{"id":87338,"date":"2019-03-06T13:07:53","date_gmt":"2019-03-06T16:07:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=87338"},"modified":"2019-03-06T13:07:53","modified_gmt":"2019-03-06T16:07:53","slug":"pesquisadores-exibem-esponja-que-toca-musica-e-prototipos-com-grafeno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/03\/06\/pesquisadores-exibem-esponja-que-toca-musica-e-prototipos-com-grafeno\/","title":{"rendered":"Pesquisadores exibem esponja que toca m\u00fasica e prot\u00f3tipos com grafeno"},"content":{"rendered":"<p>RAPHAEL HERNANDES<br \/>\nBARCELONA, ESPANHA (FOLHAPRESS) \u2013 Dentro de um cubo de isolamento ac\u00fastico, raios de luz s\u00e3o disparados \u00e0 queima-roupa contra uma esponja do tamanho da unha de um dedo m\u00ednimo.<\/p>\n<p>Um microfone voltado \u00e0 a\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligado a duas caixas de som do lado de fora, de onde se toca um barulho distorcido: \u201cCome on baby light my fire\u201d, ouve-se. \u00c9 a banda The Doors. A m\u00fasica est\u00e1 sendo transformada em luz, que \u00e9 absorvida e convertida em som por uma esponja de grafeno.<\/p>\n<p>O grafeno \u00e9 o composto mais fino e mais forte conhecido pela humanidade, trata-se de cristais feitos de carbono, como o diamante e o grafite, e tem a espessura de um \u00e1tomo. Al\u00e9m de tudo, ele \u00e9 bastante flex\u00edvel. Com isso, tem potencial para uma ampla gama de aplica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dos prot\u00f3tipos com o nanocomposto exibidos pela Graphene Flagship, alian\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia para estimular pesquisa com grafeno no continente e lev\u00e1-lo ao mercado at\u00e9 2023. A mostra aconteceu no Mobile World Congress, evento de tecnologia m\u00f3vel que terminou na \u00faltima quinta-feira (28), em Barcelona.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 que essas esponjas musicais cubram paredes inteiras de casas e as transformem em caixas de som. A convers\u00e3o de m\u00fasica para luz \u00e9 feita por um programa de computador.<\/p>\n<p>Francesco de Nicola, pesquisador do Instituto Italiano de Tecnologia e respons\u00e1vel pela fa\u00e7anha, diz que a luz usada n\u00e3o precisa ser vis\u00edvel aos olhos humanos -ou seja, n\u00e3o precisa transformar a sala de casa numa balada se n\u00e3o quiser. E, sobre a qualidade do som, justifica dizendo que levou uma quantidade muito pequena para a demonstra\u00e7\u00e3o. O problema n\u00e3o existiria em escala maior, afirma.<\/p>\n<p>O prot\u00f3tipo j\u00e1 est\u00e1 pronto para a produ\u00e7\u00e3o em massa, diz. Agora, s\u00f3 falta conseguir um investidor. Para isso, est\u00e3o criando uma startup.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m da \u00e1rea do som vem o \u00fanico produto baseado em grafeno que j\u00e1 \u00e9 comercializado. Os fones de ouvido MediaDevil Artisanphonics CB-01 Nanene usam a subst\u00e2ncia no seu interior. S\u00e3o mais leves que o convencional e o fabricante garante maior qualidade de som. Custam 50 euros (R$ 214).<\/p>\n<p>Outros prot\u00f3tipos, em diferentes est\u00e1gios de desenvolvimento, incluem tinta e concreto condutores de eletricidade, baterias flex\u00edveis, detector de varia\u00e7\u00e3o de press\u00e3o ultrassens\u00edvel, tintas sens\u00edveis ao toque (tanto para paredes quanto para tecidos) e supercapacitores (equipamento capaz de armazenar grandes quantidades de energia e liber\u00e1-la rapidamente).