{"id":86237,"date":"2019-02-22T13:10:11","date_gmt":"2019-02-22T16:10:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=86237"},"modified":"2019-02-22T13:10:21","modified_gmt":"2019-02-22T16:10:21","slug":"os-novos-rolos-que-envolvem-flavio-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/02\/22\/os-novos-rolos-que-envolvem-flavio-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Os novos rolos que envolvem Fl\u00e1vio Bolsonaro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 uma outra Val na complicada vida pol\u00edtica da fam\u00edlia Bolsonaro. Se a primeira era uma suposta funcion\u00e1ria fantasma lotada no gabinete de Jair Bolsonaro quando deputado federal, a nova Val exibe liga\u00e7\u00f5es muito mais explosivas e perigosas. Quando foi desencadeada a opera\u00e7\u00e3o \u201cQuarto Elemento\u201d, do Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio de Janeiro, j\u00e1 era sabido que dois dos milicianos presos, os g\u00eameos Alan e Alex Rodrigues Oliveira, eram irm\u00e3os de Valdenice de Oliveira Meliga, e que ela era lotada no gabinete do ent\u00e3o deputado estadual e hoje senador Fl\u00e1vio Bolsonaro (PSL-RJ).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que n\u00e3o se sabia \u2014 e Isto\u00c9&nbsp;revela nesta reportagem \u2013 \u00e9 que Valdenice, a Val Meliga, era t\u00e3o merecedora da confian\u00e7a de Fl\u00e1vio que ele entregou a ela a responsabilidade pelas contas da sua campanha ao Senado. Val Meliga, irm\u00e3 dos milicianos, assinou cheques de despesas da campanha em nome de Fl\u00e1vio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" data-src=\"https:\/\/www.clickpb.com.br\/media\/filer_public\/27\/07\/270782ce-ab72-4880-9d12-26b3f21ac233\/whatsapp_image_2019-02-22_at_100929.jpeg\" alt=\"\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto\u00c9&nbsp;obteve dois cheques: um de R$ 3,5 mil e outro no valor de R$ 5 mil. Dona de uma empresa de eventos, a Me Liga Produ\u00e7\u00f5es e Eventos, Val era uma das pessoas a quem ele deu procura\u00e7\u00e3o, conforme documento enviado \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral, para cumprir a tarefa. Mas n\u00e3o s\u00f3. Aos poucos, Val Meliga revela-se uma personagem que pode ser tornar \u201cnitroglicerina pura\u201d para Fl\u00e1vio Bolsonaro. Ela \u00e9 uma das pontas de um intrincado novelo que une as duas maiores fragilidades que hoje fustigam o filho do presidente da Rep\u00fablica e seu partido, o PSL: al\u00e9m do envolvimento com as mil\u00edcias do Rio de Janeiro, o uso de supostos laranjas e expedientes na campanha para fazer retornar ao partido dinheiro do fundo partid\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Explica-se: um dos cheques assinados por Val, no valor de R$ 5 mil, \u00e9 destinado \u00e0 empresa Al\u00ea Solu\u00e7\u00f5es e Eventos Ltda, que pertence a Alessandra Cristina Ferreira de Oliveira. O pagamento \u00e9 referente ao servi\u00e7o de contabilidade das contas de Fl\u00e1vio Bolsonaro. Ocorre, por\u00e9m, que Alessandra era tamb\u00e9m funcion\u00e1ria do gabinete de Fl\u00e1vio na Assembleia Legislativa, com um sal\u00e1rio de R$ 5,1 mil. Estava vinculada ao escrit\u00f3rio da lideran\u00e7a do PSL na Alerj, exercida por Fl\u00e1vio. E, na \u00e9poca da campanha, exercia a fun\u00e7\u00e3o de primeira tesoureira do PSL. Mais do que isso, sua empresa n\u00e3o foi contratada para fazer somente a contabilidade de Fl\u00e1vio Bolsonaro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela, a primeira-tesoureira do PSL, ou seja, a pessoa a quem cabia destinar os recursos, fez, por meio de sua empresa, a contabilidade de 42 campanhas eleitorais do PSL do Rio. Ou seja: cerca de um a cada cinco postulantes a um cargo pol\u00edtico pelo PSL do Rio deixou sua contabilidade aos servi\u00e7os da Al\u00ea, empresa de Alessandra, tesoureira do partido. Assim, a respons\u00e1vel por entregar e distribuir os