{"id":98386,"date":"2019-06-05T17:35:03","date_gmt":"2019-06-05T20:35:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.caririemacao.com\/1\/?p=98386"},"modified":"2019-06-05T17:35:03","modified_gmt":"2019-06-05T20:35:03","slug":"ipea-homicidios-de-mulheres-cresceram-acima-da-media-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.caririemacao.com\/1\/2019\/06\/05\/ipea-homicidios-de-mulheres-cresceram-acima-da-media-nacional\/","title":{"rendered":"Ipea: homic\u00eddios de mulheres cresceram acima da m\u00e9dia nacional"},"content":{"rendered":"\n<p>A edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Viol\u00eancia deste ano mostra que a taxa de homic\u00eddio de mulheres cresceu acima da m\u00e9dia nacional em 2017. O estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica e Aplicada (Ipea) e pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica revela que, enquanto a taxa geral de homic\u00eddios no pa\u00eds aumentou 4,2% na compara\u00e7\u00e3o 2017-2016, a taxa que conta apenas as mortes de mulheres cresceu 5,4%. Apesar disso, o indicador continua bem abaixo do \u00edndice geral (31,6 casos a cada 100 mil habitantes), com 4,7 casos de mortes de mulheres para cada grupo de 100 mil habitantes. Ainda assim, \u00e9 a maior taxa desde 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 28,5% dos homic\u00eddios de mulheres, as mortes foram dentro de casa, o que o Ipea relaciona a poss\u00edveis casos de feminic\u00eddio e viol\u00eancia dom\u00e9stica. Entre 2012 e 2017, o instituto aponta que a taxa de homic\u00eddios de mulheres fora da resid\u00eancia caiu 3,3%, enquanto a dos crimes cometidos dentro das resid\u00eancias aumentou 17,1%. J\u00e1 entre 2007 e 2017, destaca-se ainda a taxa de homic\u00eddios de mulheres por arma de fogo dentro das resid\u00eancias que aumentou em 29,8%.<\/p>\n\n\n\n<p>O Ipea mostra ainda que a taxa de homic\u00eddios de mulheres negras \u00e9 maior e cresce mais que a das mulheres n\u00e3o negras. Entre 2007 e 2017, a taxa para as negras cresceu 29,9%, enquanto a das n\u00e3o negras aumentou 1,6%. Com essa varia\u00e7\u00e3o, a taxa de homic\u00eddios de mulheres negras chegou a 5,6 para cada 100 mil, enquanto a de mulheres n\u00e3o negras terminou 2017 em 3,2 por 100 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A gente tem o crescimento da viol\u00eancia contra a mulher e todas est\u00e3o sendo atingidas, mas as mulheres negras est\u00e3o sendo atingidas com uma for\u00e7a muito maior&#8221;, disse Samira Bueno, diretora executiva do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Negros<\/h2>\n\n\n\n<p>De cada quatro pessoas assassinadas no Brasil em 2017, tr\u00eas eram negras, segundo os dados do Ipea. A taxa de homic\u00eddios para esse grupo da popula\u00e7\u00e3o chegou a 43,1 para 100 mil habitantes, enquanto a dos n\u00e3o negros fechou o ano em 16 por 100 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>O Instituto aponta que houve uma piora na desigualdade racial nesse aspecto entre 2007 e 2017, j\u00e1 que a taxa cresceu 33,1% para os negros e 3,3% para os n\u00e3o negros. Apenas entre 2016 e 2017, a taxa de homic\u00eddios de negros no Brasil cresceu 7,2%.<\/p>\n\n\n\n<p>Em n\u00fameros absolutos, o pa\u00eds registrou 49.524 assassinatos de negros em 2017, um aumento de 62,3% em rela\u00e7\u00e3o a 2007 e de 9,1% ante 2016. Quando s\u00e3o analisados os n\u00e3o negros, os n\u00fameros absolutos tiveram queda de 0,8% em rela\u00e7\u00e3o a 2016 e alta de 0,4% perante 2007, fechando 2017 em 14.734 mortes.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;coordenador da pesquisa, Daniel Cerqueira, chamou a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que a desigualdade de crimes sofridos entre negros e n\u00e3o negros est\u00e1 aumentando.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A gente tem no Brasil uma desigualdade na letalidade por ra\u00e7a que \u00e9 escandalosa&#8221;, disse ele, afirmando que esse dado n\u00e3o chega a ser novo. &#8220;E essa boca [dist\u00e2ncia entre os n\u00fameros de homic\u00eddios no gr\u00e1fico] continua se alargando&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">LGBTI+<\/h2>\n\n\n\n<p>O Ipea incluiu pela primeira vez no atlas a viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o de l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e intersexuais. