{"id":85559,"date":"2019-02-18T09:48:44","date_gmt":"2019-02-18T12:48:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=85559"},"modified":"2019-02-18T09:48:48","modified_gmt":"2019-02-18T12:48:48","slug":"33-mulheres-barrigas-de-aluguel-no-camboja-sao-forcadas-a-criar-bebes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/02\/18\/33-mulheres-barrigas-de-aluguel-no-camboja-sao-forcadas-a-criar-bebes\/","title":{"rendered":"33 mulheres barrigas de aluguel no Camboja s\u00e3o for\u00e7adas a criar beb\u00eas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>Em junho de 2018, 33 mulheres gr\u00e1vidas foram presas e confinadas numa vila em Phnom Penh, capital do Camboja. Todas eram barrigas de aluguel de clientes estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria das 33 mulheres j\u00e1 havia dado \u00e0 luz uma crian\u00e7a pelo menos uma vez. J\u00e1 Thilda* estava em sua primeira gravidez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com 20 e poucos anos, Thilda \u00e9 casada com um reparador. Eles vivem em uma vila fora de Phnom Penh e ganham muito pouco. Assim, poderiam nunca conseguir bancar os custos de ter uma crian\u00e7a. Mas se Thilda ganhasse US$ 10 mil para gestar o filho de um estrangeiro, o casal poderia come\u00e7ar sua pr\u00f3pria fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, quando um representante de uma ag\u00eancia de barriga de aluguel visitou sua vila, Thilda se inscreveu e foi aceita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando um \u00f3vulo fecundado de um casal chin\u00eas foi implantado em seu \u00fatero, no fim de 2017, a gravidez de aluguel j\u00e1 havia sido proibida no Camboja havia mais de um ano. Mas apenas recentemente o banimento passou a ser controlado com mais rigor. A pena pode chegar a 20 anos de pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se eu soubesse que era ilegal, eu nunca teria feito isso&#8221;, afirma Thilda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez gr\u00e1vida, Thilda foi levada para uma resid\u00eancia lotada em Russey Keo, um bairro caro da capital do Cambodja. Al\u00e9m dela, outras 32 mulheres barrigas de aluguel estavam ali.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada quarto era ocupado por cinco mulheres ao mesmo tempo. &#8220;Os quartos eram t\u00e3o pequenos que n\u00e3o havia espa\u00e7o para andar&#8221;, relata Thilda. As sa\u00eddas eram restritas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, em junho de 2018, a pol\u00edcia encontrou o local e prendeu os funcion\u00e1rios da empresa de barriga de aluguel. Depois, as mulheres gr\u00e1vidas tamb\u00e9m foram denunciadas e presas &#8211; exceto uma mulher tailandesa, que foi deportada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Criar o beb\u00ea at\u00e9 os 18 anos ou ser presa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quatro meses ap\u00f3s a deten\u00e7\u00e3o, em outubro de 2018, Thilda come\u00e7ou a sentir contra\u00e7\u00f5es e foi levada ao hospital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o beb\u00ea nasceu, estava ansiosa para ver seu rosto. &#8220;Ele \u00e9 meu primeiro filho, eu realmente o amo muito. Me sinto p\u00e9ssima que ele tenha vindo ao mundo e tenha ficado detido no hospital da pol\u00edcia por meses&#8221;, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tr\u00eas dias depois do nascimento, os pais chineses do beb\u00ea chegaram ao Camboja e puderam se encontrar com Thilda. &#8220;Ele (o pai chin\u00eas) segurou o beb\u00ea e chorou, como se estivesse de cora\u00e7\u00e3o partido. Eu senti muita pena dele&#8221;, relata Thilda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O homem chin\u00eas passou 20 minutos com seu filho. Depois, se juntou a sua mulher, que o esperava do lado de fora. O encontro foi t\u00e3o r\u00e1pido que o casal e Thilda n\u00e3o chegaram a trocar n\u00fameros de telefone. Eles nunca mais se viram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois meses depois, Thilda e o beb\u00ea foram autorizados a deixar o hospital da pol\u00edcia. Por\u00e9m, com uma condi\u00e7\u00e3o: Thilda n\u00e3o deveria entregar a crian\u00e7a para os pais biol\u00f3gicos que contrataram o servi\u00e7o de barriga de aluguel. Em vez disso, ela deveria criar a crian\u00e7a at\u00e9 os 18 anos. Caso contr\u00e1rio, teria que cumprir a pena de 20 anos na cadeia pelo crime de ter sido barriga de aluguel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As outras mulheres gr\u00e1vidas detidas junto com Thilda tamb\u00e9m receberam a mesma imposi\u00e7\u00e3o. Ficou claro que todas elas seriam monitoradas