{"id":87027,"date":"2019-03-01T16:38:09","date_gmt":"2019-03-01T19:38:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=87027"},"modified":"2019-03-01T16:38:09","modified_gmt":"2019-03-01T19:38:09","slug":"em-dois-meses-moro-coleciona-recuos-apos-ordens-de-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/03\/01\/em-dois-meses-moro-coleciona-recuos-apos-ordens-de-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Em dois meses, Moro coleciona recuos ap\u00f3s ordens de Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p>Dois meses ap\u00f3s tomar posse com status de superministro, Sergio Moro j\u00e1 coleciona derrotas e recuos que foi obrigado a fazer publicamente ap\u00f3s contraordens do presidente Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Nesta quinta-feira (28), o ministro da Justi\u00e7a teve de recuar, a contragosto, na nomea\u00e7\u00e3o da especialista em seguran\u00e7a p\u00fablica Ilona Szab\u00f3, que ele havia indicado para ser membro suplente do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Criminal e Penitenci\u00e1ria.<\/p>\n<p>Antes desse caso, ele j\u00e1 havia deparado com outros epis\u00f3dios de constrangimento, o que tem gerado desgaste e irritado o ministro. Moro, segundo assessores pr\u00f3ximos, passou a quinta-feira de cara fechada.<\/p>\n<p>O ministro aceitou deixar a carreira de juiz federal para assumir o minist\u00e9rio sob o argumento de que estava \u201ccansado de tomar bola nas costas\u201d. Mas em 60 dias de governo, tem enfrentado problemas parecidos.<\/p>\n<p>Logo nos primeiros dias no cargo, Moro recebeu a miss\u00e3o de concretizar mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o para dar aos cidad\u00e3os mais acesso \u00e0 posse de armas, bandeira de Bolsonaro durante a campanha presidencial.<\/p>\n<p>Desde o come\u00e7o, o ministro tentara se desvincular da autoria da ideia, dizendo nos bastidores que apenas estava cumprindo ordens do presidente.<\/p>\n<p>Na elabora\u00e7\u00e3o do decreto, que foi publicado em janeiro, algumas de suas sugest\u00f5es foram ignoradas, como o n\u00famero de armas que poderia ser registrado por pessoa \u2013ele defendeu que tinham que ser apenas duas, e n\u00e3o quatro, como acabou estabelecido no decreto sobre o assunto.<\/p>\n<p>Em outro caso, mais recente, o ministro viu o governo interferir naquilo que mais se dedicou desde a posse, seu pacote anticrime, que re\u00fane projetos de leis apresentados ao Congresso em fevereiro.<\/p>\n<p>Entre as medidas, Moro incluiu a criminaliza\u00e7\u00e3o do caixa dois. Dias depois, no entanto, soube que, por decis\u00e3o do Pal\u00e1cio do Planalto, o tema iria tramitar separadamente do restante das propostas, que incluem mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o sobre crime organizado, corrup\u00e7\u00e3o e tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p>Mesmo quando n\u00e3o teve de recuar, o ministro deu sinais de fragilidade quando a palavra do presidente foi mais forte do que a dele, como no caso do esc\u00e2ndalo de candidaturas-laranjas, revelado pela Folha de S.Paulo.<\/p>\n<p>Enquanto Moro deu declara\u00e7\u00f5es evasivas, dizendo que a Pol\u00edcia Federal iria investigar se \u201chouvesse necessidade\u201d e que n\u00e3o sabia se havia consist\u00eancia nas den\u00fancias, Bolsonaro determinou dias depois, de forma enf\u00e1tica, a abertura de investiga\u00e7\u00f5es para apurar o esquema.<\/p>\n<p>No epis\u00f3dio de Ilona Szab\u00f3, o ministro ainda teve de acompanhar declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que explicitaram sua derrota, como entrevistas da especialista e mensagens dos filhos do presidente.