{"id":94916,"date":"2019-05-13T17:46:04","date_gmt":"2019-05-13T20:46:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=94916"},"modified":"2019-05-13T17:46:04","modified_gmt":"2019-05-13T20:46:04","slug":"magisterio-e-o-curso-mais-procurado-pela-populacao-pobre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/05\/13\/magisterio-e-o-curso-mais-procurado-pela-populacao-pobre\/","title":{"rendered":"Magist\u00e9rio \u00e9 o curso mais procurado pela popula\u00e7\u00e3o pobre"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>O aumento da demanda por docentes com curso superior impulsionou os candidatos a professores no pa\u00eds a buscarem essa capacita\u00e7\u00e3o em cursos mais r\u00e1pidos ou em programas de forma\u00e7\u00e3o de docentes simplificados. Eles t\u00eam procurado tamb\u00e9m o ensino a dist\u00e2ncia, sem forte regula\u00e7\u00e3o e monitoramento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados est\u00e3o na publica\u00e7\u00e3o Professores do Brasil, que foi lan\u00e7ada esta semana, em S\u00e3o Paulo, pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) no Brasil e a Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas (FCC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro Professores do Brasil, que trata dos desafios na forma\u00e7\u00e3o de docentes no pa\u00eds, \u00e9 o terceiro de uma s\u00e9rie que fornece amplo panorama da doc\u00eancia: forma\u00e7\u00e3o, trabalho e profissionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele foi produzido a partir do projeto Cen\u00e1rios da forma\u00e7\u00e3o do professor no Brasil e seus desafios. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de estudos feitos pelas pesquisadoras Bernardete A. Gatti, Elba Siqueira de S\u00e1 Barretto e Patr\u00edcia Albieri de Almeida, da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas; e Marli Eliza Dalmazo Afonso de Andr\u00e9, da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O material mostra ainda o perfil do estudante de licenciatura no pa\u00eds, ressaltando pontos importantes. Por exemplo, os estudantes da doc\u00eancia t\u00eam renda mais baixa que os de outras licenciaturas: cerca de 61,2% dos estudantes, de 2014, tinham renda de at\u00e9 tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos. E, desse total, um em cada quatro estudantes tem renda salarial de at\u00e9 1,5 sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDo in\u00edcio deste s\u00e9culo para agora, eles [estudantes de licenciatura] se tornaram mais pobres, provenientes de fam\u00edlia com menos instru\u00e7\u00e3o\u201d, disse Elba Siqueira de S\u00e1 Barretto, professora da Universidade de S\u00e3o Paulo e pesquisadora e consultora da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEntre os estudantes de licenciatura, em torno de 42% t\u00eam pais que fizeram apenas o prim\u00e1rio incompleto. S\u00f3 9% desses estudantes t\u00eam pais com n\u00edvel superior\u201d, acrescentou. \u201cEssa \u00e9 uma tend\u00eancia. Cada vez mais o magist\u00e9rio no Brasil est\u00e1 sendo procurado pelos segmentos mais empobrecidos. E essa tend\u00eancia ficou mais clara, mais acentuada\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/paraibaonline.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/professor-sala-aula1510.jpg\" alt=\"Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" class=\"wp-image-514318\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro aspecto indicado na pesquisa, \u00e9 o n\u00famero de mulheres, que conclui as licenciaturas, ser maior que o de homens e negros a maioria entre os estudantes. [A presen\u00e7a de negros na licenciatura passou de 35,9% em 2005, para 51,3% em 2014].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDe 14 cursos de licenciatura [segundo dados do Enade], em 11 deles havia 50% ou mais de alunos negros ou pardos. E todos os cursos de licenciatura tamb\u00e9m t\u00eam \u00edndios representados, embora em pequenas propor\u00e7\u00f5es\u201d, informa Elba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEles [estudantes de licenciatura] j\u00e1 eram alunos mais pobres. Esse n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno brasileiro, acontece em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, desde os anos 2000. Muitos dos alunos de licenciatura s\u00e3o os primeiros a chegar ao Ensino M\u00e9dio e ao Ensino Superior\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a pesquisadora, a licenciatura \u00e9 tamb\u00e9m um curso predominantemente feminino. \u201cMas percebemos recentemente que as matr\u00edculas dos homens est\u00e1 aumentando\u201d, disse, acrescentando ainda que, a maior parte desses estudantes de licenciatura n\u00e3o s\u00f3 estudam: \u201cEles