recursos do partido tinha parte do recurso de volta para as contas de uma empresa de sua responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para atrair os candidatos, Alessandra ofereceu um pacote mais barato do que o que eles encontrariam no mercado. Normalmente, uma empresa de contabilidade cobra R$ 4 mil pela administra\u00e7\u00e3o das contas de uma campanha. Ela cobrou dos candidatos menores R$ 750. Para os candidatos com chances m\u00e9dias, R$ 3 mil. Para as candidaturas mais fortes, como a do pr\u00f3prio Fl\u00e1vio, R$ 5 mil. Ganhou no atacado, n\u00e3o no varejo. Ao todo, sua empresa recebeu das campanhas R$ 55 mil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O \u201ccombo\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em mais uma ponta do novelo de recursos que v\u00e3o e voltam para pessoas do pr\u00f3prio PSL, Alessandra atuou em conjunto com o escrit\u00f3rio Jorge L.A. Domingues Sociedade Individual de Advocacia, que tem como um dos s\u00f3cios o advogado Gustavo Botto. Na presta\u00e7\u00e3o de contas \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral, Gustavo Botto tamb\u00e9m aparece como um dos administradores das contas de Fl\u00e1vio Bolsonaro. No combo que coloca Alessandra como contadora e Botto como advogado, estiveram 36 campanhas do PSL. Seus servi\u00e7os tamb\u00e9m variaram entre R$ 750 e R$ 5 mil. No total, renderam ao escrit\u00f3rio R$ 38 mil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De todas as aspirantes a cargos eletivos que contrataram Alessandra, mais de 95% conquistaram menos de dois mil votos. Candidatas do PSL ouvidas por Isto\u00c9&nbsp;relatam que, ao final, praticamente os \u00fanicos gastos que efetivamente fizeram na sua campanha foram com a empresa de Alessandra e o escrit\u00f3rio de Botto. Foi o caso de Karen Valladares, que obteve 2,5 mil votos no Rio e recebeu do PSL R$ 2,8 mil para a campanha. Ela pagou \u00e0s duas empresas e com o que sobrou contratou duas pessoas para cuidar das suas redes sociais. \u201cFoi praticamente uma troca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O valor que a gente recebeu, praticamente teve que devolver. Nem deu para fazer campanha\u201d, diz ela. \u201cEu n\u00e3o tinha experi\u00eancia nenhuma, com campanha. Ent\u00e3o, para n\u00e3o ficar andando de um lado para o outro, resolvi logo essa quest\u00e3o da contabilidade no partido\u201d, conta outra candidata, Ana Thaumaturgo, que teve 771 votos. Uma candidata, Heliana Souza, recebeu os mesmos R$ 2,8 mil do PSL. Pagou R$ 750 a Alessandra e R$ 750 ao advogado. O restante, ela devolveu para os cofres do Fundo Especial de Financiamento Eleitoral. Ou seja, Alessandra e Botto fizeram a contabilidade e a defesa de uma campanha que, na pr\u00e1tica, n\u00e3o gastou mais um centavo sequer e que, portanto, n\u00e3o existiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Endere\u00e7o fantasma<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 outros aspectos estranhos que envolvem a empresa de contabilidade de Alessandra. A Al\u00ea Solu\u00e7\u00f5es foi constitu\u00edda em maio de 2007. E, no come\u00e7o, era somente uma empresa de eventos, como a de Val Meliga. Segundo, por\u00e9m, o registro junto \u00e0 Receita Federal, existem dez atividades econ\u00f4micas secund\u00e1rias mais tarde incorporadas \u00e0 empresa. O mais pr\u00f3ximo de contabilidade que aparece s\u00e3o \u201cServi\u00e7os combinados de escrit\u00f3rio e apoio administrativo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A empresa tem capital social de R$ 60 mil. Para a Receita Federal, a Al\u00ea Solu\u00e7\u00f5es est\u00e1 localizada na Estrada dos Bandeirantes 11216, na Vargem Pequena. Talvez seja s\u00f3 coincid\u00eancia, mas a Vargem Pequena, em Jacarepagu\u00e1, \u00e9 uma das \u00e1reas cariocas dominadas pelas mil\u00edcias. Para o Tribunal Regional Eleitoral, no entanto, o endere\u00e7o anotado \u00e9 