<\/p>\n<p>\u201cMeu ponto de vista \u00e9 como essa Ilana Szab\u00f3 aceita fazer parte do governo Bolsonaro. \u00c9 muita cara de pau junto com uma vontade louca de sabotar, s\u00f3 pode\u201d, escreveu o senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), filho de Jair Bolsonaro, em uma rede social.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio minist\u00e9rio admitiu a derrota em nota: \u201cDiante da repercuss\u00e3o negativa em alguns segmentos, optou-se por revogar a nomea\u00e7\u00e3o, o que foi previamente comunicado \u00e0 nomeada e a quem o Minist\u00e9rio respeitosamente apresenta escusas.\u201d<\/p>\n<p>Mesmo com o recuo, Moro defendeu o convite que havia feito dizendo na nota que foi motivado \u201cpelos relevantes conhecimentos da nomeada na \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica e igualmente pela notoriedade e qualidade dos servi\u00e7os prestados pelo Instituto Igarap\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>Ilona Szab\u00f3 caiu porque \u00e9 contr\u00e1ria ao afrouxamento das regras de acesso a armas, pol\u00edtica do governo Bolsonaro. Tamb\u00e9m j\u00e1 criticou em artigo o pacote anticrime de Moro ao considerar preocupantes, entre outras coisas, as medidas que tendem a ampliar o direito \u00e0 leg\u00edtima defesa.<\/p>\n<p>\u201cO sentimento \u00e9 de que quem ganha \u00e9 a polariza\u00e7\u00e3o, perde a pluralidade e o debate de ideias, t\u00e3o fundamentais numa democracia\u201d, disse a especialista \u00e0 Folha de S.Paulo.<\/p>\n<p>As \u201ctratoradas\u201d de Bolsonaro n\u00e3o atingem apenas Moro, no entanto.<\/p>\n<p>V\u00e1rios ministros j\u00e1 foram derrotados e tiveram que anunciar recuos, como Gustavo Bebianno, que comandou a Secretaria-Geral da Presid\u00eancia e foi demitido ap\u00f3s o esc\u00e2ndalo das candidaturas de laranjas.<\/p>\n<p>Em \u00e1udios vazados publicados pela revista Veja, por exemplo, Bolsonaro manda uma mensagem a Bebianno simplesmente cancelando uma viagem dele e de outros ministros que j\u00e1 estava marcada para a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Paulo Guedes (Economia), que tamb\u00e9m entrou com status de superministro, \u00e9 outro que j\u00e1 teve contratempos com o Planalto.<\/p>\n<p>O principal deles envolve a reforma da Previd\u00eancia. O presidente afirmou nesta quinta (28) que o governo pode alterar a proposta de idade m\u00ednima para mulheres de 62 anos para 60 anos.<\/p>\n<p>Os recuos do superministro<br \/>\nMoro topou largar a carreira de juiz federal, que lhe deu fama de her\u00f3i pela condu\u00e7\u00e3o da Lava Jato, para virar ministro da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Disse ter aceitado o convite de Bolsonaro, entre outras coisas, por estar \u201ccansado de tomar bola nas costas\u201d. Tomou posse com o discurso de que teria total autonomia e com status de superministro<\/p>\n<p>Decreto das armas<br \/>\nSeu primeiro rev\u00e9s foi ainda em janeiro. O ministro tentou se desvincular da autoria da ideia de flexibilizar a posse de armas, dizendo nos bastidores estar apenas cumprindo ordens do presidente. Teve sua sugest\u00e3o ignorada de limitar o registro por pessoa a duas armas \u2013o decreto fixou o n\u00famero em quatro<\/p>\n<p>Caixa dois<br \/>\nPor ordem do Pal\u00e1cio do Planalto, a proposta de criminaliza\u00e7\u00e3o do caixa dois, elaborada pelo ministro da Justi\u00e7a, vai tramitar separadamente do restante do projeto anticrime<\/p>\n<p>Ilona Szab\u00f3<br \/>\nMoro teve de demitir a especialista em seguran\u00e7a p\u00fablica por determina\u00e7\u00e3o do presidente, ap\u00f3s repercuss\u00e3o