estudam e trabalham e ainda mant\u00e9m a fam\u00edlia\u201d. Para Elba, isso significa o quanto \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar para poder estudar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo constatou tamb\u00e9m um envelhecimento no perfil dos licenciandos: a presen\u00e7a de jovens entre 18 e 24 anos que fazem licenciatura passou de 34,7% em 2005 para 21% em 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses fen\u00f4menos decorrem, segundo a pesquisadora, entre outras raz\u00f5es, por causa do estabelecimento da Lei de Cotas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHouve tamb\u00e9m financiamento desses cursos privados e a abertura de muitas vagas nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para que eles pudessem fazer o Ensino Superior\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exig\u00eancia de curso superior<br>Desde a promulga\u00e7\u00e3o da Lei de Diretrizes e Bases (LDO 9.394), em 1996, passou a ser exigido no pa\u00eds que todo docente tenha certifica\u00e7\u00e3o superior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, em 2016, ainda havia 34% de professores da educa\u00e7\u00e3o infantil e 20% do ensino fundamental sem a titula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos anos finais, a propor\u00e7\u00e3o de n\u00e3o graduados somou 23%. No Ensino M\u00e9dio, a propor\u00e7\u00e3o de docentes n\u00e3o titulados equivalia a 7%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Matr\u00edculas<br>Ainda segundo o livro, as matr\u00edculas para a licenciatura passaram de 659 mil alunos, em 2001, para 1,5 milh\u00e3o em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O n\u00famero exato de alunos matriculados, em 2016, em cursos de licenciatura no pa\u00eds somava 1.524.329, sendo que 579.581 estavam em escolas p\u00fablicas e 944.748 (62% do total) nas privadas. Desse total, 882.749 faziam licenciatura em cursos de ensino presencial e, o restante, 641.580, por meio de cursos a dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEsse foi um per\u00edodo [ap\u00f3s o ano 2000] em que os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul e da Am\u00e9rica Latina tiveram algumas condi\u00e7\u00f5es muito favor\u00e1veis para o seu desenvolvimento. Uma crise nos pa\u00edses do Norte favoreceu muito os nossos pa\u00edses que s\u00e3o exportadores de commodities. Ent\u00e3o, o PIB cresceu, houve um desenvolvimento econ\u00f4mico grande\u201d, disse Elba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs licenciaturas foram uma das forma\u00e7\u00f5es de n\u00edvel superior que foram privilegiadas nesse per\u00edodo\u201d, acrescentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Das 2.228.107 de vagas oferecidas em cursos de licenciatura no pa\u00eds em 2016, 1.990.953 (ou 89,4% do total) eram disponibilizadas pelo setor privado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O total de vagas ociosas atingiu 1.632.212 e cerca de 94,3% se referiam ao setor privado. O total de ingressantes somou 595.895 em 2016, sendo que 75,8% ingressaram em cursos fornecidos pelo setor privado, de acordo com o levantamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuase 2 milh\u00f5es das vagas est\u00e3o no setor privado, sendo apenas 10,6% oferecidas pelo setor p\u00fablico. Em contrapartida, s\u00e3o as reduzidas vagas do setor p\u00fablico disputadas por mais de 1,6 milh\u00e3o de estudantes, ou seja, pela maior parte dos candidatos que postulam a entrada em curso superior (58,2%), atra\u00eddos, sobretudo, pela melhor qualidade que costuma ser socialmente imputada a esses cursos, pela sua gratuidade, ou por ambas as raz\u00f5es\u201d, diz ainda a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Evas\u00e3o<br>O estudo constatou ainda que \u00e9 grande a quantidade de vagas oferecidas no ensino superior para licenciatura (2,2 milh\u00f5es de vagas), mas limitado o n\u00famero de ingressantes (595 mil em 2016). Deste total de vagas, 1,9 milh\u00e3o se refere a vagas no ensino privado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A explica\u00e7\u00e3o para esse fen\u00f4meno \u00e9 o fato de os alunos buscarem o ensino superior privado por causa do aumento de subs\u00eddios p\u00fablicos para o setor, pelas baixas mensalidades, pela modalidade de ensino a dist\u00e2ncia, pela maior oferta de cursos no per\u00edodo noturno e pela menor concorr\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vagas dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cerca de 39% das vagas nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas n\u00e3o foram ocupadas. No setor privado, as vagas ociosas ultrapassaram 1,5 milh\u00e3o em 2016. Segundo a