Autismo ainda enfrenta preconceito e falta de inclusão, alerta especialista

Durante entrevista ao vivo no Programa Cariri em Ação, a psicopedagoga Edineide Maria, profissional com certificação internacional e referência em avaliação, abordou temas fundamentais sobre o autismo, destacando a importância da informação, do diagnóstico precoce e da inclusão na sociedade.

Logo na abertura, Edineide chamou atenção para a necessidade de romper estereótipos. Segundo ela, o autismo não pode ser reduzido a rótulos ou padrões, e o preconceito ainda é uma realidade enfrentada por muitas famílias.

Ao tratar do diagnóstico, a especialista reforçou que identificar sinais precocemente faz toda a diferença no desenvolvimento. Ela explicou que a avaliação é feita de forma criteriosa, com observação do comportamento, escuta da família e aplicação de instrumentos específicos, podendo envolver uma equipe multidisciplinar. O tempo para fechamento do diagnóstico pode variar, dependendo de cada caso.

Edineide também destacou os chamados níveis de suporte dentro do espectro, explicando que eles indicam o grau de apoio que a pessoa necessita no dia a dia, e não definem limites para o desenvolvimento.

Outro ponto abordado foi o impacto do diagnóstico na família. Segundo a psicopedagoga, a rotina muda completamente e exige adaptação, informação e apoio. Ela ressaltou que o acolhimento e a orientação correta são essenciais nesse processo, já que muitas famílias enfrentam desafios emocionais, sociais e estruturais.

Sobre o desenvolvimento, Edineide enfatizou que a rotina é uma grande aliada. A previsibilidade, segundo ela, traz segurança e contribui para a redução de crises, além de favorecer o aprendizado. Ela também orientou que os pais podem estimular os filhos em casa com atividades simples, respeitando o tempo e as características de cada criança.

Na área da educação, a especialista foi direta ao afirmar que a inclusão ainda precisa avançar. Apesar dos avanços, muitas escolas ainda não estão preparadas. Ela destacou o papel fundamental dos professores e a necessidade de adaptações pedagógicas que realmente funcionem na prática.

Durante a entrevista, Edineide reforçou pontos importantes para conscientização da população. Entre eles, destacou que o autismo não é uma doença e não tem cura, sendo uma condição do neurodesenvolvimento que exige acompanhamento ao longo da vida. Também ressaltou que pessoas autistas aprendem, embora muitas vezes de formas diferentes, e que o diagnóstico precoce amplia significativamente as possibilidades de desenvolvimento e autonomia.

A entrevista trouxe ainda uma reflexão sobre a necessidade de uma inclusão real, que vá além do discurso e se concretize em ações práticas, tanto na escola quanto na sociedade.

O tema reforça a importância da informação e do compromisso coletivo para garantir mais respeito, oportunidades e qualidade de vida para pessoas autistas e suas famílias.