negativa da nomea\u00e7\u00e3o. Ilona Szab\u00f3 j\u00e1 se disse contr\u00e1ria ao afrouxamento das regras de acesso a armas e criticou a ideia de amplia\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 leg\u00edtima defesa que est\u00e1 no projeto do ministro<\/p>\n<p>Fracassos na Esplanada<br \/>\nOutros ministros tamb\u00e9m tiveram derrotas e tiveram que anunciar recuos publicamente. Gustavo Bebianno, ex-Secretaria-Geral da Presid\u00eancia, e Paulo Guedes, da Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois meses ap\u00f3s tomar posse com status de superministro, Sergio Moro j\u00e1 coleciona derrotas e recuos que foi obrigado a fazer publicamente ap\u00f3s contraordens do presidente Jair Bolsonaro. Nesta quinta-feira (28), o ministro da Justi\u00e7a teve de recuar, a contragosto, na nomea\u00e7\u00e3o da especialista em seguran\u00e7a p\u00fablica Ilona Szab\u00f3, que ele havia indicado para ser membro suplente do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Criminal e Penitenci\u00e1ria. Antes desse caso, ele j\u00e1 havia deparado com outros epis\u00f3dios de constrangimento, o que tem gerado desgaste e irritado o ministro. Moro, segundo assessores pr\u00f3ximos, passou a quinta-feira de cara fechada. O ministro aceitou deixar a carreira de juiz federal para assumir o minist\u00e9rio sob o argumento de que estava \u201ccansado de tomar bola nas costas\u201d. Mas em 60 dias de governo, tem enfrentado problemas parecidos. Logo nos primeiros dias no cargo, Moro recebeu a miss\u00e3o de concretizar mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o para dar aos cidad\u00e3os mais acesso \u00e0 posse de armas, bandeira de Bolsonaro durante a campanha presidencial. Desde o come\u00e7o, o ministro tentara se desvincular da autoria da ideia, dizendo nos bastidores que apenas estava cumprindo ordens do presidente. Na elabora\u00e7\u00e3o do decreto, que foi publicado em janeiro, algumas de suas sugest\u00f5es foram ignoradas, como o n\u00famero de armas que poderia ser registrado por pessoa \u2013ele defendeu que tinham que ser apenas duas, e n\u00e3o quatro, como acabou estabelecido no decreto sobre o assunto. Em outro caso, mais recente, o ministro viu o governo interferir naquilo que mais se dedicou desde a posse, seu pacote anticrime, que re\u00fane projetos de leis apresentados ao Congresso em fevereiro. Entre as medidas, Moro incluiu a criminaliza\u00e7\u00e3o do caixa dois. Dias depois, no entanto, soube que, por decis\u00e3o do Pal\u00e1cio do Planalto, o tema iria tramitar separadamente do restante das propostas, que incluem mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o sobre crime organizado, corrup\u00e7\u00e3o e tr\u00e1fico de drogas. Mesmo quando n\u00e3o teve de recuar, o ministro deu sinais de fragilidade quando a palavra do presidente foi mais forte do que a dele, como no caso do esc\u00e2ndalo de candidaturas-laranjas, revelado pela Folha de S.Paulo. Enquanto Moro deu declara\u00e7\u00f5es evasivas, dizendo que a Pol\u00edcia Federal iria investigar se \u201chouvesse necessidade\u201d e que n\u00e3o sabia se havia consist\u00eancia nas den\u00fancias, Bolsonaro determinou dias depois, de forma enf\u00e1tica, a abertura de investiga\u00e7\u00f5es para apurar o esquema. No epis\u00f3dio de Ilona Szab\u00f3, o ministro ainda teve de acompanhar declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que explicitaram sua derrota, como entrevistas da especialista e mensagens dos filhos do presidente. \u201cMeu ponto de vista \u00e9 como essa Ilana Szab\u00f3 aceita fazer parte do governo Bolsonaro. \u00c9 muita cara de pau junto com uma vontade louca de sabotar, s\u00f3 pode\u201d, escreveu o senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), filho de Jair Bolsonaro, em uma rede social. O pr\u00f3prio minist\u00e9rio admitiu a derrota em nota: \u201cDiante da repercuss\u00e3o negativa em alguns segmentos, optou-se por revogar a nomea\u00e7\u00e3o, o que foi previamente comunicado \u00e0 nomeada e a quem o Minist\u00e9rio respeitosamente apresenta escusas.