pesquisa, isso decorre, no caso do setor p\u00fablico, do apoio escasso aos alunos que dela necessitam e tamb\u00e9m da dificuldade em modificar a estrutura e o modo de funcionamento dos cursos. Do total de alunos que ingressou nas licenciaturas em 2013, metade deles concluem o curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO ideal seria oferecer menos vagas, mas garantir condi\u00e7\u00f5es de apoio para os alunos que passam por um vestibular dif\u00edcil permanecer nos cursos superiores at\u00e9 a formatura\u201d, explicou a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse apoio, segundo Elba, n\u00e3o se resume a oferecer condi\u00e7\u00f5es financeiras ou suporte financeiro melhor, mas compreende tamb\u00e9m a elabora\u00e7\u00e3o de um curr\u00edculo mais adequado e acompanhamento mais sistem\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a pesquisadora, entre as conclus\u00f5es poss\u00edveis sobre os v\u00e1rios retratos que foram apresentados na publica\u00e7\u00e3o \u00e9 a necessidade de repensar alguns gastos que s\u00e3o feitos no Ensino Superior e tamb\u00e9m a qualidade do que est\u00e1 sendo oferecido. \u201cTamb\u00e9m precisamos rever as metas de crescimento do Ensino Superior. N\u00e3o tem aluno suficiente sendo formado no Ensino M\u00e9dio. O Ensino M\u00e9dio est\u00e1 muito ainda precarizado\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aumento da demanda por docentes com curso superior impulsionou os candidatos a professores no pa\u00eds a buscarem essa capacita\u00e7\u00e3o em cursos mais r\u00e1pidos ou em programas de forma\u00e7\u00e3o de docentes simplificados. Eles t\u00eam procurado tamb\u00e9m o ensino a dist\u00e2ncia, sem forte regula\u00e7\u00e3o e monitoramento. Os dados est\u00e3o na publica\u00e7\u00e3o Professores do Brasil, que foi lan\u00e7ada esta semana, em S\u00e3o Paulo, pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) no Brasil e a Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas (FCC). O livro Professores do Brasil, que trata dos desafios na forma\u00e7\u00e3o de docentes no pa\u00eds, \u00e9 o terceiro de uma s\u00e9rie que fornece amplo panorama da doc\u00eancia: forma\u00e7\u00e3o, trabalho e profissionaliza\u00e7\u00e3o. Ele foi produzido a partir do projeto Cen\u00e1rios da forma\u00e7\u00e3o do professor no Brasil e seus desafios. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de estudos feitos pelas pesquisadoras Bernardete A. Gatti, Elba Siqueira de S\u00e1 Barretto e Patr\u00edcia Albieri de Almeida, da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas; e Marli Eliza Dalmazo Afonso de Andr\u00e9, da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC). O material mostra ainda o perfil do estudante de licenciatura no pa\u00eds, ressaltando pontos importantes. Por exemplo, os estudantes da doc\u00eancia t\u00eam renda mais baixa que os de outras licenciaturas: cerca de 61,2% dos estudantes, de 2014, tinham renda de at\u00e9 tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos. E, desse total, um em cada quatro estudantes tem renda salarial de at\u00e9 1,5 sal\u00e1rio m\u00ednimo. \u201cDo in\u00edcio deste s\u00e9culo para agora, eles [estudantes de licenciatura] se tornaram mais pobres, provenientes de fam\u00edlia com menos instru\u00e7\u00e3o\u201d, disse Elba Siqueira de S\u00e1 Barretto, professora da Universidade de S\u00e3o Paulo e pesquisadora e consultora da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas, em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil. \u201cEntre os estudantes de licenciatura, em torno de 42% t\u00eam pais que fizeram apenas o prim\u00e1rio incompleto. S\u00f3 9% desses estudantes t\u00eam pais com n\u00edvel superior\u201d, acrescentou. \u201cEssa \u00e9 uma tend\u00eancia. Cada vez mais o magist\u00e9rio no Brasil est\u00e1 sendo procurado pelos segmentos mais empobrecidos. E essa tend\u00eancia ficou mais clara, mais acentuada\u201d, disse. Outro aspecto indicado na pesquisa, \u00e9 o n\u00famero de mulheres, que conclui as licenciaturas, ser maior que o de homens e negros a maioria entre os estudantes. [A presen\u00e7a de negros na licenciatura passou de 35,9% em 2005, para 51,3% em 2014]. \u201cDe 14 cursos de licenciatura [segundo dados do Enade], em 11 deles havia 50% ou mais de alunos negros ou pardos. E todos os cursos de licenciatura tamb\u00e9m t\u00eam \u00edndios representados, embora em pequenas propor\u00e7\u00f5es\u201d, informa Elba. \u201cEles [estudantes de licenciatura] j\u00e1 eram alunos mais pobres. Esse n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno brasileiro, acontece em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, desde os anos 2000. Muitos dos alunos de licenciatura