Dados do IBGE mostram que mais de 21 mil crianças e adolescentes paraibanos já possuem diagnóstico de TEA; especialista da Afya alerta para sinais precoces e desafios no acesso ao tratamento.
O aumento no número de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em crianças tem chamado a atenção de famílias, escolas e profissionais de saúde em todo o país.
Na Paraíba, os dados mais recentes do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, apontam que 46.560 pessoas possuem diagnóstico de autismo no estado, o equivalente a 1,2% da população. Desse total, 21.180 são crianças e adolescentes de até 14 anos.
A maior incidência foi registrada entre crianças de 5 a 9 anos, principalmente entre os meninos. Nessa faixa etária, 4,7% da população masculina declarou ter diagnóstico de TEA.
Segundo o médico e coordenador do curso de pós-graduação de neuropediatria da Afya Educação Médica, André Felício, o crescimento dos diagnósticos está diretamente relacionado ao maior conhecimento sobre o transtorno e à ampliação dos critérios diagnósticos.
“Hoje conseguimos identificar casos mais leves, que anteriormente poderiam passar despercebidos. Além disso, escolas, famílias e pediatras estão mais atentos aos sinais precoces”, explica o especialista.
Entre os principais sinais de alerta observados nos primeiros anos de vida estão:
- Atraso ou dificuldade na fala
- Pouco contato visual
- Ausência de resposta ao nome
- Dificuldade de interação social
- Comportamentos repetitivos
- Interesse restrito por determinados objetos ou temas
Algumas crianças também podem apresentar maior sensibilidade a sons, texturas e mudanças de rotina.
Como o autismo se manifesta de formas diferentes em cada criança, André Felício reforça a importância da observação contínua por parte da família e da escola. Quanto mais cedo houver suspeita e encaminhamento para avaliação, maiores são as possibilidades de intervenção adequada.