\u201d Mesmo com o recuo, Moro defendeu o convite que havia feito dizendo na nota que foi motivado \u201cpelos relevantes conhecimentos da nomeada na \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica e igualmente pela notoriedade e qualidade dos servi\u00e7os prestados pelo Instituto Igarap\u00e9\u201d. Ilona Szab\u00f3 caiu porque \u00e9 contr\u00e1ria ao afrouxamento das regras de acesso a armas, pol\u00edtica do governo Bolsonaro. Tamb\u00e9m j\u00e1 criticou em artigo o pacote anticrime de Moro ao considerar preocupantes, entre outras coisas, as medidas que tendem a ampliar o direito \u00e0 leg\u00edtima defesa. \u201cO sentimento \u00e9 de que quem ganha \u00e9 a polariza\u00e7\u00e3o, perde a pluralidade e o debate de ideias, t\u00e3o fundamentais numa democracia\u201d, disse a especialista \u00e0 Folha de S.Paulo. As \u201ctratoradas\u201d de Bolsonaro n\u00e3o atingem apenas Moro, no entanto. V\u00e1rios ministros j\u00e1 foram derrotados e tiveram que anunciar recuos, como Gustavo Bebianno, que comandou a Secretaria-Geral da Presid\u00eancia e foi demitido ap\u00f3s o esc\u00e2ndalo das candidaturas de laranjas. Em \u00e1udios vazados publicados pela revista Veja, por exemplo, Bolsonaro manda uma mensagem a Bebianno simplesmente cancelando uma viagem dele e de outros ministros que j\u00e1 estava marcada para a Amaz\u00f4nia. Paulo Guedes (Economia), que tamb\u00e9m entrou com status de superministro, \u00e9 outro que j\u00e1 teve contratempos com o Planalto. O principal deles envolve a reforma da Previd\u00eancia. O presidente afirmou nesta quinta (28) que o governo pode alterar a proposta de idade m\u00ednima para mulheres de 62 anos para 60 anos. Os recuos do superministro Moro topou largar a carreira de juiz federal, que lhe deu fama de her\u00f3i pela condu\u00e7\u00e3o da Lava Jato, para virar ministro da Justi\u00e7a. Disse ter aceitado o convite de Bolsonaro, entre outras coisas, por estar \u201ccansado de tomar bola nas costas\u201d. Tomou posse com o discurso de que teria total autonomia e com status de superministro Decreto das armas Seu primeiro rev\u00e9s foi ainda em janeiro. O ministro tentou se desvincular da autoria da ideia de flexibilizar a posse de armas, dizendo nos bastidores estar apenas cumprindo ordens do presidente. Teve sua sugest\u00e3o ignorada de limitar o registro por pessoa a duas armas \u2013o decreto fixou o n\u00famero em quatro Caixa dois Por ordem do Pal\u00e1cio do Planalto, a proposta de criminaliza\u00e7\u00e3o do caixa dois, elaborada pelo ministro da Justi\u00e7a, vai tramitar separadamente do restante do projeto anticrime Ilona Szab\u00f3 Moro teve de demitir a especialista em seguran\u00e7a p\u00fablica por determina\u00e7\u00e3o do presidente, ap\u00f3s repercuss\u00e3o negativa da nomea\u00e7\u00e3o. Ilona Szab\u00f3 j\u00e1 se disse contr\u00e1ria ao afrouxamento das regras de acesso a armas e criticou a ideia de amplia\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 leg\u00edtima defesa que est\u00e1 no projeto do ministro Fracassos na Esplanada Outros ministros tamb\u00e9m tiveram derrotas e tiveram que anunciar recuos publicamente. 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