‘É uma coisa que fica marcada pra sempre’, diz menina de 11 anos chamada de ‘macaca magrela’

Prestes a entrar na adolescência, J., de 11 anos, já não anda nas ruas do Rio com a mesma tranquilidade que tinha na infância. Recentemente, ela sofreu ataque racista em sua página na internet. Junto com frases como “macaca magrela”, ela ainda recebeu ameaças de morte que fizeram com que a menina tivesse sua liberdade cerceada.

Os xingamentos preconceituosos e a ameaça foram registrados na polícia pelo pai na menina, e o caso está sendo investigado pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI).

“Eu estou com muito medo de sair na rua, mesmo meus pais me deixando tranquila. Porque, na verdade, eu não sei quem é que fez isso, eu não sei se é um homem ou uma mulher. Então dá muito muito medo mesmo. Mas quando a polícia achar esse culpado, criminoso, sei lá o que… aí sim, eu ficarei tranquila”, disse a menina ao G1.

Após invadir a página da menina, o criminoso ainda trocou a foto do perfil dela pela imagem de um macaco.

Após invadir a página da menina, o criminoso ainda trocou a foto do perfil dela pela imagem de um macaco.   — Foto: Reprodução

Após invadir a página da menina, o criminoso ainda trocou a foto do perfil dela pela imagem de um macaco. — Foto: Reprodução

Na internet, foi a primeira vez que ela sofreu ataques. No entanto, J. já carrega um histórico de preconceitos contra ela. A menina contou que na escola já foi vítima de comentários maldosos sobre a cor de sua pele, seu cabelo e seu peso.

“Às vezes, também acho que isso deve ser por eu ter sempre conceito A, notas boas, sempre acima de 9. Sei lá, fico tão confusa, isso que me veio a mente. Devem achar que só brancos devem ter notas boas, e serem melhores das turmas. Então por que tiram dúvidas comigo quando precisam?”, indagou a menina.

Menina de 11 anos é vítima de racismo em rede social

Menina de 11 anos é vítima de racismo em rede social

Por conta do episódio, J. reduziu seu uso da internet, ela só pretende voltar a navegar na web quando estiver mais velha.

“Meus pais mandaram eu dar um tempo com a internet. Excluir meus canais no YouTube, insta, e face. Só uso meu Whatsapp pra eu falar com meu pai e minha mãe, e meu telefone, caso eu precise ligar pra eles numa emergência”, explicou.

No dia da Consciência Negra, a menina diz se preocupar com outras crianças que sofrem algum tipo de preconceito e manda uma mensagem aos agressores:

“Se você já fez isso com alguém, se algum dia você pedir desculpas, não vai mudar o que você já falou. E isso é uma coisa que fica marcada pra sempre dentro da gente, assim como ficará em mim, infelizmente.”

J. agora tenta esquecer o que passou, e, mesmo que as feridas demorem a cicatrizar, ela acredita que um dia possa superar o que viveu.

“Eu queria falar que eu não desejo isso pra ninguém, mesmo porque é uma coisa que mexeu muito comigo e que ainda mexe…Eu sou católica, estou terminando a minha catequese, e me apego muito nesses ensinamentos de Deus e da minha família, que são tudo pra mim.”

G1