Avenida das Am\u00e9ricas n\u00famero 18000 sala 220 D, no Recreio dos Bandeirantes. Esse \u00e9 simplesmente o endere\u00e7o da sede do PSL do Rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Situa\u00e7\u00e3o semelhante acontece com o escrit\u00f3rio Jorge L.A. Domingues Sociedade Individual de Advocacia. Para a receita, o endere\u00e7o informado \u00e9 uma casa em Vila Valqueire. Para a Justi\u00e7a Eleitoral, foi novamente a sede do PSL do Rio. Por curiosidade, todos os endere\u00e7os mencionados ficam em Jacarepagu\u00e1. Onde tamb\u00e9m mora o ex-motorista Fabr\u00edcio Queiroz, o desaparecido primeiro suposto laranja ligado a Fl\u00e1vio Bolsonaro. E onde atuam as mil\u00edcias.<br>Isto\u00c9 apurou que, durante a campanha, a Al\u00ea s\u00f3 trabalhou na contabilidade dos candidatos. Entre maio de 2007 e agosto do ano passado, a empresa emitiu 183 notas fiscais eletr\u00f4nicas, conforme os registros do n\u00famero das notas concedido ao TRE. Uma m\u00e9dia de 16 notas por ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Somente durante a elei\u00e7\u00e3o foram 46 notas em 4 meses. Notas sequenciais, o que indica o servi\u00e7o exclusivo para as campanhas. Apenas no dia do primeiro turno da elei\u00e7\u00e3o, 7 de outubro, foram emitidas 18 notas fiscais entre as 21h31 e as 22h43. Uma m\u00e9dia de uma nota fiscal a cada 4 minutos. Houve caso de notas fiscais emitidas em um tempo inferior a 2 minutos entre uma e outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Procurada, Alessandra Oliveira disse n\u00e3o enxergar conflito \u00e9tico no fato de ser ao mesmo tempo tesoureira do partido, funcion\u00e1ria de Fl\u00e1vio Bolsonaro e ter contratado sua empresa para fazer a contabilidade das campanhas. Segundo seu racioc\u00ednio, o recurso do Fundo Partid\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 do PSL Estadual do Rio de Janeiro, mas do PSL Nacional. Ela afirma ter fundado a empresa junto com seu ex-marido. Depois que se separou dele, mudou o nome. Segundo ela, inicialmente a empresa funcionava na casa dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na campanha, mudou-se para uma sala no mesmo pr\u00e9dio onde funciona o PSL. H\u00e1, a\u00ed, uma contradi\u00e7\u00e3o, porque o endere\u00e7o declarado \u00e9 o do PSL, inclusive a sala. E Gustavo Botto afirma que trabalhava de fato na sede do partido para, segundo ele, \u201cfacilitar a administra\u00e7\u00e3o e resposta de eventuais comunica\u00e7\u00f5es processuais\u201d. Em resposta \u00e0 Isto\u00c9, Botto acrescentou que n\u00e3o houve conflito \u00e9tico na atua\u00e7\u00e3o dos advogados pelo \u201csimples fato de que n\u00e3o h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o de interesses entre partido e candidatos. Ainda que porventura existisse uma diverg\u00eancia entre uma candidata e o partido, tal atua\u00e7\u00e3o n\u00e3o se encontraria no escopo da assessoria jur\u00eddica prestadas \u00e0s candidatas, pois cuida-se somente de quest\u00f5es relativas \u00e0 campanha eleitoral\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Botto tamb\u00e9m esclarece que o trabalho de advocacia ocorreu em parceria com outros tr\u00eas advogados e, para isso, foi utilizada a empresa Jorge L.A.Domingues Sociedade Individual de Advocacia. A assessoria de Fl\u00e1vio Bolsonaro n\u00e3o se manifestou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o Congresso aprovou, em 2015, a extin\u00e7\u00e3o do financiamento privado de campanhas eleitorais, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, previu: \u201cO Brasil vai ganhar a Copa do Mundo das Laranjas\u201d. Os casos que v\u00e3o se revelando sobre o PSL parecem demonstrar que, nesse caso, o ministro infelizmente parece ter raz\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma outra Val na complicada vida pol\u00edtica da fam\u00edlia Bolsonaro. 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