{"id":89026,"date":"2019-03-23T09:55:51","date_gmt":"2019-03-23T12:55:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=89026"},"modified":"2019-03-23T09:55:51","modified_gmt":"2019-03-23T12:55:51","slug":"rejeitos-da-barragem-de-brumadinho-chegam-ao-sao-francisco-diz-ong-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/03\/23\/rejeitos-da-barragem-de-brumadinho-chegam-ao-sao-francisco-diz-ong-2\/","title":{"rendered":"Rejeitos da barragem de Brumadinho chegam ao S\u00e3o Francisco, diz ONG"},"content":{"rendered":"<p>Rejeitos de minera\u00e7\u00e3o mais finos, carregados de metais pesados provenientes da barragem que se rompeu em Brumadinho, t\u00eam aflu\u00eddo no rio S\u00e3o Francisco. Essa foi a principal constata\u00e7\u00e3o da segunda expedi\u00e7\u00e3o da SOS Mata Atl\u00e2ntica pelo rio Paraopeba, realizada de 8 a 14 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Em 25 de janeiro, o rompimento da barragem 1 da Mina C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, da Vale, liberou 14 toneladas de rejeitos de min\u00e9rio de ferro. A lama invadiu o ribeir\u00e3o Ferro-Carv\u00e3o e percorreu 9 km at\u00e9 alcan\u00e7ar o rio Paraopeba, importante afluente do rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>\u201cOs sedimentos grossos, a chamada lama, de fato est\u00e3o decantando no reservat\u00f3rio de Retiro Baixo\u201d, observa Malu Ribeiro, especialista em recursos h\u00eddricos da SOS Mata Atl\u00e2ntica. \u201cMas a pluma com os contaminantes \u2013 que muda a cor e a turbidez do rio \u2013 est\u00e1 sendo carregada gradativamente pelo vertedouro do reservat\u00f3rio em dire\u00e7\u00e3o ao de Tr\u00eas Marias, onde est\u00e1 o S\u00e3o Francisco.\u201d A barragem de Retiro Baixo \u00e9 o \u00faltimo obst\u00e1culo antes do rio Paraopeba desaguar no reservat\u00f3rio de Tr\u00eas Marias.<\/p>\n<p>A equipe da funda\u00e7\u00e3o analisou a qualidade da \u00e1gua entre os reservat\u00f3rios das usinas hidrel\u00e9tricas (UHE) de Retiro Baixo, em Felixl\u00e2ndia \u2013 a 217 km da barragem que se rompeu \u2013 e de Tr\u00eas Marias, que compreende nove munic\u00edpios de Minas Gerais..<\/p>\n<p>Dos 12 pontos de medi\u00e7\u00e3o, nove estavam em condi\u00e7\u00e3o ruim e tr\u00eas tinham a situa\u00e7\u00e3o regular. A turbidez variava de duas a seis vezes acima dos 100 UNT (Unidade Nefelom\u00e9trica de Turbidez) permitidos pela resolu\u00e7\u00e3o 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Tamb\u00e9m foram identificadas concentra\u00e7\u00f5es de ferro, mangan\u00eas, cromo e cobre al\u00e9m do autorizado por lei, o que \u201cevidencia o impacto da pluma de rejeitos de min\u00e9rio sobre o S\u00e3o Francisco\u201d.<\/p>\n<p>Os resultados da segunda etapa de estudos pelo rio Paraopeba foram anunciados nesta sexta-feira, 22 de mar\u00e7o, quando \u00e9 celebrado o Dia Mundial da \u00c1gua. O relat\u00f3rio O retrato da qualidade da \u00e1gua nas bacias da Mata Atl\u00e2ntica analisa a crescente degrada\u00e7\u00e3o dos rios em 17 estados que compreendem os recursos h\u00eddricos do bioma.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"\" data-src=\"https:\/\/www.clickpb.com.br\/media\/filer_public\/fa\/1c\/fa1c5257-de54-4c3a-956f-9438ae8d74c9\/expedicao_sos_mata_atlantica-2.jpg\" alt=\"\" data-image=\"114105\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" \/><figcaption>Pesquisador da SOS Mata Atl\u00e2ntica testa \u00e1gua do Paraopeba. A ONG finalizou a segunda etapa de estudos pelo rio depois do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Dos 12 pontos de medi\u00e7\u00e3o, nove estavam em condi\u00e7\u00e3o ruim e tr\u00eas tinham a situa\u00e7\u00e3o regular. (Foto: Victor Moriyama)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Outra metodologia<\/strong><\/p>\n<p>No entanto, a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA), respons\u00e1vel por regular o acesso e o uso dos recursos h\u00eddricos no Brasil, diz que suas an\u00e1lises realizadas no rio Paraopeba ainda n\u00e3o confirmam que os rejeitos passaram pela Usina Hidrel\u00e9trica de Retiro Baixo, situada antes da usina de Tr\u00eas Marias.