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a situa\u00e7\u00e3o tem se agravado e que a popula\u00e7\u00e3o sofre de invisibilidade na produ\u00e7\u00e3o oficial de dados e estat\u00edsticas. Para o estudo, foram usados dados das den\u00fancias registradas no Disque 100 e de registros administrativos do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Existe um verdadeiro apag\u00e3o estat\u00edstico no Brasil sobre viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTI&#8221;, disse Daniel Cerqueira.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de homic\u00eddios denunciados ao Disque 100 subiu de 5 em 2011 para 193 em 2017. J\u00e1 as les\u00f5es corporais aumentaram de 318 em 2016 para 423 em 2017, passando por um pico de 783 casos em 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Ipea, o aumento n\u00e3o se deve apenas \u00e0 maior divulga\u00e7\u00e3o do Disque 100, porque n\u00e3o foi verificado comportamento semelhante nos dados de outras minorias que buscaram o servi\u00e7o, como idosos, moradores de em situa\u00e7\u00e3o de rua e crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade apontam que entre 2015 e 2016 aumentou o n\u00famero de epis\u00f3dios de viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica, tortura e outras viol\u00eancias contra bissexuais e homossexuais, sendo a maioria das v\u00edtimas solteiras e do sexo feminino. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o aos autores das viol\u00eancias, 70% eram do sexo masculino. Ao todo, foram notificadas 5.930 situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTI+.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perfil das v\u00edtimas<\/h2>\n\n\n\n<p>Outro dado sobre as v\u00edtimas de homic\u00eddio que consta no Atlas \u00e9 o n\u00edvel de escolaridade. Segundo o Ipea, 74,6% dos homens e 66,8% das mulheres assassinadas entre 2007 e 2017 tinham at\u00e9 sete anos de estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m mostra que 68,2% dos homens foram mortos em ruas ou estradas, enquanto 15,9% foram assassinados em suas resid\u00eancias entre 2007 e 2017. No caso das mulheres, 44,7% morreram na rua\/estrada e 39,2% foram mortas em casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os meses do ano com mais homic\u00eddios s\u00e3o dezembro, janeiro e mar\u00e7o, enquanto junho e julho t\u00eam o menor n\u00famero de registros. Em rela\u00e7\u00e3o aos dias da semana, de acordo com o estudo, o s\u00e1bado requer maior aten\u00e7\u00e3o ao policiamento preventivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os homens, \u00e9 mais prov\u00e1vel a ocorr\u00eancia de homic\u00eddios entre 18h e 2h da manh\u00e3, enquanto para mulheres os casos se distribuem de forma mais uniforme ao longo do dia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Armamento<\/h2>\n\n\n\n<p>O Ipea se debru\u00e7ou sobre o n\u00famero de homic\u00eddios cometidos com armas de fogo no Brasil entre 1980 e 2017, tra\u00e7ando dois cen\u00e1rios alternativos a partir de 2003, ano em que foi aprovado o Estatuto do Desarmamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O instituto aponta que a taxa de homic\u00eddios por armas de fogo crescia em m\u00e9dia 5,44% ao ano nos 14 anos anteriores \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do estatuto, e esse ritmo caiu para 0,85% no per\u00edodo entre 2003 e 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir disso, o Ipea estimou que, se o ritmo de crescimento tivesse continuado semelhante ao dos 14 anos anteriores ao estatuto, o n\u00famero de homic\u00eddios cometidos com armas de fogo teria chegado perto de 90 mil em 2017, um patamar superior aos 47.510 que foram registrados naquele ano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Viol\u00eancia deste ano mostra que a taxa de homic\u00eddio de mulheres cresceu acima da m\u00e9dia nacional em 2017. 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