\u00e7\u00e3o de oposi\u00e7\u00e3o \u2013ou s\u00e3o inimigos dentro de uma mesma sigla. O levantamento feito pela Folha de S.Paulo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que a propor\u00e7\u00e3o de prefeitos considerados aliados caiu significativamente em alguns estados, como Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte, por exemplo. O que tamb\u00e9m influenciou a queda na taxa de prefeitos aliados foi a elei\u00e7\u00e3o em 2018 de partidos antes inexpressivos, como o PSL em Roraima, Rond\u00f4nia e Santa Catarina, e o Novo, em Minas Gerais. Em Santa Catarina, a queda de prefeitos aliados chegou a 96% \u2013de 140 para 6. Minas Gerais, que \u00e9 o estado com maior n\u00famero de munic\u00edpios (s\u00e3o 853), passou de 29% de prefeituras aliadas ao PT de Fernando Pimentel para zero, com Romeu Zema (Novo). O partido, registrado em 2015, ainda n\u00e3o tem nenhum prefeito. Estudiosos consultados pela reportagem avaliam que a desconex\u00e3o entre prefeitos e governadores n\u00e3o vai durar muito \u2013n\u00e3o \u00e9 um bom neg\u00f3cio estar na oposi\u00e7\u00e3o. \u201cTodo prefeito est\u00e1 de olho em como atrair recursos para o munic\u00edpio. Geralmente, eles mudam de partido ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de governadores para n\u00e3o perder esse acesso\u201d, afirma George Avelino Filho, professor de ci\u00eancia pol\u00edtica da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas em S\u00e3o Paulo. \u201cOs prefeitos atuais v\u00e3o tentar sobreviver. Deve haver um \u00eaxodo de prefeitos de partidos tradicionais para partidos mais novos, que est\u00e3o mais populares. E v\u00e3o ser eleitos, em 2020, prefeitos desses partidos mais novos\u201d, concorda Maur\u00edcio Bugarin, professor de economia da Universidade de Bras\u00edlia. Bugarin \u00e9 autor de uma tese precursora sobre as transfer\u00eancias partid\u00e1rias, ou seja, o fato de que repasses de verbas n\u00e3o obrigat\u00f3rias tendem a manifestar uma prefer\u00eancia partid\u00e1ria. Prefeitos aliados do governador costumam receber mais recursos. \u201cPrefeitos v\u00e3o come\u00e7ar desde agora a se aproximar mais do partido do presidente ou do governador, seja oficialmente ou indiretamente, para tentar conseguir um pouco desse benef\u00edcio\u201d, diz. Avelino lembra que 70% dos munic\u00edpios do pa\u00eds t\u00eam at\u00e9 20 mil habitantes e pouca capacidade de arrecada\u00e7\u00e3o. Embora o fen\u00f4meno das transfer\u00eancias seja mais significativo em estados mais ricos, mesmo os prefeitos de estados pobres tendem a recorrer ao governador. Segundo as pesquisas de Bugarin, as transfer\u00eancias partid\u00e1rias dificultam a competi\u00e7\u00e3o eleitoral porque os eleitores tendem a votar em prefeitos alinhados com governador visando mais recursos, mas em 2018 prevaleceu o desejo de mudan\u00e7a. \u201cEsse esfor\u00e7o nacional contra a corrup\u00e7\u00e3o desacreditou demais o universo pol\u00edtico aos olhos dos eleitores, que deixaram de se preocupar com as transfer\u00eancias volunt\u00e1rias\u201d, diz Bugarin. Partidos tradicionais viram o casamento entre seus prefeitos e governadores perder for\u00e7a. A propor\u00e7\u00e3o de prefeitos aliados caiu de 30% a 40% para PT, MDB, PR e PSD. Para PSDB, PP e SD, a queda foi de cerca de 25%.Em 2020, Bugarin aposta que \u201co eleitor vai escolher o prefeito que permitir receber mais repasses \u2013algu\u00e9m do partido do presidente ou do governador\u201d. 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