<\/p>\n<p>No passado, um dos impeditivos para uma ado\u00e7\u00e3o mais ampla do grafeno era n\u00e3o conseguir produzir o nanocomposto em massa. Segundo Andrea Ferrari, diretor do centro sobre grafeno da Universidade de Cambridge, j\u00e1 isso \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cA quest\u00e3o agora \u00e9 se \u00e9 poss\u00edvel produzir grafeno com propriedades espec\u00edficas para produtos espec\u00edficos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A descoberta de m\u00e9todo de extra\u00e7\u00e3o de grafeno, em 2004, envolvia o uso de fita adesiva sendo colocada repetidamente contra um peda\u00e7o de grafite e rendeu pr\u00eamio Nobel para Andre Geim e Sir Konstantin Novoselov, em 2010. O segundo estava presente no estande durante a visita da reportagem, na ter\u00e7a-feira (26). Produzia uma instala\u00e7\u00e3o de arte usando o composto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RAPHAEL HERNANDES BARCELONA, ESPANHA (FOLHAPRESS) \u2013 Dentro de um cubo de isolamento ac\u00fastico, raios de luz s\u00e3o disparados \u00e0 queima-roupa contra uma esponja do tamanho da unha de um dedo m\u00ednimo. Um microfone voltado \u00e0 a\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligado a duas caixas de som do lado de fora, de onde se toca um barulho distorcido: \u201cCome on baby light my fire\u201d, ouve-se. \u00c9 a banda The Doors. A m\u00fasica est\u00e1 sendo transformada em luz, que \u00e9 absorvida e convertida em som por uma esponja de grafeno. O grafeno \u00e9 o composto mais fino e mais forte conhecido pela humanidade, trata-se de cristais feitos de carbono, como o diamante e o grafite, e tem a espessura de um \u00e1tomo. Al\u00e9m de tudo, ele \u00e9 bastante flex\u00edvel. Com isso, tem potencial para uma ampla gama de aplica\u00e7\u00f5es. Esse \u00e9 um dos prot\u00f3tipos com o nanocomposto exibidos pela Graphene Flagship, alian\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia para estimular pesquisa com grafeno no continente e lev\u00e1-lo ao mercado at\u00e9 2023. A mostra aconteceu no Mobile World Congress, evento de tecnologia m\u00f3vel que terminou na \u00faltima quinta-feira (28), em Barcelona. A ideia \u00e9 que essas esponjas musicais cubram paredes inteiras de casas e as transformem em caixas de som. A convers\u00e3o de m\u00fasica para luz \u00e9 feita por um programa de computador. Francesco de Nicola, pesquisador do Instituto Italiano de Tecnologia e respons\u00e1vel pela fa\u00e7anha, diz que a luz usada n\u00e3o precisa ser vis\u00edvel aos olhos humanos -ou seja, n\u00e3o precisa transformar a sala de casa numa balada se n\u00e3o quiser. E, sobre a qualidade do som, justifica dizendo que levou uma quantidade muito pequena para a demonstra\u00e7\u00e3o. O problema n\u00e3o existiria em escala maior, afirma. O prot\u00f3tipo j\u00e1 est\u00e1 pronto para a produ\u00e7\u00e3o em massa, diz. Agora, s\u00f3 falta conseguir um investidor. Para isso, est\u00e3o criando uma startup. Tamb\u00e9m da \u00e1rea do som vem o \u00fanico produto baseado em grafeno que j\u00e1 \u00e9 comercializado. Os fones de ouvido MediaDevil Artisanphonics CB-01 Nanene usam a subst\u00e2ncia no seu interior. S\u00e3o mais leves que o convencional e o fabricante garante maior qualidade de som. Custam 50 euros (R$ 214). Outros prot\u00f3tipos, em diferentes est\u00e1gios de desenvolvimento, incluem tinta e concreto condutores de eletricidade, baterias flex\u00edveis, detector de varia\u00e7\u00e3o de press\u00e3o ultrassens\u00edvel, tintas sens\u00edveis ao toque (tanto para paredes quanto para tecidos) e supercapacitores (equipamento capaz de armazenar grandes quantidades de energia e liber\u00e1-la rapidamente). No passado, um dos impeditivos para uma ado\u00e7\u00e3o mais ampla do grafeno era n\u00e3o conseguir produzir o nanocomposto em massa. 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