<\/p>\n<p>Segundo a ANA, an\u00e1lises da qualidade de \u00e1gua do Paraopeba anteriores \u00e0 ruptura da barragem j\u00e1 apontavam n\u00edveis de contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua por ferro e alum\u00ednio. \u201cPor exemplo, o rio Ribeir\u00e3o das Almas, imediatamente a jusante de Retiro Baixo, lan\u00e7a muitos sedimentos no Paraopeba, o que pode confundir an\u00e1lises feitas sem contemplar as s\u00e9ries anteriores de dados\u201d, observou a ANA, em nota.<\/p>\n<p>\u201cOs metais pesados que encontramos na coluna d\u2019\u00e1gua do Reservat\u00f3rio de Tr\u00eas Marias, a 2 metros de profundidade \u2013 e n\u00e3o no espelho da \u00e1gua \u2013, tamb\u00e9m est\u00e3o presentes nos mesmos n\u00edveis excessivos que encontramos ao longo do Paraopeba afetado pela Vale\u201d, explica Malu.<\/p>\n<p>A equipe da SOS Mata Atl\u00e2ntica realizou medi\u00e7\u00f5es no Ribeir\u00e3o das Almas, a 43 km do quinto ponto de medi\u00e7\u00e3o no Reservat\u00f3rio de Tr\u00eas Marias. Mesmo ap\u00f3s as chuvas e com ferro e alum\u00ednio provenientes de atividade mineradora, o n\u00edvel de turbidez estava em 43 NTU, dentro do permitido.<\/p>\n<p>Malu reconhece uma poss\u00edvel metodologia diferente utilizada pela ANA e pela SOS Mata Atl\u00e2ntica, por\u00e9m ressalta que metais pesados,\u00a0 turbidez e o conjunto de par\u00e2metros que acarretam no desaparecimento da fauna aqu\u00e1tica pela perda de qualidade da \u00e1gua indicam \u201cque a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 fora do normal, diferente de antes do dano praticado pela Vale. A nossa metodologia j\u00e1 constatou, infelizmente, esse impacto no reservat\u00f3rio de Tr\u00eas Marias.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs n\u00edveis que encontramos s\u00e3o muito acima do padr\u00e3o permitido na legisla\u00e7\u00e3o. Isso j\u00e1 evidencia a urgente necessidade de medidas restritivas de uso dessa \u00e1gua por parte das autoridades, assim como em determinar qual \u00e9 o plano B\u201d, conclui a ambientalista.<\/p>\n<p><strong>A primeira expedi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>De 31 de janeiro a 9 de fevereiro, a SOS Mata Atl\u00e2ntica realizou a primeira etapa dos estudos do impacto do rompimento da barragem no rio Paraopeba. Do C\u00f3rrego do Feij\u00e3o ao Reservat\u00f3rio de Retiro Baixo, todos os pontos analisados apresentaram condi\u00e7\u00f5es de \u00e1gua impr\u00f3prias para consumo humano, irriga\u00e7\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es e dessedenta\u00e7\u00e3o de animais, diante de concentra\u00e7\u00f5es de metais pesado acima do n\u00edvel permitido por lei.<\/p>\n<p>J\u00e1 a elevada turbidez, a escassez de oxig\u00eanio e as altas temperaturas da \u00e1gua impossibilitam a vida aqu\u00e1tica ao longo de 305 km do Paraopeba. Al\u00e9m disso, 112 hectares de Mata Atl\u00e2ntica natural foram desmatados pela lama.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rejeitos de minera\u00e7\u00e3o mais finos, carregados de metais pesados provenientes da barragem que se rompeu em Brumadinho, t\u00eam aflu\u00eddo no rio S\u00e3o Francisco. 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