constantemente, para garantir que ficariam com as crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Thilda, ent\u00e3o, voltou para sua casa com o beb\u00ea. Ela n\u00e3o parece arrependida de ter sido barriga de aluguel e gosta da crian\u00e7a como se fosse seu filho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu marido tamb\u00e9m ama a crian\u00e7a. &#8220;Meu marido sempre brinca com o beb\u00ea depois de chegar do trabalho. Ele ajuda a cuidar dele \u00e0 noite, para que eu possa dormir&#8221;, relata Thilda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sre-Oun, sua sogra, tamb\u00e9m est\u00e1 profundamente ligada ao novo membro da fam\u00edlia. &#8220;Eu n\u00e3o me importo que ele n\u00e3o tenha la\u00e7os de sangue com nossa fam\u00edlia. Agora, \u00e9 imposs\u00edvel entreg\u00e1-lo. \u00c9 t\u00e3o lindo, mesmo quando est\u00e1 gritando para brincarem com ele&#8221;, fala.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em junho de 2018, 33 mulheres gr\u00e1vidas foram presas e confinadas numa vila em Phnom Penh, capital do Camboja. Todas eram barrigas de aluguel de clientes estrangeiros. A maioria das 33 mulheres j\u00e1 havia dado \u00e0 luz uma crian\u00e7a pelo menos uma vez. J\u00e1 Thilda* estava em sua primeira gravidez. Com 20 e poucos anos, Thilda \u00e9 casada com um reparador. Eles vivem em uma vila fora de Phnom Penh e ganham muito pouco. Assim, poderiam nunca conseguir bancar os custos de ter uma crian\u00e7a. Mas se Thilda ganhasse US$ 10 mil para gestar o filho de um estrangeiro, o casal poderia come\u00e7ar sua pr\u00f3pria fam\u00edlia. Ent\u00e3o, quando um representante de uma ag\u00eancia de barriga de aluguel visitou sua vila, Thilda se inscreveu e foi aceita. Quando um \u00f3vulo fecundado de um casal chin\u00eas foi implantado em seu \u00fatero, no fim de 2017, a gravidez de aluguel j\u00e1 havia sido proibida no Camboja havia mais de um ano. Mas apenas recentemente o banimento passou a ser controlado com mais rigor. A pena pode chegar a 20 anos de pris\u00e3o. &#8220;Se eu soubesse que era ilegal, eu nunca teria feito isso&#8221;, afirma Thilda. Uma vez gr\u00e1vida, Thilda foi levada para uma resid\u00eancia lotada em Russey Keo, um bairro caro da capital do Cambodja. Al\u00e9m dela, outras 32 mulheres barrigas de aluguel estavam ali. Cada quarto era ocupado por cinco mulheres ao mesmo tempo. &#8220;Os quartos eram t\u00e3o pequenos que n\u00e3o havia espa\u00e7o para andar&#8221;, relata Thilda. As sa\u00eddas eram restritas. Por\u00e9m, em junho de 2018, a pol\u00edcia encontrou o local e prendeu os funcion\u00e1rios da empresa de barriga de aluguel. Depois, as mulheres gr\u00e1vidas tamb\u00e9m foram denunciadas e presas &#8211; exceto uma mulher tailandesa, que foi deportada. Criar o beb\u00ea at\u00e9 os 18 anos ou ser presa Quatro meses ap\u00f3s a deten\u00e7\u00e3o, em outubro de 2018, Thilda come\u00e7ou a sentir contra\u00e7\u00f5es e foi levada ao hospital. Quando o beb\u00ea nasceu, estava ansiosa para ver seu rosto. &#8220;Ele \u00e9 meu primeiro filho, eu realmente o amo muito. Me sinto p\u00e9ssima que ele tenha vindo ao mundo e tenha ficado detido no hospital da pol\u00edcia por meses&#8221;, diz ela. Tr\u00eas dias depois do nascimento, os pais chineses do beb\u00ea chegaram ao Camboja e puderam se encontrar com Thilda. &#8220;Ele (o pai chin\u00eas) segurou o beb\u00ea e chorou, como se estivesse de cora\u00e7\u00e3o partido. Eu senti muita pena dele&#8221;, relata Thilda. O homem chin\u00eas passou 20 minutos com seu filho. Depois, se juntou a sua mulher, que o esperava do lado de fora. O encontro foi t\u00e3o r\u00e1pido que o casal e Thilda n\u00e3o chegaram a trocar n\u00fameros de telefone. Eles nunca mais se viram. Dois meses depois, Thilda e o beb\u00ea foram autorizados a deixar o hospital da pol\u00edcia. Por\u00e9m, com uma condi\u00e7\u00e3o: Thilda n\u00e3o deveria entregar a crian\u00e7a para os pais biol\u00f3gicos que contrataram o servi\u00e7o de barriga de aluguel. Em vez disso, ela deveria criar a crian\u00e7a at\u00e9 os 18 anos. Caso contr\u00e1rio, teria que cumprir a pena de 20 anos na cadeia pelo crime de ter sido barriga de aluguel. As outras mulheres gr\u00e1vidas detidas junto com Thilda tamb\u00e9m receberam a mesma imposi\u00e7\u00e3o. Ficou claro que todas elas seriam monitoradas constantemente, para garantir que ficariam com as crian\u00e7as. Thilda, ent\u00e3o, voltou para sua casa com o beb\u00ea. Ela n\u00e3o parece arrependida de ter sido barriga de aluguel e gosta da crian\u00e7a como se fosse seu filho. 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