s\u00e3o os primeiros a chegar ao Ensino M\u00e9dio e ao Ensino Superior\u201d. De acordo com a pesquisadora, a licenciatura \u00e9 tamb\u00e9m um curso predominantemente feminino. \u201cMas percebemos recentemente que as matr\u00edculas dos homens est\u00e1 aumentando\u201d, disse, acrescentando ainda que, a maior parte desses estudantes de licenciatura n\u00e3o s\u00f3 estudam: \u201cEles estudam e trabalham e ainda mant\u00e9m a fam\u00edlia\u201d. Para Elba, isso significa o quanto \u00e9 necess\u00e1rio trabalhar para poder estudar. O estudo constatou tamb\u00e9m um envelhecimento no perfil dos licenciandos: a presen\u00e7a de jovens entre 18 e 24 anos que fazem licenciatura passou de 34,7% em 2005 para 21% em 2014. Esses fen\u00f4menos decorrem, segundo a pesquisadora, entre outras raz\u00f5es, por causa do estabelecimento da Lei de Cotas. \u201cHouve tamb\u00e9m financiamento desses cursos privados e a abertura de muitas vagas nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para que eles pudessem fazer o Ensino Superior\u201d, acrescentou. Exig\u00eancia de curso superiorDesde a promulga\u00e7\u00e3o da Lei de Diretrizes e Bases (LDO 9.394), em 1996, passou a ser exigido no pa\u00eds que todo docente tenha certifica\u00e7\u00e3o superior. No entanto, em 2016, ainda havia 34% de professores da educa\u00e7\u00e3o infantil e 20% do ensino fundamental sem a titula\u00e7\u00e3o. Nos anos finais, a propor\u00e7\u00e3o de n\u00e3o graduados somou 23%. No Ensino M\u00e9dio, a propor\u00e7\u00e3o de docentes n\u00e3o titulados equivalia a 7%. Matr\u00edculasAinda segundo o livro, as matr\u00edculas para a licenciatura passaram de 659 mil alunos, em 2001, para 1,5 milh\u00e3o em 2016. O n\u00famero exato de alunos matriculados, em 2016, em cursos de licenciatura no pa\u00eds somava 1.524.329, sendo que 579.581 estavam em escolas p\u00fablicas e 944.748 (62% do total) nas privadas. Desse total, 882.749 faziam licenciatura em cursos de ensino presencial e, o restante, 641.580, por meio de cursos a dist\u00e2ncia. \u201cEsse foi um per\u00edodo [ap\u00f3s o ano 2000] em que os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul e da Am\u00e9rica Latina tiveram algumas condi\u00e7\u00f5es muito favor\u00e1veis para o seu desenvolvimento. Uma crise nos pa\u00edses do Norte favoreceu muito os nossos pa\u00edses que s\u00e3o exportadores de commodities. Ent\u00e3o, o PIB cresceu, houve um desenvolvimento econ\u00f4mico grande\u201d, disse Elba. \u201cAs licenciaturas foram uma das forma\u00e7\u00f5es de n\u00edvel superior que foram privilegiadas nesse per\u00edodo\u201d, acrescentou. Das 2.228.107 de vagas oferecidas em cursos de licenciatura no pa\u00eds em 2016, 1.990.953 (ou 89,4% do total) eram disponibilizadas pelo setor privado. O total de vagas ociosas atingiu 1.632.212 e cerca de 94,3% se referiam ao setor privado. O total de ingressantes somou 595.895 em 2016, sendo que 75,8% ingressaram em cursos fornecidos pelo setor privado, de acordo com o levantamento. \u201cQuase 2 milh\u00f5es das vagas est\u00e3o no setor privado, sendo apenas 10,6% oferecidas pelo setor p\u00fablico. Em contrapartida, s\u00e3o as reduzidas vagas do setor p\u00fablico disputadas por mais de 1,6 milh\u00e3o de estudantes, ou seja, pela maior parte dos candidatos que postulam a entrada em curso superior (58,2%), atra\u00eddos, sobretudo, pela melhor qualidade que costuma ser socialmente imputada a esses cursos, pela sua gratuidade, ou por ambas as raz\u00f5es\u201d, diz ainda a publica\u00e7\u00e3o. Evas\u00e3oO estudo constatou ainda que \u00e9 grande a quantidade de vagas oferecidas no ensino superior para licenciatura (2,2 milh\u00f5es de vagas), mas limitado o n\u00famero de ingressantes (595 mil em 2016). Deste total de vagas, 1,9 milh\u00e3o se refere a vagas no ensino privado. A explica\u00e7\u00e3o para esse fen\u00f4meno \u00e9 o fato de os alunos buscarem o ensino superior privado por causa do aumento de subs\u00eddios p\u00fablicos para o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":94917,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-94916","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94916","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=94916"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94916\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":94918,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/94916\/revisions\/94918"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media\/94917"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=94916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=94916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=94916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}