Cantor. Compositor. Violeiro. Repentista. Nasceu no sítio Bomba d’Água, de Serra de Cachoeira. Nasceu Às margens de um rio no qual sua mãe lavava roupas, sendo que ela pensando ter abortado deixou o recém- nascido lá mesmo sendo ele recolhido pela avó que constatou que ele estava vivo.
Aos 8 anos de idade já ajudava o pai no trabalho da roça e o avô no pastoreio do gado. Aos 12 anos ganhou uma viola de presente deste último. Começou a se interessar pela cantoria ainda criança decorando versos que achava bonitos. Pedia sempre ao pai para convidar cantadores para irem cantar em sua casa. Aos 12 anos de idade fez dupla com o irmão Vicente e com ele passou a se apresentar em cidades e vilas da região de Taquaritinga do Norte.
Aos 15 anos foi para Campina Grande onde fez sucesso cantando ao lado de cantadores como Canhotinho, Josué da Cruz, José Alves Sobrinho, Manoel Raimundo de Barros, Manoel Soares, Enésio Soares, João da Silveira, Antônio Barbosa, Diomedes Ferreira, Severino Jorge, Machadinho, Ferreirinha e outros.
Em 1978, participou em Campina Grande, Paraíba, do V Congresso Nacional de Violeiros no qual cantou dois desafios com João Bandeira: “Amor de mulher casada é bom mas é perigoso” e “Morre cego sem ter prazer na vida quem não viu uma festa no sertão”. Esses desafios foram lançados em disco pelo selo Marcus Pereira em 1980, no LP “Violas e repentes – 2 – V Congresso Nacional de Violeiros”, gravado ao vivo.
Em 2006, participou do 5º Concane – Congresso de Cantadores do Nordetse, realizado na cidade de Recife, Pernambuco. Ao longo da carreira participou de inúmeros congressos e recebeu mais de 30 troféus em festivais de violeiros tendo obtido o primeiro lugar em 13 deles.
“Furiba”
Por muitos anos João Furiba fez parceria e viajou com Pinto do Monteiro. Assíduo provocador do Cascavel do Repente, recebeu dele o apelido de “Furiba” que significa coisa sem importância.
Conhecido por ser muito namorador, João cantava com Pinto no alto do Moura na cidade de Caruaru-PE, quando chegou na cantoria a mulher do maior traficante de drogas da cidade puxando um cachorrinho. O monteirense que já conhecia a madame, permaneceu calado, quando Furiba muito enxerido disse:
Se essa madame me pega
Me beija muito e azunha!!!
Pinto deu a resposta imediato.
Eu pra não ser testemunha
Da briga do pé de morro
O marido dela chega
Ai nessa hora eu corro
Pra não ver duas carniça
a tua e a do cachorro!!!!
Muitos outros casos são sabidos desta parceria entre o pernambucano e o paraibano, dentre elas destaca-se também a que nos conta o diretor do Museu Municipal de Monteiro, Carlos Paiva:
Pinto já estava para morrer quando Furiba veio visita-lo, então o pernambucano abriu o ferrolho da porta adentrou a casa logo dizendo:
Há tempo que não vinha,
Nesta santa moradia
Visitar o velho Pinto
Me traz tanta alegria
Que é mesmo que ter tirado
No bolão da loteria.
Lá de dentro Pinto respondeu:
Eu não imaginaria
Que você chegasse agora
Com essa seua presença
Obtive uma melhora
Quer ver eu ficar bom mesmo,
Basta você ir-se embora.
“Esta era a forma bem humorada de tratarem a rivalidade que existia entre os dois. Neste tipo de provocação, tudo que Furiba cantava, Pinto revidava”, conta o diretor que pesaroso fala sobre a perda do grande nome do repente.
“Foi uma grande perda, mas agora o céu está em festa. Agora reencontraram-se, Furiba e o velho Pinto e agora poderão continuar a batalha de versos que tanto maravilhava nossa gente”, conclui Carlos Paiva.


