‘Aécio não vai definir sozinho sua candidatura’, diz Anastasia

Pré-candidato ao governo de Minas Gerais, o senador Antonio Anastasia (PSDB) disse ao jornal O Estado de S. Paulo que o senador Aécio Neves, seu padrinho político, vai ouvir o partido antes de decidir se vai disputar o Senado nas eleições deste ano. Candidato à Presidência da República em 2014, Aécio se afastou dos antigos aliados depois que veio a público áudio em que ele pede R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, dono da JBS. Ele ainda não definiu seu futuro político.

A prisão do ex-governador Eduardo Azeredo coloca o PSDB na vala comum da corrupção?

Ele sempre teve um conceito de um homem correto, mas tem de cumprir a pena. Não podemos adular as pessoas condenadas.

É uma mancha que pode constranger o partido na eleição em Minas Gerais?

Não acho mancha, nem que constrange o partido. Azeredo é considerado uma pessoa que foi vítima de uma circunstância. E o candidato (ao governo de Minas) sou eu.

Ele deve ser expulso do PSDB?

Não sinto o sentimento de necessidade dessa medida.

O senador Aécio Neves ainda não decidiu se disputa ou não o Senado. Essa é mesmo uma decisão pessoal dele ou do partido?

Eu recebi uma carta branca para a montagem das questões relativas ao partido. Temos que aguardar um pouco. Ele vai tomar essa decisão, e não deve demorar muito, sobre ser candidato ou não. E, se for, para qual cargo. Os prazos estão afunilando.

O sr. quer que ele seja mesmo candidato?

Nesse momento, ele próprio pondera sobre as dificuldades que teria em uma candidatura majoritária, do sim e do não. Mas temos que respeitar a decisão que ele tomar.

Até o ex-governador Geraldo Alckmin, que preside o partido e tem a prerrogativa de vetar candidatos, deixou claro que não gostaria que Aécio disputasse o Senado.

Ele (Aécio) vai ouvir os companheiros na hora de tomar a decisão. Não tomará uma decisão isolada. Ele está dedicado à sua defesa e em mostrar o que foi alegado, que foi vítima de uma armadilha.

Aécio se elegeria?

As pesquisas o colocam com uma votação positiva, mas em uma eleição a gente nunca sabe. Nem sei quem são os candidatos ao Senado. Há notícia de que Dilma (a presidente cassada Dilma Rousseff) seria candidata, mas isso não se confirma.

Dilma mudou seu título eleitoral para Minas Gerais e é pré-candidata ao Senado. O PT também cogita lançá-la ao governo. O que significaria para o sr., que foi relator do impeachment, entrar em campanha contra ela?

Lembro muito na eleição para governador de Minas de 2014, o nosso candidato, o Pimenta da Veiga, foi muito acusado pelo PT com o argumento de que estaria ausente de Minas Gerais há oito ou dez anos. Ela (Dilma) está ausente há 40 anos. Não sei como o povo vai encarar isso. Não sei se é uma candidatura forte ou fraca. Não vejo muita alteração no quadro eleitoral por causa disso, a não ser para o próprio PT, que, em razão disso, perderia o apoio do MDB.

O sr. estava muito convicto de que não seria candidato ao governo. Foi um sacrifício pessoal entrar na disputa?

Não é nenhum segredo que não era meu intuito me candidatar nesse ano ao governo. Mas tivemos circunstâncias de natureza política e social que formaram uma grande corrente clamando por minha responsabilidade de participar do pleito. Também é importante para o Geraldo Alckmin (pré-candidato do partido à Presidência) ter um palanque em Minas.

O PSDB perdeu em Minas Gerais em 2014, tendo Aécio como candidato. Por que com Alckmin, que é paulista, seria diferente?

Cada eleição é diferente da outra. Fernando Henrique (Cardoso) é paulista e ganhou duas eleições presidenciais seguidas em Minas Gerais. Acredito firmemente em uma vitória dele em Minas Gerais.

Há um movimento com a participação do PSDB que tenta unificar o centro em uma só candidatura. Para isso, não é necessário que se admita que Alckmin pode não ser o candidato?

É uma tese. A essa altura, não há ninguém que vai aparecer do nada com 10% ou 12% (das intenções de voto). Entre os atuais candidatos no centro, dois nomes de destacam: Alckmin e Alvaro Dias (presidenciável do Podemos). Só que o Alvaro Dias é de um partido muito pequeno e sem estrutura. Alckmin é mais viável eleitoralmente.

Dias seria o vice ideal?

Vejo com muita simpatia. Não sei se ele tem disposição para essa conversa.

Por que Alckmin não decola nas pesquisas?

Vivemos um clima de radicalismo que chega às raias do ódio. Há uma pulverização de candidatos. E falta uma definição em São Paulo, que é o Estado dele. Lá tem duas candidaturas que o apoiam, o que cria dificuldade. Há ainda uma completa apatia. O próximo presidente precisa ter a personalidade da serenidade e tranquilidade. Vejo o Geraldo nessa pessoa.

Como explica a força do ex-presidente Lula em Minas?

Ele tem muita força devido ao Bolsa Família e benefícios sociais que criou no seu tempo. Criou-se um imaginário de que só o Lula poderia ter dado isso.

É mais importante criar pontes com o PT pensando nos votos úteis num eventual segundo turno das eleições ou disputar o antipetismo com Jair Bolsonaro, presidenciável do PSL?

Bolsonaro vai diminuir. Não acredito que vai ao segundo turno. Quando os debates avançarem, um candidato mais calmo tende a ter mais vantagem. Acredito em um segundo turno entre um candidato de centro e outro de esquerda, que tem muito voto.

CARIRI EM AÇÃO

Com O Estado de S. Paulo/Foto: Reprodução Internet

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